Uma análise sobre a atuação da Enfermagem no Brasil, por Sonia Acioli de Oliveira, presidente da ABEn Nacional

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Na semana em que se celebra o Dia Internacional do Enfermeiro, a presidente da ABEn Nacional Sonia Acioli de Oliveira faz um panorama sobre os avanços e involuções da Enfermagem brasileira, ressaltando também os principais aspectos na educação e na atuação profissional. Leia:

A partir das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de graduação, considero que a Enfermagem ganhou espaço significativo na perspectiva da formação profissional. Atualmente, a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) tem buscado qualificar critérios técnicos educacionais e sanitários relativos à abertura, reconhecimento e renovação de cursos para a área da saúde, a partir de debates coletivos.

Em relação às DCNs para Formação Profissional do Técnico de Enfermagem, há ainda um longo caminho a ser construído. No entanto, devemos estar atentos para que os princípios fundamentais sejam mantidos, com o objetivo de manter a qualidade da formação tanto no nível de graduação quanto no nível médio, assim como os processos de formação no lato e strictu sensu e a produção de conhecimentos e inovação tecnológica em Saúde e Enfermagem.

Houve crescimento no campo da pesquisa e produção de conhecimentos, com vasta quantidade de publicações em periódicos especializados. Entendo que áreas como a atuação na AFS (Atenção Primária à Saúde) foram valorizadas com a criação da ESF (Estratégia de Saúde da Família), sendo reafirmado o reconhecimento da atuação profissional da enfermagem junto às famílias, comunidades e territórios. Além disso, destaco e considero fundamental o andamento da formação política em diversos cursos, com a inclusão de disciplinas voltadas às Políticas de Saúde. 

No campo da atuação profissional, penso que temos avanços, incluindo a incorporação de diversas tecnologias leves e duras. A gestão do cuidado foi aperfeiçoada, assim como a incorporação do Processo de Enfermagem (PE) nos serviços de saúde – ainda que esta não tenha sido aplicada igualitariamente. No entanto, apesar dos esforços voltados à qualificação da formação em Enfermagem e ao fortalecimento da categoria profissional, ainda persistem problemas em relação à segurança profissional, à falta de um piso salarial justo e condições adequadas de trabalho e autonomia profissional.  

De modo geral, o acesso à educação evoluiu pouco, se analisarmos a parcela da população que não consegue chegar à formação técnica e, principalmente, ao nível universitário. Além disso, o crescimento desordenado de cursos no setor privado, sem a devida fiscalização, cria uma ampliação no acesso que nem sempre vem acompanhada de qualificação. Precisamos que a ampliação do acesso ocorra com qualidade e valorização da prática profissional.

Espero que possamos construir uma Enfermagem competente tecnicamente, com formação sólida em todos os níveis, que consiga trabalhar numa perspectiva interprofissional e que seja engajada politicamente. É essencial nos reafirmarmos como classe trabalhadora, nos organizando cada vez mais na luta pelos nossos direitos, pelo reconhecimento social e profissional. Para isso, é fundamental a nossa participação efetiva para o fortalecimento das entidades profissionais da enfermagem, tendo como referência suas missões específicas e o diálogo respeitoso entre as entidades de saúde e educação. 

Foto de chamada: Divulgação

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