Tudo que você precisa saber sobre as vacinas contra Covid-19

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Felipe Folco, diretor-médico da Cia. da Consulta, explica um pouco  sobre a CoronaVac e as outras vacinas que possivelmente estarão disponíveis no Brasil em 2021

O ano de 2021 já chegou. Com ele, a vacinação para Covid-19 começa a bater em nossa porta. No Brasil a situação ainda depende da aprovação da ANVISA, órgão que regula a administração de vacinas no país. Em um cenário como esse, repleto de informações e fake News, é normal que surjam dúvidas em relação à vacina, afinal, todos nós queremos saber se nossas vidas voltarão “ao normal” em breve.

Por isso o diretor-médico, Felipe Folco, responde abaixo as principais perguntas sobre este assunto tão urgente.

Quais são as vacinas que estão em estágios finais e preparadas para aplicação?

Registradas na OMS existem, hoje, 222 vacinas em desenvolvimento, sendo 166 em fase pré-clínica (ainda não estão em testes em humanos) e 56 em fase clínica, sendo que 14 estão na fase 3 (última fase clínica).

Entre as vacinas já aprovadas, algumas se destacam, sendo elas:

Pfizer/BioNTech, Oxford-AstraZeneca, Sinovac (CoronaVac), Sinopharm, Sputnik V (Russa).

Vou aproveitar e explicar um pouco mais sobre a CoronaVac e as outras vacinas que possivelmente estarão disponíveis no Brasil.

A CoronaVac é uma vacina inativada, ou seja, age utilizando partículas virais mortas para expor o sistema imunológico do corpo ao vírus, sem arriscar uma resposta de doença grave. Esse método é mais tradicional e usado em vacinas bem conhecidas, como a da poliomielite e dengue.

Uma das principais vantagens da CoronaVac é que pode ser armazenada em uma geladeira padrão a 2 a 8 graus Celsius, como também acontece com a vacina Oxford, que é feita de um vírus geneticamente modificado que causa o resfriado comum em chimpanzés.

A vacina da Moderna deve ser armazenada a -20C e a vacina da Pfizer a -70, ou seja, tanto a CoronaVac quanto a vacina de Oxford-AstraZeneca são úteis em países em desenvolvimento e não possuem infraestrutura adequada.

Quais vacinas serão aplicadas na população brasileira?

No Estado de São Paulo foi negociada uma parceria entre o Instituto Butantã e a empresa chinesa Sinovac para desenvolvimento e distribuição da CoronaVac. O governo do estado anunciou a chegada de 2 milhões de doses no dia 18 de dezembro e o início da vacinação em 25 de janeiro. O governador do Estado de São Paulo pretende pedir à Anvisa uma autorização especial para uso da CoronaVac até o dia 7 de janeiro.

O governo federal sinalizou também a possibilidade de importação das vacinas da Astra Zeneca (em cojunto com a Fiocruz) e da Pfizer.

A Anvisa autorizou o uso emergencial e temporário de vacinas para Covid-19 no Brasil, desde que enviada documentação ao órgão, mas ainda não há outras vacinas registradas na agência para aplicação no país.

Como vai funcionar a vacinação no Brasil?

Inicialmente a vacina será destinada a profissionais de saúde e grupos de risco (idosos, indígenas e portadores de doenças crônicas), sendo então organizado um cronograma para incluir cada grupo da população. Deve ser algo parecido com as campanhas de vacinas de gripe.

Qual a importância dessa vacinação e como funciona a imunização de rebanho?

É importante que a maior parcela possível da população seja vacinada, alguns estudos sugerem que mesmo quando uma pessoa vacinada pega a doença, os sintomas tendem a ser mais leves.

No nível populacional, conforme as pessoas vão sendo vacinadas, a circulação do vírus começa a diminuir, até um momento em que a doença pode ser erradicada. A imunidade de rebanho que impede a circulação do vírus depende da eficácia da vacina e da porcentagem da população vacinada. Considerando a eficácia das vacinas desenvolvidas, será necessário vacinar entre 75% à 80% da população, para combater a pandemia.

Todas as vacinas podem ter efeitos colaterais (desde uma leve indisposição, até febre ou reação alérgica). As vacinas em fase final de estudo, apresentaram efeitos colaterais leves, principalmente relacionados à ativação do sistema imunológico.

A vida vai voltar ao normal depois da vacina? Por que é necessário continuar usando máscara e mantendo distanciamento social, mesmo após a vacinação?

A vacinação não garante o retorno à vida como era antes da pandemia, já que não temos a certeza do nível de proteção que a vacinação traz (qualquer uma das vacinas já liberadas ou em fase final) quanto à infecção ou ao desenvolvimento de sintomas graves. Esse é o principal motivo para manter as medidas preventivas até que se observe a redução de casos e óbitos a níveis não epidêmicos.

Também seria impossível controlar quais pessoas já foram vacinadas e quais não, enfraquecendo as ações populacionais de reforço na utilização de máscaras, distanciamento social e higienização.
Fonte: Cia. da Consulta
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