Bactéria hospitalar se torna dez vezes mais resistentes a álcool

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Espécie de Enterococcus, bactéria causadora de infecções, mostrou-se tolerante a desinfetante para limpeza da mão.
Um dos gêneros de bactéria que mais tem causado preocupação em hospitais, o Enterococcus, já tem uma espécie que está dez vezes mais resistente a desinfetantes a base de álcool. A conclusão é de um estudo feito com a espécie Enterococcus faecium, conduzido por pesquisadores australianos e divulgado na publicação científica Science Translational Medicine.
Estima-se que cerca de 10% das infecções hospitalares no mundo são causadas pelo patógeno. Ele causa especial preocupação por já ter desenvolvido linhagens resistentes à vancomicina, um dos antibióticos de última geração, usado em infecções graves. No Brasil, levantamentos sugerem que espécies do gênero Enterococcus resistentes à vancomicina estão aumentando progressivamente. Uma análise realizada em um hospital universitário de São Paulo revelou que as amostras resistentes de Enterococcus spp passaram de 9,5%, em 2000, para 15,8,% em 2002. “O enterococo resistente à vancomicina é um patógeno de progressiva incidência, sendo importante sua identificação e controle principalmente pelas precauções de barreira e uso adequado de antimicrobianos”, escrevem os autores do estudo brasileiro.
É nesse contexto que a notícia da resistência de uma das espécies a álcool desinfetante causa alarme. Os pesquisadores da Universidade de Melbourne analisaram 139 amostras, coletadas em dois hospitais australianos entre 1997 e 2015. Eles fizeram dois tipos de testes. Primeiro submeteram amostras por cinco minutos ao álcool isopropanol em concentração de 23%. As amostras mais recentes eram mais tolerantes do que as mais antigas, um indício do desenvolvimento de resistência. As soluções alcoólicas usadas por profissionais de saúde costumam ter concentração de pelo menos 70% – por isso, a tolerância das amostras ao álcool menos concentrado pode parecer menos perigosa. Mas os pesquisadores fazem um alerta: a aplicação sobre a pele e superfícies nem sempre é a ideal. Há áreas talvez expostas à bactéria que recebem menos álcool do que precisam ou por tempo insuficiente para matá-la.
Para tirar a dúvida, um segundo tipo de teste foi feito. Os pesquisadores infectaram gaiolas de camundongos com variantes do Enterococcus faecium sensíveis e resistentes à vancomicina e depois as limparam com lenços umedecidos em isopropanol 70%. “Após quatro experimentos independentes, um número significativamente maior de camundongos foram colonizados pela variante tolerante a isopropanol do que pela variante sensível. ” Ou seja: as amostras que desenvolveram resistência ao álcool ainda podiam causar infecção. Análises genéticas mostraram que a variante resistente tinha mutações em genes relacionados à absorção de carboidratos e ao metabolismo.
A pesquisa reforça a necessidade de procedimentos adicionais para evitar que o Enterococcus se dissemine pelos hospitais. Os autores recomendam como medidas:
• Melhorar a à aderência aos protocolos de desinfecção com álcool, de modo a garantir o uso de quantidade e tempo de exposição adequados
• Reavaliar o uso de formulações com álcool, como gel ou espuma, que possam expor áreas à cobertura insuficiente do desinfetante

Fonte: IBSP

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