Maio Roxo traz alerta às doenças inflamatórias intestinais

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No Brasil, 15 a cada 100 mil habitantes são diagnosticados por ano com as DDIs

Neste mês é celebrada a campanha Maio Roxo com o objetivo de conscientizar a população sobre as doenças inflamatórias intestinais (DIIs). Segundo o Ministério da Saúde, as enfermidades que mais afetam os órgãos intestinais são: doença de Crohn e retocolite ulcerativa, responsáveis por 95% dos casos. No mundo, há uma tendência de aumento de novos casos das DIIs a cada ano, segundo a Dra. Bruna Vailati, coloproctologista do Centro Especializado em Aparelho Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. De acordo coma a especialista, esse fato se dá por conta do estilo de vida da sociedade contemporânea, onde as pessoas tendem a optar por uma dieta rica em alimentos industrializados e ultra processados, com baixo consumo de alimentos in natura.

Para o Dr. Daniel Nakagawa, gastroenterologista do Centro Especializado em Aparelho Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ter uma data para alertar sobre as DIIs é de extrema importância, uma vez que “essas disfunções ainda são desconhecidas por grande parte da população. Há pessoas que consideram os sintomas dessas doenças vexatórios, por conta da falta de informação e do pouco que se é dito e explicado sobre o tema. Dessa forma, ter uma data para aumentar a visibilidade das doenças inflamatórias intestinais é fundamental”, diz.

Doença de Crohn e retocolite ulcerativa

A doença de Crohn e a retocolite ulcerativa são doenças multifatoriais que apresentam sintomas e tratamento similares guiados pela gravidade e localização das patologias. A retocolite ulcerativa é uma inflamação crônica restrita ao revestimento interno do intestino grosso, inicia pelo reto (parte final do intestino) e se estende de forma contínua por uma área que varia em cada paciente. Já a doença de Crohn pode comprometer qualquer parte do trato gastrointestinal, que vai da boca ao ânus, de forma descontínua, ou seja, atinge áreas doentes intercaladas com áreas saudáveis e pode comprometer todas as camadas da parede do intestino. “A região que mais é atingida pela doença de Crohn é o final do intestino fino e o intestino grosso”, explica a Dra. Bruna.

As doenças inflamatórias intestinais não têm fatores definidos para desenvolvimento, que variam desde fatores genéticos, hábitos alimentares e alteração da flora bacteriana do intestino do paciente. Podem acometer desde crianças a idosos, com mais frequência em adultos jovens, na faixa entre 20 a 40 anos de idade. Os principais sintomas são dores abdominais, diarreia (muitas vezes com sangue, muco ou pus), constipação, febre, perda de peso e fraqueza. Os pacientes também podem apresentar lesões no ânus, dores nas articulações, inflamações oculares, lesões na pele e alterações no fígado.

Por conta dos fatores de risco indefinidos, a especialista explica que não há como garantir ações específicas para a prevenção das doenças. No entanto, o tabagismo é um dos hábitos que está associado ao desenvolvimento e à piora dos sintomas da doença de Crohn e que deve ser evitado.

Tratamento

“Novas drogas como os imunossupressores e imunobiológicos estão constantemente surgindo, aumentando o arsenal terapêutico contra as patologias”, comenta Dr. Daniel Nakagawa. Os tratamentos medicamentosos da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa se baseiam em imunossupressores e imunobiológicos. Além dos remédios administrados por via oral, medidas comportamentais como ter uma nutrição adequada, evitar anti-inflamatórios e manter hábitos de vida saudáveis são importantes”, complementa.

Quando o paciente não responde de forma satisfatória ao tratamento clínico e medicamentoso, procedimentos cirúrgicos são indicados. “Nem todo paciente precisa de cirurgia, os procedimentos são individualizados e dependem da gravidade e extensão da doença, assim como dos sintomas e condições clínicas de cada um”, comenta a Dra. Bruna Vailati.

“Em ambas as patologias, o procedimento consiste na extração do órgão inflamado. No entanto, no caso da doença de Crohn, mesmo que o segmento doente seja removido, a inflamação pode surgir em outras áreas. Ou seja, a cirurgia não cura a doença e os pacientes devem continuar com o acompanhamento clínico e com o tratamento medicamentoso. Já na retocolite, a remoção dos intestinos elimina toda a parte doente e há maior chance de o paciente não apresentar mais inflamações”, diz a cirurgiã.

Os especialistas explicam que as doenças inflamatórias intestinais não têm cura, mas é possível, na maioria dos casos, ter o controle dos sintomas e prevenir novas crises. Portanto, em caso de suspeita, é fundamental que o paciente procure atendimento médico imediato para realizar o diagnóstico de forma precoce.
Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz / Foto ilustrativa: Pexels
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