Cirurgia sem cateter urinário: novas recomendações para prevenir infecção.

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Estudo elenca operações em que a sonda para urina é desnecessária e pode aumentar risco de infecção nosocomial.
Um grupo de autores americanos revisou 45 artigos para chegar às melhores recomendações para o uso de cateteres urinários em cirurgias. A equipe liderada pela médica americana Jennifer Meddings, do Instituto de Inovação e Política de Saúde da Universidade de Michigan, orienta usar sondas apenas se necessário, em vez de regra, e a retirá-las o mais cedo possível.
Os cateteres urinários têm funções importantes: previnem incontinência de distensão da bexiga em pacientes anestesiados, além de proporcionar o controle de excreção de urina no pós-operatório. Porém, podem trazer riscos, principalmente de infecção. Um levantamento americano estima que 67% dos problemas urinários em pacientes hospitalizados estão relacionados ao dispositivo.
Outro estudo sugere que os pacientes que ficavam por mais de dois dias com cateteres urinários tinham duas vezes mais chances de desenvolver infecção urinária do que aqueles que ficavam menos de dois dias. O risco de morte em 30 dias também era maior, assim como a probabilidade de alta menor.
Falhas de higiene durante a colocação dos cateteres estão por trás das infecções. Uma pesquisa brasileira, da Universidade Federal de Goiás, mostrou que 75% dos profissionais não lavaram as mão antes de realizar o procedimento e que a limpeza da área de colocação do cateter só foi realizada por 62,5% dos profissionais. Além de reforçar o treinamento para cumprimento do protocolo, os autores do novo estudo destacam como essencial a promoção de atualização da equipe médica, por meio de campanhas educativas.
As infecções urinárias estão entre os principais tipos adquiridos durante a internação. Só perdem para pneumonias, infecções de sítio cirúrgico e gastrointestinais. Um levantamento americano estima que 67% dos problemas urinários em pacientes hospitalizados estão relacionados à presença de cateter. Com a preocupação de reduzir eventos adversos causados pelo cuidado, o uso desnecessário de cateteres está sob escrutínio. Uma análise realizada a partir de dados de mais de 700 hospitais nos Estados Unidos sugere que entre 30% e 40% dos pacientes internados fora de unidades de terapia intensiva (UTIs) receberam cateteres urinários sem necessidade clínica.
Os autores também avaliaram o melhor momento para fazer a retirada do cateter e, com raras exceções, o mais cedo possível é a resposta. Em resumo, as recomendações ecoam outras diretrizes, como as elaboradas pelo Centro de Controle de Doenças (CDC), a agência de vigilância epidemiológica dos EUA: não usar cateter urinário como regra em cirurgias, a não ser que seja realmente necessário; em caso de uso, retirá-lo, de preferência nas primeiras 24 horas.


Um método de análise semelhante já havia usado em 2015 por um grupo de pesquisadores também liderado pela médica americana Jennifer Meddings, do Instituto de Inovação e Política de Saúde da Universidade de Michigan, a mesma autora do estudo atual. Meddings coordenou a formulação de recomendações gerais sobre o uso de cateteres urinários em pacientes hospitalizados: usá-los para medir o volume de urina, quando não houver outros meios; para contornar incontinência em condições específicas (lesão por pressão estágio III, IV ou não-classificável); na UTI, apenas para pacientes com indicação clínica (apenas o fato de estar na UTI não é uma indicação) e dar para dar conforto a pacientes no final da vida.
Uma das principais causas do risco aumentado de infecção é a quebra de protocolos de higiene no momento da colocação do cateter. Após entrevistas e observação de 67 profissionais de enfermagem em seis hospitais de ensino de Goiânia, pesquisadores da Universidade Federal de Goiás relataram que, apesar de eles saberem na teoria os procedimentos corretos, a execução na prática não seguia à risca os protocolos.

Fonte: IBSP

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