Pesquisa aponta eficácia de novo medicamento na prevenção da HPP 

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Os resultados do estudo clínico CHAMPION (Carbetocin Haemorhage Prevention), publicados no fim de junho no New England Journal of Medicine (NEJM) (1), no artigo “Heat-Stable Carbetocin versus Oxytocin to Prevent Hemorrhage after Vaginal Birth”, trazem boas notícias para o campo de Saúde Materna. A pesquisa — conduzida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com colaboração da Ferring Pharmaceuticals e MSD for Mothers e realizada com cerca de 30 mil mulheres em 10 países (1) — indica uma nova alternativa para a prevenção da hemorragia pós-parto (HPP). 

É o que informa matéria divulgada à imprensa pela Ferring, responsável pelo desenvolvimento da carbetocina termoestável. O medicamento, segundo o laboratório, apresenta ganhos em relação ao padrão de tratamento adotado atualmente, feito com a ocitocina. Uma das vantagens seria a resistência a altas temperaturas, facilitando sua adoção em regiões onde há limitações no transporte e na refrigeração de fármacos. 

Estudos referenciados no texto, conduzidos em países de baixa e média-baixa renda, “demonstraram a perda de eficácia em ampolas de ocitocina, provavelmente devido a condições inadequadas de armazenamento e distribuição (2,3)”, enquanto a carbetocina termoestável manteria a eficácia “por pelo menos três anos a 30°C e seis meses a 40°C (4)”. A nova medicação seria, portanto, uma opção mais viável para os sistemas de saúde destes países, com potencial de ajudar no combate à HPP, principal causa direta de morte materna no mundo (5).

“Agora vamos trabalhar com a OMS e MSD for Mothers para disponibilizar carbetocina termoestável em países onde é mais necessária, protegendo mulheres e famílias em todo o mundo”, afirma Eli Lakryc, ginecologista e obstetra, e Diretor Médico da Ferring no Brasil. A Ferring vai fabricar a carbetocina termoestável e submeter a nova apresentação para registro em vários países, incluindo o Brasil. O objetivo, segundo o laboratório, é disponibilizar o medicamento “a um preço acessível e sustentável para o setor público dos países de renda baixa e média-baixa que apresentam um alto índice de mortalidade materna”. 

FONTE: Ferring Pharmaceuticals.  

  1. Widmer M, et al. Heat stable carbetocin vs oxytocin to prevent hemorrhage after vaginal birth. New England Journal of Medicine 2018; publicada.
  2. Torloni MR, et al. Quality of Oxytocin Available in Low and Middle-Income Countries: A Systematic Review of the Literature (Systematic Review on Quality of Oxytocin). An International Journal of Obstetrics and Gynaecology 2016;123(13):2076-2086. 
  3. Anyakora, et al. Quality medicines in maternal health: results of oxytocin, misoprostol, magnesium sulfate and calcium gluconate quality audits. BMC Pregnancy and Childbirth 2018;18:44.
  4. Malm M, et al. Development and stability of a heat-stable formulation of carbetocin for the prevention of postpartum haemorrhage for use in low and middle-income countries. Journal of Peptide Science 2018;e3082. 
  5. Say L, et al. Global causes of maternal death: a WHO systematic analysis. The Lancet Global Health. 2014; 2(6):e323-33. Disponível em: https://www.thelancet.com/pdfs/journals/langlo/PIIS2214-109X(14)70227-X.pdf. Último acesso: maio/2018.
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