IMPACTOS DA POLIFARMÁCIA NA QUALIDADE DE VIDA DE PESSOAS IDOSAS: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
IMPACTS OF POLYPHARMACY ON THE QUALITY OF LIFE OF OLDER ADULTS: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW
IMPACTOS DE LA POLIFARMACIA EN LA CALIDAD DE VIDA DE PERSONAS MAYORES: REVISIÓN INTEGRATIVA DE LA LITERATURA
Tipo de artigo: Artigo de Revisão
RESUMO
Objetivo: Analisar o que tem sido publicado cientificamente sobre interferências do uso da polifarmácia na qualidade de vida de pessoas idosas que convivem na comunidade. Método: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, cujas bases de dados utilizadas foram: Lilacs, Medline, Bdenf, Ibecs, Scielo e Pubmed. A coleta foi realizada em março a abril de 2024. A análise dos dados foi feita por meio de estatística descritiva e análise de Conteúdo de Bardin. Resultados: Foram encontrados 7 artigos que evidenciaram a diminuição da qualidade de vida em idosos em uso de polifarmácia, potencializado pela falta de acompanhamento adequado. A comunicação entre profissionais de saúde e paciente é fundamental para minimizar os riscos da polifarmácia. Conclusão: Recomenda-se a implementação de estratégia de gestão medicamentosa e abordagem multidisciplinar no cuidado às pessoas idosa, visando melhorar a comunicação, a adesão ao tratamento e promover a qualidade de vida.
DESCRITORES: Idoso; Polifarmácia; Qualidade de vida; Enfermagem.
INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, tem-se evidenciado, em escala global, transformações significativas nos indicadores sociodemográficos, caracterizadas por uma expressiva queda nas taxas de fecundidade, natalidade e mortalidade, concomitante ao aumento progressivo da expectativa de vida1. Tal dinâmica demográfica tem repercutido diretamente na ampliação da proporção de pessoas idosas na população mundial, configurando um processo de transição demográfica e epidemiológica com profundas implicações para os sistemas de saúde e para as políticas públicas de cuidado.
De acordo com projeções da Organização das Nações Unidas, a população mundial com 65 anos ou mais deverá duplicar nas próximas décadas, passando de 761 milhões em 2021 para aproximadamente 1,6 bilhão até o ano de 2050, configurando um cenário de envelhecimento populacional sem precedentes na história contemporânea1. No contexto brasileiro, as estimativas indicam que, em 2025, o país ocupará a sexta posição entre as nações com maior contingente populacional idoso, superando a cifra de 30,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que representa um incremento aproximado de 18% em relação aos dados de 20172,3.
Este panorama demográfico impõe desafios complexos à formulação de políticas públicas e ao reordenamento das práticas assistenciais, demandando respostas interdisciplinares que integrem ações de promoção, prevenção, reabilitação e cuidado longitudinal, com ênfase na autonomia, funcionalidade e qualidade de vida da pessoa idosa.
Esse fenômeno é resultado de avanços na medicina, tecnologia e do maior acesso à saúde. No entanto, a rápida expansão do grupo de pessoas com mais de 60 anos acarretou mudanças epidemiológicas, ampliando a incidência e prevalência das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), principais causas de morbidade e mortalidade no Brasil, o que exige assistência medicamentosa e supervisão contínua4.
As doenças crônicas relacionadas ao envelhecimento requerem o uso de múltiplas drogas, condição conhecida como polifarmácia. A literatura apresenta múltiplas definições para o termo polifarmácia, que pode ser compreendido tanto como uma contagem numérica simples de medicamentos utilizados quanto associada à duração do tratamento ou à adequação à condição clínica do paciente. O critério mais comumente adotado em estudos científicos é o uso simultâneo de cinco ou mais fármacos5,6.
Essa condição representa um problema de saúde pública a nível global, em decorrência dos prejuízos que a interação medicamentosa pode causar ao organismo senil, como o aumento da probabilidade de ocorrência de reações adversas ao medicamento (RAM) e interações medicamentosas (IM), resultando em sintomas como: letargia, redução dos reflexos, hipotensão postural, vertigens, declínio cognitivo e depressão7-8. Diante desses riscos, torna-se relevante o estudo das implicações da polifarmácia na qualidade de vida da população idosa.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) conceitua qualidade de vida como a “percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais está inserido, e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”9. Essa definição enfatiza a natureza subjetiva, multidimensional e dinâmica do constructo, o qual é determinado por múltiplos domínios interdependentes, incluindo fatores físicos, psicológicos, sociais, espirituais e ambientais. Assim, a qualidade de vida transcende a simples ausência de enfermidades, abarcando o bem-estar emocional, a autonomia funcional, a rede de suporte social e as condições materiais e simbólicas do ambiente em que o indivíduo está inserido.
Nesse escopo, destaca-se a centralidade da Enfermagem no desenvolvimento de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde da população idosa, com vistas à preservação da funcionalidade e da autonomia ao longo do processo de envelhecimento. A prática profissional do enfermeiro, fundamentada em princípios éticos, científicos e humanísticos, deve visar não apenas o prolongamento da vida, mas a extensão dos anos vividos com qualidade, minimizando as limitações funcionais e favorecendo a capacidade adaptativa frente às alterações biopsicossociais do envelhecimento. Tais estratégias demandam intervenções planejadas e contextualizadas que incorporem abordagens interdisciplinares e centradas na pessoa, promovendo uma atenção integral e continuada à saúde do idoso10.
Exposto isto, o objetivo deste artigo foi analisar o que tem sido publicado cientificamente sobre interferências do uso da polifarmácia na qualidade de vida de pessoas idosas que convivem na comunidade.
MÉTODO
Trata-se de uma pesquisa de revisão integrativa da literatura seguindo as recomendações de redação e publicação do Preferred Reporting Items For Systematic Reviews And Meta-Analyses Extension For Scoping Reviews (PRISMA-ScR), com a finalidade de agregar e resumir os resultados de outras pesquisas com o tema do uso da polifarmácia e a interferência na qualidade de vida de pessoas idosas e, assim, auxiliar no aprofundamento do conhecimento acerca do conteúdo investigado. A revisão integrativa é um tipo de pesquisa no qual é realizada a análise de estudos pertinentes e relevantes associados ao tema escolhido, dando suporte para a construção de uma síntese do estado do conhecimento desse assunto, permitindo a identificação de possíveis lacunas11.
Foram realizadas as seguintes etapas do método científico: elaboração da pergunta norteadora através da estratégia PICo (P= população; I= interesse; Co= contexto), escolha prévia das bases de dados e dos critérios de inclusão e exclusão, coleta e processamento dos dados, leitura dos artigos encontrados, tabulação dos dados e análise crítica e discussão dos estudos selecionados. Sendo assim, esta revisão teve como questão de pesquisa: como a prática da polifarmácia pode interferir na qualidade de vida de pessoas idosas que convivem na comunidade?
Os critérios de inclusão previamente estabelecidos foram: trabalhos publicados e disponíveis na íntegra, em português, inglês e espanhol, que atenderam a finalidade do estudo e sem delimitação temporal. Os critérios de exclusão foram as publicações que retratassem a realidade de pessoas idosas que vivem em ambientes hospitalares, resumos, arquivos incompletos e literatura cinzenta como teses e dissertações e os trabalhos em outros idiomas para impossibilitar falhas de tradução e de interpretação.
A seleção dos materiais aconteceu em março a abril de 2024 e foram escolhidos como banco de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs) via Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Medical Literature Analysis and Retrieval System online (MEDLINE) via BVS, Banco de Dados em Enfermagem (BDENF) via Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME), IBECS via BVS, Brazil Scientific Electronic Library Online (Scielo) e Pubmed. Foram utilizados os termos controlados dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH) e termos não controlados na estratégia de busca, que está disposta no quadro 1. A combinação dos termos de busca foi realizada com auxílio dos Operadores Booleanos “AND” e “OR”.
Quadro 1 –Estratégia de busca completa. Ilhéus-BA, Brasil, 2024.
FONTE | ESTRATÉGIA DE BUSCA |
PUBMED | ("polypharmacy"[MeSH Terms] OR polypharmacy[Text Word]) AND ("AGED" OR Elderly OR "Health Services for the Aged") AND ("Quality of Life" OR "Life Quality") AND ("Nursing") |
SCIELO | ((polimedicação) OR (polifarmacia) OR (polifarmácia) OR (Combinação de Medicamentos) OR (Combinações de Medicamentos) OR (Combinação de Medicamentos)) AND ((IDOSO) OR (AGED) OR (ANCIANO) OR (Saúde do Idoso) OR (Saúde do Idoso) OR (Salud del Anciano)) AND ((Qualidade de Vida) OR (Qualidade de Vida Relacionada à Saúde) OR (QVRS) OR (Quality of Life) OR (Calidad de Vida) OR (Indicadores de Qualidade de Vida) OR (Indicators of Quality of Life) OR (Indicadores de Calidad de Vida)) |
Lilacs, MEDLINE, BIREME, IBECS via BVS | (((((polimedicação) OR (polifarmacia) OR (polypharmacy)) OR (combinação de medicamentos) OR (drug combinations) OR (combinación de medicamentos)) AND ((idoso) OR (aged) OR (anciano) OR (saúde do idoso) OR (health of the elderly) OR (salud del anciano))) AND ((qualidade de vida) OR (qualidade de vida relacionada à saúde) OR (qvrs) OR (quality of life) OR (calidad de vida) OR (indicadores de qualidade de vida) OR (indicators of quality of life) OR (indicadores de calidad de vida))) AND ((enfermagem) OR (nursing) OR (enfermeria) OR (cuidados de enfermagem) OR (assistência de enfermagem) OR (nursing care) OR (atención de enfermería) OR (enfermeiras e enfermeiros) OR (nurses) OR (enfermeras y enfermeros) OR (papel do profissional de enfermagem) OR (nurse's role) OR (rol de la enfermera)) AND ( db:("MEDLINE" OR "BDENF" OR "LILACS" OR "IBECS") AND la:("en" OR "es" OR "pt")) |
Fonte: Elaboração própria (2024)
A seguir, as produções encontradas nos bancos de dados foram importadas para o gerenciador End Note para detecção de possíveis duplicatas e, após o tratamento, as referências foram migradas para o software on-line Rayyan QCRI16. Após o processamento do programa, os autores realizaram a leitura dos títulos e resumos e procederam a avaliação duplo-cega. Os artigos escolhidos consensualmente pelos autores, após a aplicabilidade dos critérios de inclusão e exclusão, foram lidos na íntegra. Quando não houve um consenso, um terceiro avaliador realizou a leitura e respondeu ao critério de desempate.
Após a escolha final dos artigos, foram extraídos os dados sobre as características dos estudos (título, autores, local do estudo, ano de publicação e principais resultados). As informações obtidas foram categorizadas em uma planilha do software Microsoft® 365 Excel (versão 2022) e a análise dos resultados foi realizada de forma quantitativa e qualitativa.
Em relação aos dados qualitativos, foi utilizada a Análise de Conteúdo de Bardin12, que é uma técnica de pesquisa que visa analisar e interpretar conteúdos comunicacionais, seja de textos, imagens, discursos ou outros tipos de material, com o objetivo de extrair significados e categorizar as informações, envolvendo uma abordagem sistemática dividida em três etapas principais: pré -análise, exploração e tratamento do material.
A pré-análise é o momento da organização do material sobre o qual o pesquisador irá sintetizar as ideias preliminares, se constitui de quatro momentos: leitura flutuante, escolha dos documentos, formulação ou reformulação dos objetivos e hipóteses e formulação dos indicadores que subsidiarão a preparação para exploração do material12. Já a exploração do material consiste em segmentar o conteúdo em unidades de registro e aplicar as categorias previamente definidas. O pesquisador analisa mais profundamente as partes do texto, destacando as passagens relevantes e agrupando-as em categorias ou temas. Como última etapa, o pesquisador deve proceder ao tratamento dos resultados, no qual após a organização do material é feita a interpretação de dados, procurando identificar padrões, regularidades ou tendências que emergem a partir da análise das categorias12.
Este estudo atende aos aspectos éticos e legais, pois cita todos os autores mediante ao uso de suas respectivas publicações, conforme preconiza a lei que regulamenta os direitos autorais13.
RESULTADOS
Um total de 355 estudos foram encontrados nas bases de dados; 11 artigos foram removidos por estarem duplicados, restando 344 para a leitura de título e resumo. Após a abordagem inicial, 22 artigos foram selecionados para a leitura do texto completo e, após a análise crítica, sete artigos foram incluídos na revisão. Todo o processo de seleção foi seguido de acordo com as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta Analyses14 conforme demonstra a imagem abaixo (FIGURA 1).
FIGURA 1: Protocolo Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta Analyses (PRISMA).
Fonte: Elaboração própria (2024)
Foram incluídos neste estudo, um total de 7 produções. Estes foram na sua maioria publicações produzidas no Brasil nos seguintes estados: São Paulo (n=3), Ceará (n=1), Rio Grande do Sul (n=1), Rio de Janeiro (n=1). Uma pesquisa foi realizada na Austrália. Foram publicados nas seguintes bases de dados: PUBMED (n=1), SCIELO (n=3), LILACS (n=2) e BDENF (n=1), realizados na sua maioria por enfermeiras(os). Esses artigos foram publicados entre os anos: 2007 a 2021, nos seguintes periódicos: Revista Envelhecimento com Drogas (n=1), Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia (n=2), Revista Brasileira de Epidemiologia (n=1), Revista de Enfermagem UFPE On Line (n=1), Revista o Mundo da Saúde (n=1), Revista Kairos Gerontologia (n=1). O método de pesquisa mais utilizado foi o quantitativo (n=6) seguido pela revisão integrativa de literatura (n=1). Essas informações estão descritas no quadro 2.
QUADRO 2. Caracterização dos artigos de acordo com o nome dos autores, ano de publicação, base de dados disponível, local de publicação e método de pesquisa utilizado.
N° | Referência/ Ano | Base | Local | Método |
1 | Harrison et al., 201815 | PubMed | Austrália | Quantitativo |
2 | Bueno et al., 201216 | Scielo | Rio Grande do Sul (Brasil) | Quantitativo |
3 | Lopes et al., 200717 | Scielo | São Paulo (Brasil) | Quantitativo |
4 | Pereira et al., 202118 | Lilacs | São Paulo (Brasil) | Quantitativo |
5 | Carlomanho; Dantas; Soares, 20198 | Lilacs | São Paulo (Brasil) | Quantitativo |
6 | Santana et al., 20197 | BDENF | Rio de Janeiro (Brasil) | Revisão Integrativa |
7 | Silva et al., 201219 | Scielo | Ceará (Brasil) | Quantitativo |
Fonte: elaborado pelas autoras (2024).
Em relação a análise de conteúdo dos resultados extraídos dos artigos, após a pré-análise dos textos, exploração do material e tratamento dos resultados encontrados, emergiram três categorias de análise: Perfil da pessoa idosa que está exposta ao uso da polifarmácia e fatores relacionados à diminuição da sua qualidade de vida (n=5)7;8;15;16;21; Instrumentos utilizados nas pesquisas para a avaliação da qualidade de vida em idosos em uso de polifarmácia (n=4)8;15;17;18 e Atendimento multiprofissional como pilar para a prevenção da polifarmácia e promoção da qualidade de vida em idosos (n=2)7;16.
DISCUSSÃO
A análise dos estudos evidenciou que a polifarmácia é prevalente entre a população idosa, representando um fenômeno multifacetado, com implicações diretas na qualidade de vida, autonomia funcional e cognição. Os dados apontam que o uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos está associado a uma maior incidência de quedas, hospitalizações, eventos adversos e perda de autonomia, especialmente em idosos com comprometimento funcional ou comorbidades múltiplas. Tais achados corroboram evidências já descritas na literatura internacional, como observado em estudos realizados na Austrália, que demonstram a relevância de estratégias de gestão medicamentosa no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS).
É importante destacar que, embora os estudos apresentem resultados consistentes, a maioria deles adota delineamentos transversais, o que limita a inferência de causalidade. Ademais, parte das pesquisas analisadas apresenta número amostral reduzido e depende de autorrelatos dos participantes, o que pode introduzir viés de memória e limitar a validade interna. Ainda assim, os dados revelam uma tendência preocupante: o uso irracional de medicamentos em idosos está frequentemente relacionado à fragmentação do cuidado e à ausência de um plano terapêutico integrado e centrado na pessoa.
Essa condição farmacoterapêutica, especialmente quando associada ao uso de medicamentos potencialmente inapropriados (MPIs), revela um cenário preocupante de vulnerabilidade clínica, funcional e psicossocial. Na primeira categoria, observou-se que a maior parte dos idosos usuários de MPIs é composta por mulheres, com idade superior a 75 anos, baixa escolaridade e múltiplas doenças crônicas, especialmente de natureza cardiovascular. Esse perfil exige intervenções específicas de educação em saúde, com linguagem acessível e estratégias de apoio à adesão terapêutica. Estudos recentes enfatizam a importância da alfabetização em saúde como determinante da capacidade de gestão do regime medicamentoso, tanto pelo idoso quanto por seus cuidadores7;8;15;16;21.
Em investigação realizada na Austrália, observou-se uma média de 10 medicamentos por indivíduo, sendo frequente o uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (por mais de oito semanas), benzodiazepínicos e antipsicóticos – fármacos comumente reconhecidos como MPIs15. No Brasil, dados obtidos em um estudo realizado com idosos assistidos por um Programa de Atenção ao Idoso (PAI), no estado do Rio Grande do Sul, demonstraram que 15 dos 16 participantes faziam uso de polifarmácia, com média de 7,3 medicamentos por indivíduo, chegando a um máximo de 14. Destaca-se o uso predominante de fármacos direcionados ao sistema nervoso central e ao sistema cardiovascular, como Diazepam e fluoxetina16,20.
Os grupos terapêuticos mais frequentemente utilizados foram os relacionados ao sistema cardiovascular, trato gastrointestinal e sistema nervoso. Destacaram-se entre os medicamentos mais prescritos: captopril, hidroclorotiazida, glibenclamida e propranolol. Os benzodiazepínicos de meia-vida longa, antidepressivos tricíclicos e glicosídeos cardiotônicos figuraram entre os MPIs mais prevalentes8;15;17;20.
A prática indiscriminada da polifarmácia, dificuldade de acesso a medicamentos adequados e mais caros e a prescrição descontextualizada intensificam o impacto negativo sobre a qualidade de vida, promove um estado de fragilidade clínica nos idosos, tornando-os mais suscetíveis a quedas, interações medicamentosas, hospitalizações evitáveis e comprometimento psicossocial19.
O uso de fármacos inapropriados contribui para o desenvolvimento de agravos como constipação, imobilidade, confusão mental, insônia, depressão e risco aumentado de fraturas, evidenciando a necessidade de revisão criteriosa das condutas terapêuticas e da implementação de protocolos de avaliação farmacológica no cuidado à pessoa idosa19,20. Ressalta-se que muitos desses medicamentos são ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que demanda esforços interinstitucionais e interprofissionais para garantir a prescrição racional e segura na atenção à saúde do idoso.
No que tange a categoria “Instrumentos utilizados nas pesquisas para a avaliação da qualidade de vida em idosos em uso de polifarmácia”, estudos trazem que a mensuração da qualidade de vida (QV) em idosos expostos à polifarmácia tem sido realizada por meio de distintas ferramentas, majoritariamente de natureza quantitativa e multidimensional. A literatura analisada evidencia a ausência de padronização no uso de um único instrumento, observando-se, ao contrário, a aplicação de diferentes escalas com enfoques complementares.
Os estudos analisaram diferentes instrumentos de avaliação da saúde, funcionalidade e qualidade de vida em idosos, com destaque para os impactos da polifarmácia. Harrison et al.15 utilizaram o EQ-5D e encontraram comprometimento nos domínios de saúde autorreferida, especialmente em dor/desconforto e ansiedade/depressão. Lopes et al.17 aplicaram a Medida de Independência Funcional (MIF) e identificaram que maior número de medicamentos e comorbidades está associado à menor autonomia cognitiva e funcional, sobretudo entre idosos acamados. Pereira et al.18 usaram o WHOQOL-Bref e observaram que a qualidade de vida foi mais bem percebida nos domínios social, físico e ambiental, sendo positivamente influenciada pela autopercepção de saúde. Já Carlomanho et al.8 recorreram ao Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) e evidenciaram que a polifarmácia está relacionada ao declínio cognitivo, principalmente em idosos institucionalizados e com baixa escolaridade. Também foi associada a depressão, alterações motoras e risco de quedas.
Dessa forma, os instrumentos analisados revelam não apenas os impactos objetivos da polifarmácia sobre a saúde do idoso, mas também suas repercussões subjetivas, evidenciando a necessidade de abordagens interdisciplinares para o manejo clínico e psicossocial dessa população.
Já em relação a categoria “Atendimento multiprofissional como pilar para a prevenção da polifarmárcia e promoção da qualidade de vida em idosos“, a polifarmácia em idosos configura-se como um fenômeno complexo que demanda respostas integradas de equipes multiprofissionais, sobretudo no âmbito da APS, com ênfase na interdisciplinaridade e na integralidade do cuidado.
Neste contexto, destaca-se o papel articulador do prescritor e do farmacêutico clínico na identificação de interações medicamentosas e na revisão sistemática da terapêutica medicamentosa16. Tais profissionais devem atuar em conjunto com a equipe de enfermagem, em um modelo colaborativo de cuidado centrado no idoso. A comunicação interprofissional eficaz é essencial para a segurança do paciente e para a construção de planos terapêuticos individualizados, baseados em critérios de prescrição, monitoramento de efeitos adversos e uso racional de medicamentos.
A enfermagem, por sua vez, assume protagonismo na promoção do uso seguro de medicamentos, com atuação que perpassa o aprazamento correto, a avaliação da adesão terapêutica, a detecção precoce de sinais de toxicidade e a orientação educativa ao idoso e seus cuidadores. A atuação do enfermeiro abrange também a prevenção do uso de fitoterápicos e medicamentos sem prescrição, cuja combinação com fármacos convencionais pode potencializar efeitos deletérios7,19.
Além disso, o conhecimento técnico do enfermeiro sobre farmacocinética, farmacodinâmica e interações medicamentosas é indispensável à análise crítica da prescrição e à mitigação de riscos iatrogênicos. O exercício da prática avançada em enfermagem, nesse contexto, potencializa intervenções resolutivas, como a revisão de esquemas terapêuticos e a participação ativa na construção de linhas de cuidado seguras e eficientes7.
A atuação da equipe multiprofissional deve, portanto, alinhar-se a protocolos baseados em evidências, a partir de uma abordagem centrada na pessoa idosa e na promoção de sua autonomia e bem-estar. O cuidado integral implica o reconhecimento de que a qualidade de vida é afetada por determinantes clínicos, sociais e ambientais, exigindo práticas colaborativas, vigilância contínua e educação permanente dos profissionais envolvidos.
Por fim, destaca-se a lacuna de produção científica nacional sobre estratégias multiprofissionais para prevenção da polifarmácia em idosos, evidenciando a necessidade de investimentos em pesquisa e inovação na área. A sistematização de experiências exitosas pode subsidiar a formulação de políticas públicas e a qualificação da atenção ao envelhecimento no Sistema Único de Saúde.
CONCLUSÃO
Este estudo teve como objetivo analisar, à luz da literatura científica, os impactos da polifarmácia sobre a qualidade de vida de pessoas idosas, evidenciando que o uso concomitante de múltiplos fármacos — especialmente aqueles potencialmente inapropriados para a faixa etária — configura-se como fator determinante de vulnerabilidade clínica, funcional e psicossocial. Observou-se um consenso entre os estudos analisados no que se refere às repercussões deletérias da polifarmácia sobre a percepção subjetiva e objetiva de bem-estar nessa população.
Entre os principais fatores associados à piora da qualidade de vida em idosos em uso de polifarmácia, destacam-se as reações adversas medicamentosas, com manifestações como dor osteoarticular, tontura, hipotensão postural, alterações urinárias, angústia, depressão e declínio cognitivo. Tais efeitos comprometem não apenas o desempenho funcional e a autonomia nas atividades da vida diária, mas também a esfera emocional e relacional, favorecendo o isolamento social, a inatividade física e o aumento do risco de quedas e hospitalizações.
A associação entre polifarmácia e prejuízos em múltiplas dimensões da vida — física, mental, social e ambiental — foi evidenciada por meio da aplicação de instrumentos validados de avaliação da qualidade de vida, os quais possibilitam mapear os domínios mais comprometidos e, assim, subsidiar intervenções clínicas individualizadas. A mensuração da qualidade de vida constitui, portanto, ferramenta estratégica para a identificação precoce de agravos e para o redirecionamento das práticas assistenciais, com vistas à promoção do envelhecimento saudável.
Os achados reforçam a urgência de estratégias interprofissionais voltadas à prevenção da polifarmácia, ao uso racional de medicamentos e à revisão periódica da prescrição farmacológica. Nesse contexto, destaca-se o papel estratégico do enfermeiro, cuja atuação fundamentada em conhecimento técnico-científico é essencial para a identificação de riscos, a orientação ao autocuidado medicamentoso, a vigilância de eventos adversos e a construção de planos terapêuticos centrados na pessoa idosa.
A consolidação de práticas de cuidado integradas, baseadas na interdisciplinaridade, na escuta qualificada e na valorização das singularidades do processo de envelhecimento, deve ser alicerçada em evidências robustas. Assim, a produção científica no campo da Enfermagem é fundamental não apenas para ampliar o corpo de conhecimentos sobre a temática, mas também para fomentar o desenvolvimento de tecnologias do cuidado que contribuam para a integralidade e a qualidade da atenção à saúde da pessoa idosa.
Conclui-se, portanto, que o enfrentamento da polifarmácia exige o fortalecimento de políticas públicas, a qualificação contínua das equipes de saúde e o estímulo à investigação científica aplicada. A difusão do conhecimento produzido na academia configura-se como elemento-chave para a transformação das práticas assistenciais, a promoção da segurança do paciente e a efetiva melhoria da qualidade de vida dos idosos no contexto do envelhecimento populacional.
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Polyana Almeida Lago
Enfermeira. Graduada em Enfermagem. Universidade Estadual de Santa Cruz.
Orcid: https://orcid.org/0009-0001-4105-9637
Simone Santos Souza
Enfermeira. Mestre em Enfermagem e Saúde. Universidade Estadual de Santa Cruz.
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-5283-6083
Raquel Ferreira de Jesus
Enfermeira. Especialista em Saúde Coletiva e Estratégia de Saúde da Família e em Enfermagem em Estomaterapia. Universidade Estadual de Santa Cruz.
Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8704-4599
Mariane Teixeira Dantas Farias
Enfermeira. Mestre em Tecnologias e Saúde. Secretaria de Saúde do Estado da Bahia.
Orcid: https://orcid.org/0000-0003-4208-4911
Rejane Santos Barreto
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Universidade Estadual de Santa Cruz.
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-2973-0272
Rízia Maria dos Santos Eustáquio Leite
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Universidade Federal da Bahia.
Orcid: https://orcid.org/0009-0003-0933-0313
Andreia Silva Rodrigues
Enfermeira. Doutora em Enfermagem e Saúde. Centro Universitário Maurício de Nassau.
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-0091-2849