Enfermeiro tem papel fundamental na adoção de sangue

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Além do doador e, obviamente, do receptor, existe outra figura que tem papel fundamental na doação de sangue: o enfermeiro. Isso porque é dele a responsabilidade de acolher bem, informar, colher as informações, triar e até fazer a transfusão do sangue no paciente em questão. “O enfermeiro é muito importante e atua em quase todo o ciclo do sangue. Ele passa pela captação, entrevista, triagem clínica, coleta e transfusão. Esse profissional só não participa do processamento”, explica Régis Chimatti Martins, enfermeiro especialista em hemoterapia do Instituto Pró-Sangue.
Quando o assunto é segurança do paciente na doação e transfusão de sangue, existe um fator determinante e que diminui muito os riscos de eventos adversos que é a comunicação. O doador precisa estar disposto a dar a maior quantidade de informações detalhadas para que todo o trabalho não seja perdido no meio do processo.
“O enfermeiro precisa estar sempre atento. Além da informação que conseguimos obter na entrevista, precisamos estar atentos aos sinais que o doador nos dá. Às vezes, a pessoa não prestou muita atenção na hora de responder o questionário, ou estava ansioso. Nesses casos, o enfermeiro pode perceber e reforçar algumas informações que o doador se lembra na hora. Isso pode fazer toda a diferença”, afirma o profissional.
Existe ainda um processo de fluxo de retro vigilância, caso o doador se lembre de alguma informação importante depois da doação ou mesmo tenha alguma reação adversa. “A pessoa entra em contato com o instituto e é possível rastrear o hemocomponente doado em qualquer fase do processo”, completa Régis.
Outro fator que pesa a favor da boa comunicação com o doador de sangue é garantir um processo tranquilo para que ele possa voltar e doar mais vezes. “Costumo dizer que um doador bem orientado ajuda na captação e serve como multiplicador”, explica.
Transfusão
O costume de doar sangue ainda não é muito disseminado no Brasil, não faz parte da rotina da maioria das pessoas. Para mudar isso, seria necessária uma mudança na cultura das pessoas, que só se lembram da importância quando a necessidade está próxima. “A gente enfatiza muito a transfusão, é até uma coisa cultural, e as pessoas muitas vezes doam por causa de algum parente hospitalizado”, afirma Régis.
No entanto, existem pacientes que precisam de transfusões constantes e a maioria das pessoas nem imagina que há essa necessidade. “Por causa de algumas doenças, os pacientes recebem transfusões constantes, diariamente, se as pessoas tivessem mais informação sobre isso, acho que seria muito interessante”, opina o enfermeiro.
Especialização da enfermagem
Por conta da importância que tem em todo o processo, existem alguns conhecimentos desejáveis para enfermeiros que pretendem se especializar e hemoterapia. Como, por exemplo, o conhecimento das leis que regularizam a prática hemoterápica.
“Nessas leis têm todas as regras do ciclo. Os protocolos, normalmente, são baseados nessas leis nacionais e em outras internacionais”, explica Régis. São elas: Resolução do Cofen 306/2006 (que normatiza a atuação da enfermagem na hemoterapia), a Portaria do Ministério da Saúde 2712/2013 e a RDC da ANVISA 34/2014.
Outro pré-requisito desejável é a capacidade de se comunicar bem e transmitir informações. “É preciso ter um cuidado especial com o doador, geralmente para entrevistá-lo, abordá-lo da melhor maneira, às vezes tem diferença muito grande de escolaridade”, orienta o profissional.
Cabe ainda ao enfermeiro contribuir para desmistificar a doação de sangue.
Confira alguns dos principais (falsos) mitos que envolvem a prática:
Engrossa o sangue: Muitas pessoas acreditam que quem doa uma vez deve doar sempre, pois, do contrário, o sangue ficaria mais grosso;
Doenças: Outro temor que espanta muitos doadores é a falsa informação de que são grandes as chances de contrair alguma doença no processo;
Mal-estar: Muitas pessoas acreditam que é uma regra passar mal após a doação. No entanto, isso não acontece com a maioria.

fonte: IBSP

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