A Comunicação Audiovisual como Estratégia de Sensibilização de Profissionais da Saúde
The Audiovisual Communication as a Strategy for Raising Awareness Among Healthcare Professionals
La Comunicación Audiovisual como Estrategia de Sensibilización de los Profesionales Sanitarios
Tipo de artigo: Revisão Integrativa
Autores
Ewelyne Louzada Santana
Mestre em enfermagem Universidade Federal Fluminense
Orcid: https://orcid.org/0009-0008-1658-7092
Grace Kelly Silva de Freitas
Mestre em enfermagem Universidade Federal de Juiz de Fora
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-7287-4896
Eduardo Picanço Cruz
Professor Titular do Departamento de Empreendedorismo e Gestão da Universidade Fluminense
Orcid: https://orcid.org/000000034484-3256
RESUMO
Objetivo: Analisar as evidências da literatura sobre o uso de vídeos educativos como estratégia de comunicação audiovisual na sensibilização e formação de profissionais da saúde. Método: Revisão integrativa conduzida segundo as diretrizes do PRISMA. As buscas foram realizadas nas bases SciELO, LILACS, PubMed, BVS e repositórios institucionais, incluindo estudos publicados entre 2019 e 2024. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, 17 estudos compuseram a amostra. Resultados: Emergiram cinco categorias: rigor metodológico na construção dos vídeos; sensibilização para mudança de atitudes profissionais; potencial multimodal da linguagem audiovisual; promoção da humanização e do acolhimento; e lacunas na literatura e necessidade de institucionalização. Conclusão: Os vídeos educativos configuram-se como estratégias relevantes para a formação em saúde, com potencial para qualificar práticas profissionais, desde que integrados a políticas institucionais e sustentados por evidências de impacto longitudinal.
DESCRITORES: Educação em Saúde; Comunicação Audiovisual; Profissionais de Saúde; Vídeos Educativos; Formação Profissional.
ABSTRACT
Objective: To analyze the evidence in the literature on the use of educational videos as an audiovisual communication strategy for the sensitization and training of health professionals. Method: An integrative review conducted according to PRISMA guidelines. Searches were carried out in the SciELO, LILACS, PubMed, VHL, and institutional repositories, including studies published between 2019 and 2024. After applying eligibility criteria, 17 studies comprised the final sample. Results: Five categories emerged: methodological rigor in video development; sensitization for changes in professional attitudes; multimodal potential of audiovisual language; promotion of humanization and welcoming practices; and gaps in the literature and the need for institutionalization. Conclusion: Educational videos are relevant strategies for health education, with the potential to improve professional practices, provided they are integrated into institutional policies and supported by evidence of longitudinal impact.
DESCRIPTORS: Health Education; Audiovisual Communication; Health Professionals; Educational Videos; Professional Training.
RESUMEN
Objetivo: Analizar las evidencias de la literatura sobre el uso de videos educativos como estrategia de comunicación audiovisual en la sensibilización y formación de profesionales de la salud. Método: Revisión integradora realizada de acuerdo con las directrices PRISMA. Las búsquedas se llevaron a cabo en las bases SciELO, LILACS, PubMed, BVS y en repositorios institucionales, incluyendo estudios publicados entre 2019 y 2024. Tras la aplicación de los criterios de elegibilidad, 17 estudios conformaron la muestra final. Resultados: Emergieron cinco categorías: rigor metodológico en la elaboración de los videos; sensibilización para el cambio de actitudes profesionales; potencial multimodal del lenguaje audiovisual; promoción de la humanización y del acogimiento; y lagunas en la literatura y necesidad de institucionalización. Conclusión: Los videos educativos se configuran como estrategias relevantes para la formación en salud, con potencial para cualificar las prácticas profesionales, siempre que se integren en políticas institucionales y estén respaldados por evidencias de impacto longitudinal.
DESCRIPTORES: Educación en Salud; Comunicación Audiovisual; Profesionales de la Salud; Videos Educativos; Formación Profesional.
INTRODUÇÃO
A comunicação em saúde constitui um processo complexo e relacional que ultrapassa a mera transmissão de informações, envolvendo dimensões éticas, culturais, emocionais e contextuais que influenciam comportamentos, vínculos terapêuticos e desfechos clínicos.1 Evidências indicam que a qualidade da comunicação entre profissionais de saúde e usuários está diretamente associada à adesão às orientações, à segurança do paciente e à efetividade das intervenções, configurando-se como uma competência essencial à prática clínica. Nesse sentido, a comunicação deve ser acessível, empática e culturalmente sensível, integrando aspectos técnicos e humanos do cuidado.2
No âmbito da formação e da educação em saúde, os recursos audiovisuais, especialmente os vídeos educativos, têm se destacado como estratégias potentes de ensino e sensibilização. Ao integrar imagem, som, narrativa e emoção, a linguagem audiovisual favorece processos de aprendizagem multimodal, amplia o engajamento cognitivo e emocional e potencializa a retenção do conhecimento. 3 Estudos apontam que esses recursos contribuem para o desenvolvimento de habilidades técnicas, a reflexão crítica e a promoção de atitudes mais humanizadas, além de ampliarem o acesso ao conhecimento e respeitarem diferentes estilos e ritmos de aprendizagem.4,5
Apesar do crescente uso de vídeos educativos em contextos formativos, persistem lacunas importantes na literatura quanto à compreensão de seus impactos na transformação das práticas profissionais e à sua integração sistemática às políticas de educação permanente em saúde. Em muitos contextos, tais recursos permanecem restritos a usos pontuais, dissociados de abordagens pedagógicas estruturadas e de uma reflexão ética mais aprofundada. 6
Diante desse cenário, esta revisão integrativa tem como objetivo reunir e analisar as evidências disponíveis sobre o uso de vídeos educativos como estratégia de comunicação, sensibilização e qualificação na formação e na prática de profissionais da saúde, buscando compreender seus efeitos relatados e seu potencial para a construção de práticas educativas mais dialógicas, tecnológicas e humanizadas.7
MÉTODO
Esta revisão integrativa foi conduzida conforme o referencial metodológico de Whittemore e Knafl e orientada pelas diretrizes do PRISMA 2020, assegurando transparência e reprodutibilidade. Adotou-se abordagem qualitativa, permitindo a inclusão de estudos com diferentes delineamentos. A pergunta norteadora foi estruturada a partir do modelo PICO adaptado, considerando como população profissionais de saúde, em formação ou em exercício; como intervenção o uso de vídeos educativos e recursos audiovisuais; sem grupo de comparação; e como desfechos os efeitos sobre a prática profissional, aprendizagem, empatia e humanização do cuidado.
As buscas foram realizadas nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, SciELO e LILACS, abrangendo publicações entre 2019 e 2025, por duas pesquisadoras de forma independente, utilizando descritores controlados e palavras-chave combinados pelos operadores booleanos AND e OR [("Health Personnel" OR "Health Professionals" OR "Healthcare Workers") AND ("Video" OR "Audiovisual Aids" OR "Educational Video") AND ("Health Communication" OR "Sensitization" OR "Empathy" OR "Humanization" OR "Education")]. Foram incluídos estudos em texto completo, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que utilizaram vídeos como principal estratégia educativa ou de sensibilização. A seleção ocorreu em duas etapas, seguindo o protocolo PRISMA culminando nos artigos elencados na Figura 1.
Figura 1. Artigos incluídos na revisão integrativa
Nº | Título | Ano |
1 | Construção e validação de vídeo educativo para adesão às precauções padrão por profissionais de enfermagem. (8) | 2019 |
2 | Segurança do paciente e produção de vídeo para disseminação de conhecimentos para profissionais de saúde. (9) | 2023 |
3 | Construção e validação de vídeo educativo para prevenção do erro de imunização. (10) | 2023 |
4 | Videocase sobre a Lista de Verificação do Parto Seguro: sensibilização dos profissionais da saúde. (11) | 2019 |
5 | Validação de vídeos educativos sobre manejo da dor e prevenção da adição por opioides. (12) | 2020) |
6 | Humanização do acolhimento aos pacientes: sensibilização aos profissionais de saúde. (13) | 2019 |
7 | Tecnologias educacionais como ferramenta para sensibilização e eficácia nas práticas em pediatria. (14) | 2024 |
8 | Construção e validação de vídeo educativo para adesão às precauções-padrão por profissionais de enfermagem. (15) | 2020 |
9 | Lactation physiology video clip: health professionals` assessment in hospital care. (16) | 2024 |
10 | Tecnologia educativa em saúde para sensibilização dos profissionais sobre lista de verificação do parto seguro. (17) | 2019 |
11 | Produção e validação de vídeo educativo para o incentivo ao aleitamento materno. (18) | 2022 |
12 | Video Clip For Learning The Physiology Of Lactation: Evaluation By The Family Support Network For Breastfeeding Women. (19) | 2023 |
13 | Desenvolvimento e avaliação de vídeo educativo para família sobre alívio da dor aguda do bebê. (20) | 2021 |
14 | Construção e validação de conteúdo para vídeos educativos ancorado na mudança de comportamento para pessoas com diabetes. (22) | 2024 |
15 | Elaboração e validação de vídeo educativo sobre a utilização da Técnica em Z. (23) | 2022 |
16 | Metodologias utilizadas pelos profissionais de enfermagem na produção de vídeos educativos: revisão integrativa. (24) | 2023 |
17 | Elaboração E Validação De Vídeo Educativo Para Prevenção De Queda Em Criança Hospitalizada. (25) | 2021 |
Fonte: Desenvolvimento próprio
RESULTADOS
Os resultados, provenientes da análise de 17 estudos, foram organizados segundo a análise de conteúdo de Bardin, contemplando as etapas de pré-análise, exploração do material e tratamento dos achados. A leitura integral dos estudos permitiu a identificação de unidades de registro relacionadas ao uso de vídeos educativos na sensibilização e formação profissional, como validação de conteúdo, empatia, linguagem acessível e aplicação pedagógica. O processo culminou na consolidação de cinco eixos temáticos: rigor metodológico na construção dos vídeos; sensibilização para mudança de atitudes profissionais; potencial multimodal da linguagem audiovisual no ensino-aprendizagem; promoção da humanização e do acolhimento no cuidado; e lacunas na literatura associadas à necessidade de consolidação institucional do uso de vídeos educativos em saúde.
DISCUSSÃO
A literatura aponta o rigor metodológico como elemento central na produção de vídeos educativos em saúde, frequentemente associado à legitimidade científica dessas tecnologias. Estudos destacam que processos sistematizados de construção e validação são fundamentais para assegurar qualidade técnica e pedagógica.8,9 Contudo, há divergências quanto à finalidade desse rigor. Enquanto alguns autores o compreendem como critério de cientificidade, outros o entendem como meio para ampliar a adesão dos profissionais e o impacto das ações educativas. Essa distinção revela uma tensão relevante: a ênfase excessiva na validação formal não garante, por si só, a apropriação do conhecimento nem a transformação das práticas profissionais.10
Evidências indicam que, mesmo com conteúdos cientificamente validados, persistem desafios relacionados à sensibilização, motivação e incorporação do aprendizado no cotidiano do trabalho. Nesse sentido, críticas recentes problematizam modelos excessivamente prescritivos, sugerindo que o foco exclusivo no rigor pode limitar dimensões essenciais da aprendizagem, como a subjetividade, o contexto sociocultural e o engajamento afetivo.11,12 Assim, embora o rigor metodológico seja condição necessária, sua efetividade depende da articulação com criatividade, sensibilidade cultural e capacidade dialógica, aspectos fundamentais para que os vídeos educativos cumpram seu potencial transformador na formação e prática em saúde.13,14,15
A literatura indica que os vídeos educativos em saúde exercem função pedagógica que vai além da transmissão de informações, atuando como mediadores ativos do conhecimento e da sensibilização ética dos profissionais. Estudos evidenciam seu potencial para promover engajamento, humanização e reflexão sobre práticas seguras. Contudo, persiste a crítica de que muitos vídeos ainda se apoiam em modelos pedagógicos unidirecionais, que pressupõem sujeitos passivos e limitam a efetividade formativa.16 Evidências apontam que a aprendizagem se fortalece quando o audiovisual dialoga com experiências prévias e situações reais do cotidiano profissional, favorecendo a aprendizagem situada e significativa. Nesse sentido, vídeos ancorados em dilemas práticos demonstram maior impacto pedagógico. Apesar do consenso quanto ao valor educativo desses recursos, permanece a lacuna sobre como transformá-los em dispositivos de problematização, integrados a metodologias ativas. A literatura sinaliza a necessidade de superar abordagens pedagogicamente conservadoras, articulando o audiovisual a estratégias que estimulem reflexão crítica e participação ativa dos sujeitos.17,18,19
A literatura evidencia que a linguagem audiovisual é elemento estratégico na eficácia dos vídeos educativos, pois media a tradução de conteúdos técnicos em narrativas compreensíveis e mobilizadoras. Estudos indicam que formatos narrativos aliados a recursos visuais claros favorecem a apropriação do conhecimento, especialmente quando articulam acessibilidade e precisão científica. 20,21 Contudo, emerge uma tensão recorrente entre clareza e rigor: o excesso de tecnicismo pode comprometer a recepção da mensagem, enquanto a simplificação excessiva pode reduzir a densidade conceitual e gerar interpretações equivocadas. Essa tensão evidencia o papel central da estética e da narrativa como dimensões pedagógicas, nas quais escolhas de enquadramento, ritmo e sonorização influenciam diretamente a assimilação dos conteúdos.22,23 Assim, a linguagem audiovisual deve ser compreendida como componente constitutivo da pedagogia do vídeo, demandando ancoragem em teorias de mudança de comportamento e atenção aos efeitos produzidos pela forma como a comunicação é construída.24
A literatura indica que, embora o rigor metodológico assegure validade científica e a linguagem audiovisual promova clareza comunicativa, é a dimensão da humanização que confere aos vídeos educativos seu potencial transformador. Estudos evidenciam que a sensibilização profissional depende da mobilização de afetos e do engajamento ético com o cuidado, indo além da transmissão de informações.25,26 Contudo, a humanização ainda ocupa posição marginal em parte da produção científica, frequentemente tratada como elemento acessório e não como eixo estruturante. Alguns trabalhos avançam ao integrar empatia e proximidade com a experiência dos usuários, mas persistem desafios quanto à sistematização da humanização como critério avaliativo. Observa-se, assim, uma tensão entre abordagens que reconhecem a humanização como dimensão pedagógica central e aquelas que a subordinam ao rigor técnico. A ausência de indicadores claros limita a avaliação do impacto dos vídeos na prática profissional, indicando a necessidade de reconhecer o audiovisual como espaço de mediação ética e pedagógica, capaz de influenciar de forma intencional e sustentável as práticas de cuidado.27,28
A inovação constitui-se como eixo transversal que perpassa todos os estudos analisados, embora com diferentes interpretações. A inovação reside na própria adoção de tecnologias educacionais em saúde, capazes de ampliar a eficácia das práticas pedagógicas 29 Enquanto outros estudos efendem que a verdadeira inovação ocorre quando a produção de vídeos é ancorada em teorias de mudança de comportamento, deslocando o foco da transmissão de informações para a transformação efetiva de atitudes.30
Outro elemento a essa discussão: a inovação também se expressa na capacidade de adaptar os vídeos a públicos específicos (crianças hospitalizadas, profissionais de imunização), o que implica construir recursos personalizados, contextuais e dinâmicos. Tal perspectiva se aproxima uma revisão integrativa, onde os autores problematizam o predomínio de modelos padronizados e defendem maior abertura a metodologias híbridas, criativas e interativas.28
Todavia, a inovação não deve ser romantizada. A mera adoção de recursos audiovisuais não garante impacto na prática, sendo necessário que tais tecnologias estejam inseridas em estratégias mais amplas de educação permanente e gestão da qualidade em saúde. Em outras palavras, o vídeo, por si só, não é inovação: ele precisa estar articulado a políticas, práticas e contextos que assegurem sua aplicabilidade.29
Dessa forma, a literatura evidencia um duplo movimento na produção de vídeos educativos: por um lado, a busca por inovação estética, pedagógica e tecnológica tem se intensificado, explorando recursos multimodais, narrativas criativas e abordagens interativas que potencializam a aprendizagem; por outro, há o risco de que o discurso de inovação se dissocie da realidade concreta da prática em saúde, tornando-se mais um apelo retórico do que uma estratégia efetiva de transformação.27-30 A inovação, portanto, não se limita à adoção de tecnologias ou recursos sofisticados, mas deve estar intrinsecamente articulada aos contextos, rotinas e demandas dos profissionais, de modo a assegurar relevância prática e engajamento genuíno.
CONCLUSÃO
Este estudo analisou as evidências da literatura sobre o uso de vídeos educativos como estratégia de comunicação e sensibilização na formação e prática de profissionais da saúde, evidenciando que o recurso audiovisual tem sido mobilizado para além de sua função informativa, assumindo dimensões formativas, afetivas e éticas. Os achados indicam que vídeos planejados com rigor metodológico e orientados por abordagens centradas na pessoa favorecem aprendizagens significativas, estimulam a empatia e promovem reflexões sobre o cuidado centrado no paciente, ao integrar elementos visuais, narrativos e emocionais.
Apesar desses avanços, a literatura ainda apresenta lacunas relevantes, especialmente quanto à avaliação dos impactos de longo prazo dos vídeos educativos na prática profissional e à sua incorporação sistemática em políticas institucionais de educação permanente. A predominância de estudos voltados à produção e validação técnica limita a compreensão de seu potencial transformador nos contextos reais de cuidado.
Nesse sentido, recomenda-se que futuras pesquisas avancem para análises mais abrangentes, explorando o papel dos vídeos na cultura organizacional dos serviços de saúde e ampliando a diversidade temática abordada. Quando concebidos com rigor científico e sensibilidade humana, os vídeos educativos ultrapassam o papel de ferramentas didáticas e se configuram como dispositivos de mediação ética e pedagógica, capazes de contribuir para práticas mais humanas, reflexivas e sustentáveis no cuidado em saúde.
REFERÊNCIAS
AGRADECIMENTOS, APOIO FINANCEIRO OU TÉCNICO, DECLARAÇÃO DE CONFLITO DE INTERESSE FINANCEIRO E/OU DE AFILIAÇÕES:
Financiamento próprio. Os autores declaram não haver conflitos de interesses.
Eweline Louzada (autora correspondente)
ewesantana@hotmail.com
José Lourenço Kelmer, s/n – São Pedro · Juiz de Fora
3298814-5107
Grace Kelly Silva de Freitas
enfgracekelly@outlook.com
José Lourenço Kelmer, s/n – São Pedro · Juiz de Fora
3298848-2625
Eduardo Picanço Cruz
Rua Miguel de Frias, Niterói
21998053513