Hemorragia pós-parto: materiais de treinamento da OMS e nova opção de droga contra sangramento

0

Teste mostra alternativa para controlar hemorragia pós-parto e OMS reforça procedimentos entre profissionais.
Quase 30% das mortes maternas no mundo são causadas por hemorragia pós-parto (HPP), o que faz da condição a principal causa de morte entre mulheres que deram a luz. Nas últimas décadas, o Brasil reduziu os óbitos em 56%, mas ainda não cumpriu o compromisso firmado com a Organização Mundial da Saúde (OMS) de chegar a 35 mortes maternas a cada 100 mil nascidos vivos. Em 2015, ano em que a meta deveria ter sido alcançada, foram registrados 62 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos. Em algumas regiões do país, os dados são alarmantes: chegam a 300 mortes de mães por 100 mil nascidos vivos.
A Organização Pan-Americana da Saúde, um braço da OMS, lançou dois novos guias no Brasil dentro da estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia. O primeiro é um manual de orientação para um curso em prevenção e manejo de HPP. Ele ensina como aplicar o treinamento, descrevendo a infraestrutura e os recursos necessários nas atividades teóricas e simulações práticas. O curso também ensina a usar o traje antichoque não pneumático (TAN), recurso que ajuda a controlar a hemorragia enquanto outros procedimentos são organizados. O segundo guia dá recomendações sobre como avaliar o risco de hemorragias antes do parto, reconhecer sangramentos que merecem atenção e os procedimentos que devem ser feitos.
Em outra linha de ação paralela aos esforços de treinamento das equipes de assistência, pesquisadores internacionais procuram novos tratamentos para conter a HPP. O The New England Journal of Medicine (NEJM), uma das publicações científicas mais prestigiadas do mundo, trouxe em sua edição desta semana um ensaio clínico que mostra os avanços e as dificuldades de inovar nos tratamentos de HPP.
O teste chamado pelo acrônimo Champion tentou resolver uma particularidade do uso da oxitocina, a substância padrão, recomendada pela OMS, em sangramentos pós-parto. Ela depende de refrigeração porque se torna menos estável e menos potente em temperaturas altas – o que pode ser um problema em regiões com pouca infraestrutura. Em um estudo patrocinado por uma das empresas farmacêuticas produtora de uma substância resistente ao calor, os pesquisadores concluíram que os resultados foram similares entre os dois grupos de mulheres estudados: as que receberam a droga resistente ao calor, a carbetocina, e aquelas que tomaram injeção de oxitocina após o parto.
No grupo da droga resistente ao calor, 14,5% das mulheres tiveram sangramento de pelo menos 500 ml ou precisaram de outros medicamentos para estimular a contração do útero. No grupo da oxitocina comum, esse número foi 14,4%. Não foi possível garantir a similaridade dos resultados entre as duas substâncias nas mulheres que tiveram sangramento de pelo menos 1.000 ml porque, na amostra de 30.000 gestantes incluídas na pesquisa, não houve tantos casos quanto seriam necessários para garantir as conclusões nesse espectro.
Em um artigo que acompanhou a publicação do estudo, Ian Roberts e Haleema Shakur-Still, dois pesquisadores da Unidade de Ensaios Clínicos da London School of Hygiene and Tropical Medicine, foram mais conservadores em sua interpretação dos resultados. Os pesquisadores afirmam que a carbetocina pode ser usada em circunstâncias em que o acesso à refrigeração é difícil ou escasso, mas que ainda são necessários mais estudos para garantir que o uso disseminado seja sustentável. “A eficácia e segurança da carbetocina para indução do trabalho de parto e hemorragia pós-parto ainda não são claros, e a oxitocina ainda é indicada para esses propósitos, até que mais dados estejam disponíveis”, escreveram.

Fonte: IBSP

Share.

About Author

Leave A Reply

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Clique nas capas abaixo para acessar o conteúdo digital das edições: