INTRODUÇÃO
O feedback é considerado fundamental no processo de ensino-aprendizagem, pois fornece informações imprescindíveis para estudantes e professores acerca da efetividade deste processo e o quão distantes ou próximos estão do alcance dos objetivos de aprendizagem(1).
É necessária a qualificação do docente e a formação contínua no desenvolvimento de competências profissionais, sobretudo, nas habilidades de comunicação para realizar e receber feedback dos alunos, pois constituem instrumentos essenciais para a prática docente(2,3).
Um estudo identificou que os educadores consideram desafiador a realização do feedback na interação face-a-face com os estudantes, sobretudo quando é necessário a realização de comentários negativos, além de valorizarem a autoavaliação do aluno e o feedback realizado em grupo entre os estudantes(4).
O feedback realizado com inespeficidade e sem sugestões de melhorias ocasiona insatisfação(5,6) nos estudantes que preferem que o feedback seja construtivo, objetivo e baseado em critérios de avaliação pré definidos, ao invés de críticas generalizadas(7).
Os alunos preferem receber o feedback de forma individualizada, sendo a modalidade presencial, de interação com o professor, muito valorizada, além de preferirem ouvir ou ver o provedor do feedback, pois, segundo eles, há menores chances de má interpretação das mensagens, facilitando a compreensão, uma vez que, o tom de voz e a linguagem corporal também são considerados(4).
Na trajetória acadêmica, o docente desempenha um papel essencial, sendo necessário que as competências educativas estejam direcionadas para as necessidades dos estudantes, sendo a competência comunicativa significativa para a efetividade do processo de ensino-aprendizagem(3).
Até o momento, pesquisas atuais sobre esta temática são escassas, demonstrando que há insuficiência de instrumentos oriundos de autores brasileiros, que avaliem as habilidades de comunicação, sendo encontrados apenas instrumentos traduzidos e adaptados de outros países para a avaliação de habilidades comunicativas,(8) portanto, faz-se necessário a construção e validação de um instrumento adaptado para a realidade do ensino brasileiro de enfermagem.
Diante do exposto, questiona-se, neste estudo, como avaliar o feedback das habilidades comunicativas dos professores sob a percepção de estudantes de graduação em enfermagem, considerando a limitação de instrumentos que avaliam este aspecto, sobretudo no processo de ensino- aprendizagem.
Portanto, objetivamos construir e validar, pela primeira vez no Brasil, um instrumento específico e robusto para avaliar o feedback das habilidades comunicativas dos professores sob a percepção de estudantes, abordando uma lacuna crítica na educação em enfermagem.
MÉTODO
Trata-se de um estudo metodológico realizado em 8 etapas(9): sendo a primeira; estabelecimento da estrutura conceitual, definição dos objetivos do instrumento e da população envolvida; segunda; construção das sentenças e das escalas de resposta; terceira; seleção e organização das sentenças; quarta; validação de conteúdo; quinta; reestruturação do instrumento; sexta; realização do pré-teste com a população-alvo; sétima; validação de construto e análise da confiabilidade por meio do cálculo do coeficiente alfa de cronbach e oitava etapa; apresentação da versão final do instrumento.
As etapas 1 e 2 do estudo foram realizadas a partir da inquietação dos pesquisadores com a temática, buscando-se construir um instrumento que contemplasse aspectos que avaliassem o feedback das habilidades comunicativas dos professores no ensino da enfermagem, sob a perspectiva do estudante.
A construção do instrumento foi realizada pelos pesquisadores, que são estudiosos da temática, contendo 24 sentenças com os pressupostos essenciais do processo comunicativo interpessoal dos referenciais teóricos,(10,11) enfocando os elementos da comunicação, comunicação verbal, não verbal e as variáveis envolvidas no processo comunicativo, além da importância das habilidades comunicativas dos docentes no processo de ensino-aprendizagem em enfermagem(12).
Optou-se pela escolha da escala de julgamento do tipo likert de cinco alternativas, com as opções de resposta: (1) sempre, (2) frequentemente, (3) às vezes, (4) raramente e (5) nunca. O escore total do instrumento variava de 24 a 120 pontos, sendo que, quanto maior o valor do escore final, menor seria a percepção do feedback eficaz pelo aluno; contrariamente, quanto menor o escore final, maior seria a percepção de feedback eficaz pelo estudante.
A terceira etapa correspondeu à seleção e organização das sentenças que iriam compor o instrumento, definição do título “Feedback de habilidades comunicativas dos professores no ensino da enfermagem” e as instruções necessárias para o preenchimento pelos estudantes.
A etapa 4 foi representada pela realização da validade de conteúdo. Inicialmente, deu- se a seleção dos especialistas com a busca dos mesmos na plataforma lattes, do portal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, a partir da junção dos Descritores em Ciências da Saúde; “comunicação”, “relações interpessoais”, “docentes de enfermagem” e “estudantes de enfermagem”.
Os critérios de inclusão estabelecidos para a seleção foram: ser brasileiro, possuir graduação em enfermagem, titulação mínima de doutor e ser pesquisador da temática de comunicação em saúde, comprovado por publicações científicas nos últimos dez anos sobre esta temática.
Foram excluídos especialistas que não possuiam graduação em enfermagem e que não apresentavam publicações científicas relacionadas à temática de comunicação em saúde.
Após a análise individual dos currículos lattes e observância aos critérios de inclusão do estudo, foram selecionados e convidados à participação 29 especialistas da temática de comunicação em saúde de todo o Brasil. Para aqueles que não responderam os pesquisadores, foram enviados mais dois e-mails com o convite, no período de quinze dias entre os mesmos.
A partir da concordância à participação, os especialistas preencheram um questionário, elaborado pelos pesquisadores, composto por três partes.
A primeira parte continha questões referentes à caracterização, incluindo idade, sexo, tempo de formação em enfermagem, instituição em que trabalhava e natureza jurídica, cargo ou função atual e titulação máxima adquirida. A segunda continha o instrumento para análise e um formulário elaborado no “Google Forms”, com itens que avaliavam o conteúdo do instrumento, por meio dos critérios de objetividade, clareza, precisão, pertinência e credibilidade(9). Já a terceira parte do formulário abrangia espaço adicional para sugestões e correções, a critério do especialista.
Foi estabelecido o período de 20 dias para o envio do formulário preenchido pelos especialistas aos pesquisadores.
Os dados coletados nesta etapa foram registrados na plataforma do “Google Forms”.
Para a verificação do construto mensurado e avaliação das propriedades psicométricas, adotou-se o Índice de Validade de Conteúdo (IVC), sendo considerados adequados os valores de porcentagem de concordância de respostas superiores a 0,80 e, preferencialmente, maior que 0,90(13).
Os itens que não receberam pontuação de 1 ou 2 na escala likert deveriam ser revisados ou eliminados. O cálculo do IVC de cada item do instrumento foi realizado pela soma das respostas 3 e 4 dos participantes e o resultado dividido pela soma do número total de respostas(13).
A quinta etapa compreendeu os ajustes e correções no instrumento original a partir da validação de conteúdo e sugestões pelos especialistas. Em seguida, o instrumento modificado foi aplicado na fase de pré-teste para graduandos de enfermagem, correspondendo à sexta etapa do estudo.
Para a fase de pré-teste, foram convidados à participação todos os estudantes matriculados no terceiro ano do curso de uma instituição pública de ensino superior, situada no interior do estado de São Paulo, Brasil, totalizando-se 30 estudantes.
O terceiro ano do curso foi selecionado por considerarmos que, nessa fase os alunos possuem maior pensamento crítico-reflexivo sobre o desenvolvimento de sua trajetória acadêmica, além de terem vivenciado diversas oportunidades de interações com os professores.
O formulário destinado a estes participantes abrangia o preenchimento do instrumento em si, além de questões acerca das dificuldades para fazê-lo, bem como, se as sentenças eram de fácil compreensão.
A etapa 7 compreendeu a validação de construto, por meio da análise fatorial exploratória, e para a análise da confiabilidade do instrumento, recorreu-se à análise de consistência interna, utilizando-se o cálculo do coeficiente alfa de cronbach.
Para esta etapa foram convidados à participação todos os graduandos de enfermagem ou seja, 273 estudantes, excetuando-se aqueles que haviam participado da fase de pré-teste e menores de 18 anos, matriculados de primeiro à último ano dos cursos, com duração de quatro anos, de duas instituições públicas de ensino superior, localizadas em municípios de médio porte das regiões centro-sul e centro-oeste do estado de São Paulo, Brasil, selecionados através da técnica não probabilistíca de conveniência.
As fases da pesquisa que corresponderam a aplicação dos formulários aos estudantes foi realizada de maneira presencial pelos pesqusiadores, entre o período de novembro a dezembro de 2019.
Os dados foram digitados em uma planilha do Microsoft Excel para análise e norteamento dos cálculos estatísticos, sendo utilizada a estatística descritiva. Em seguida, utilizamos o programa estatístico “The SAS System”, Statistical Analysis System 5.9.4.
A análise fatorial exploratória foi conduzida pelo método de extração dos eixos principais, considerando o grau de associação entre as variáveis, encontrado através das cargas fatoriais (> ,500), sendo mantidos no instrumento apenas sentenças que apresentaram cargas fatoriais (>,500)(14).
A etapa 8 foi constituída pela elaboração da versão final do instrumento com a organização das sentenças em domínios e nomeação dos mesmos.
Esta pesquisa seguiu as normas éticas de pesquisas envolvendo os seres humanos, Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, e obteve aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, CEP, das instituições universitárias do estudo, sob o número do parecer 2.524.894 e CAAE: 69675617.0.3001.5413
Aos indivíduos que, após a explicação do estudo por um dos pesquisadores, concordaram em participar da pesquisa, foi solicitada a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A liberdade de participação foi assegurada, bem como, o direito do participante de se retirar a qualquer momento da pesquisa, sem prejuízos ou qualquer constrangimento. O anonimato dos participantes foi preservado, não sendo questionado o nome dos mesmos em nenhum formulário da pesquisa.
RESULTADOS
Participaram 11 especialistas em nosso estudo, sendo que, 100% era do sexo feminino com idade que variou de 33 a 76 anos, tempo de conclusão da graduação em enfermagem de 09 a 50 anos, 72% atuavam como professoras de graduação em enfermagem em instituições públicas de ensino superior, sendo que, 36% possuiam titulação máxima de doutoras, seguido de 27% em livre-docência.
Os especialistas avaliaram se o instrumento atingia os critérios de objetividade, precisão, credibilidade, clareza e pertinência. Os índices de validação de conteúdo acusaram que o instrumento apresentava 90% de objetividade, 90% de precisão, 90% de credibilidade, 81% de clareza e 81% de pertinência, demonstrando que os altos índices indicam que o instrumento mede consistentemente as habilidades comunicativas conforme esperado.
A seguir, na tabela 1, demonstramos outros aspectos que também foram avaliados pelos especialistas sobre o instrumento.
Tabela 1- Resultados das porcentagens dos índices de validação de conteúdo de aspectos avaliados no instrumento pelos especialistas, São Paulo, SP, Brasil, 2019.
Aspectos avaliados | Porcentagem do Índice de validade de conteúdo (IVC) | |||||
1 | 2 | 3 | 4 | |||
n | n (%) | n | n (%) | |||
A escala está adequada para mensurar o que pretende? | 11 | 100 | ||||
Os critérios para avaliação são claros e objetivos e permitem a mesma interpretação entre avaliadores diferentes? | 1 | 9 | 10 | 90 | ||
A descrição sobre o preenchimento da escala explicita com clareza e objetividade o que mensura? | 2 | 18 | 9 | 82 | ||
Os itens da escala são adequados para retratar a realidade? | 2 | 18 | 9 | 82 | ||
(Legenda: 1- item não equivalente; 2- item necessita de grande revisão para ser avaliada a equivalência; 3- item equivalente, necessita de pequenas alterações e 4- item absolutamente equivalente)
Fonte: Elaborado pelos autores, 2019.
Os especialistas realizaram correções e sugestões como a inclusão do pronome pessoal “Eu” no início das sentenças 1, 11, 15, 18, 20 e 21. Na questão 15, “Tive liberdade para expor minha criatividade”, foi sugerido acrescentar “e meus sentimentos”. Na questão 4, “eu compreendi a mensagem transmitida pelo professor”, foi proposto acrescentar “mensagens verbais e não verbais”. Na sentença 2, “As ideias foram entendidas e compartilhadas nas relações entre ambos (aluno e professor)”, foi sugerido “As expressões das minhas idéias foram entendidas e compartilhadas nas relações com os professores”.
Vale ressaltar que todas as sugestões e correções realizadas pelos especialistas foram acatadas. No entanto, o instrumento sofreu poucas modificações.
Para a realização da fase do pré-teste, 10 estudantes de enfermagem aceitaram participar. Estes afirmaram que não apresentaram dificuldade para compreender as questões e que não havia ambiguidade na interpretação das mesmas, ou seja, o instrumento estava claro para o público-alvo.
Após a validação dos especialistas e aplicação do pré-teste, o instrumento foi aplicado em 162 graduandos de enfermagem de primeiro a quarto ano do curso, que aceitaram participar do estudo para a realização da validação de construto por meio da análise fatorial exploratória.
Houve a participação de 74 estudantes da instituição A e 88 da instituição B, correspondendo a 57% do total de alunos matriculados em cada curso de enfermagem.
A análise estatística resultou na formação de 4 fatores, sendo que as cargas fatoriais dos distintos itens variaram de 0,53 a 0,85, sendo excluídas duas sentenças, as de número 4 e 11, por apresentarem cargas fatoriais inferiores à (,500)(14).
Para a análise da confiabilidade do instrumento, por meio da consistência interna, foi realizado o cálculo do coeficiente alfa de cronbach, que resultou no valor de 0,97.
Assim, o instrumento final ficou composto por 22 sentenças, 4 fatores e variação de escore de 22 a 110 pontos, conforme demonstramos no quadro 1.
As sentenças foram reorganizadas em seus respectivos fatores e nomeados. O fator 1 foi denominado “Feedback, possibilitando empatia no ensino-aprendizagem”, o fator 2 de “Feedback, possibilitando vínculo no ensino-aprendizagem,” o fator 3 “Feedback, possibilitando evolução no ensino-aprendizagem” e o fator 4 de “Feedback, possibilitando o acompanhamento no ensino-aprendizagem.
Quadro 1- Versão final do instrumento “Feedback de habilidades comunicativas dos professores no ensino da enfermagem”, São Paulo, São Paulo, Brasil, 2019.
Escala: Feedback de habilidades comunicativas dos professores no ensino da enfermagem Instruções: Por favor, julgue os itens abaixo, considerando as relações estabelecidas entre você e os professores do curso. Série: | |||||||||
Domínios | Questões | Respostas | |||||||
Feedback possibilitando empatia no ensino-aprendizagem | S | F | A | R | N | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
Feedback possibilitando vínculo no ensino-aprendizagem |
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | |||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
Feedback possibilitando evolução no ensino-aprendizagem |
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | |||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
Feedback possibilitando o acompanhamento no ensino- aprendizagem |
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | |||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
ESCORE TOTAL | |||||||||
Legenda: (S: Sempre; F: Frequentemente; A: Às vezes; R: Raramente; N: Nunca) Fonte: Elaborado pelos autores, 2019.
DISCUSSÃO
O presente estudo buscou referências científicas para assegurar que o processo de construção e validação do instrumento envolvesse etapas metodológicas criteriosas para torná- lo apropriado.
A avaliação do instrumento por 11 especialistas da temática de comunicação de todo Brasil, contribuiu significamente para seu aperfeiçoamento, uma vez que, a maior representação deu-se por profissionais docentes de cursos de graduação em enfermagem, que possuiam contato direto com estudantes e com o processo da realização do feedback no contexto de ensino-aprendizagem, além de possuírem alto nível de qualificação.
Em estudos de validação de conteúdo é recomendado a abordagem qualitativa por especialistas, sendo que o número ideal desses participantes é controverso na literatura. Há autores que sugerem de seis a vinte, no entanto, ressalta-se que deve-se considerar também as características de cada instrumento, a qualificação e a disponibilidade dos profissionais,(15) sendo assim, nosso estudo atendeu ao preconizado.
Para a abordagem quantitativa com a utilização do IVC, observamos em nossos resultados que os percentuais de concordância de respostas entre os especialistas foram atingidos conforme sugerido, acima de 0,80,(13) indicando a adequação do conteúdo do instrumento elaborado.
Para a validação de construto, que corresponde à extensão em que um conjunto de variáveis representa o construto a ser medido, realizou-se a análise fatorial exploratória,(13) definindo 4 fatores, que representam as variáveis que são fortemente relacionadas entre si.
O fator nomeado como “Feedback possibilitando empatia no ensino- aprendizagem” abrangendo 9 sentenças, define que a empatia deve permear a relação entre professor e aluno, possibilitando que os sentimentos e opiniões dos estudantes sejam acolhidos, haja respeito e disponibilidade do docente à comunicação, ressaltando a importância do desenvolvimento da competência comunicativa de todos os professores(12).
Um estudo que objetivou identificar as características que influenciam a forma como os estudantes de enfermagem processam o feedback, afirmou que o tom com que o avaliador o realiza é fundamental, além de enfatizar a percepção positiva quando o feedback é expresso de maneira carinhosa e compressiva pelo docente. A pesquisa também apontou que os alunos não apreciam o feedback superficial e limitado, recebê-lo na presença dos colegas e não poder dialogar com o avaliador, demonstrando a importância da empatia do docente ao realizá-lo(7).
É importante ressaltarmos que ao receberem o feedback, os estudantes embarcam em uma série de processos psicológicos, tanto cognitivos quanto afetivos, que irão impactar como o feedback será recebido, compreendido e, utilizado para melhorar a aprendizagem(16).
A literatura pontua que estudantes de enfermagem vivenciam emoções negativas como desmotivação, estresse e tristeza quando o professor não segue os princípios da realização do feedback construtivo, embora demonstrem terem aprendido com o erro e evitado cometê-lo no futuro(17).
O segundo fator designado “Feedback possibilitando vínculo no ensino- aprendizagem”, contempla a importância do papel docente no acompanhamento da progressão das habilidades estudantis, ao viabilizar, por meio do feedback, momentos para expressão de pensamentos, sentimentos e percepções, considerando o ambiente e momentos adequados, além de valorizar a conquista dos alunos(12).
O fator “Feedback possibilitando evolução no ensino-aprendizagem” considera que para o desenvolvimento de habilidades, os estudantes precisam de estímulos, como dinâmicas nas salas de aula e vivência de situações práticas(12).
A literatura afirma que a estratégia pedagógica do uso de simulações realistícas de interações com os pacientes para desenvolver habilidades de comunicação nos estudantes é potente e utiliza o feedback do docente para pontuar aspectos positivos e necessários de aperfeiçoamento, contribuindo para a formação profissional(18).
A compreensão moderna de feedback refere-se a uma interação dialógica entre indivíduos focando na construção do conhecimento, sendo necessário que o docente e o estudante reflitam e raciocinem juntos sobre a evolução do processo e desempenho estudantis(19).
O docente deve ensinar no modelo e na convivência, evidenciando a ação da sua competência em comunicação na prática. O professor precisa expor o lado positivo das interações dos estudantes, mesmo quando ocorram falhas, e isso se dá por meio do feedback(12).
Faz-se essencial a formação de profissionais que conduzam a equipe de enfermagem com clareza e comunicação assertiva, além de possuirem inteligência emocial e disposição para a aprendizagem contínua durante o exercício profissional, exemplos que devem ser demonstrados no comportamento docente(20).
O fator “Feedback possibilitando o acompanhamento no ensino- aprendizagem” enfatiza sobre a importância da disponibilidade do docente para o processo comunicativo ao procurar minimizar as interrupções ou interferências, que possam prejudicar a expressão e compreensão das mensagens por ambos, contribuindo para demonstrar a valorização do feedback para o estudante(11,12).
O teste do coeficiente alfa de cronbach refere-se a uma técnica estatística ligada diretamente a confiabilidade em relação à qualidade do instrumento. Autores indicam que os valores ideais devem permanecer entre 0,70 e 1,00(21). Portanto, afirma-se que os resultados desta pesquisa apresentaram-se satisfatórios (0,97), reforçando o poder desta ferramenta na mensuração do que realmente se propõe.
No entanto, a pesquisa apresentou limitações que devem ser consideradas como a dificuldade de comparar estes dados com o de outros estudos prévios, face à carência de investigações sobre esta temática no contexto do ensino de enfermagem, além de adotarmos uma amostra de conveniência não probabilística e a validação de construto ter sido aplicada apenas em duas instituições de ensino superior em enfermagem.
Futuras pesquisas poderiam explorar a aplicação deste instrumento em cursos de enfermagem de diferentes regiões do Brasil ou adaptá-lo para outras áreas da saúde.
CONCLUSÃO
Frente à relevância do feedback no processo ensino-aprendizagem e da habilidade comunicativa pelos educadores, o estudo contribui para a área do ensino de enfermagem efetivando a construção e a validação de um instrumento inédito, que pode ser implementado como ferramenta avaliativa e diagnóstica, acerca das habilidades comunicativas do docente de enfermagem, durante a etapa de avaliação do processo ensino-aprendizagem, além de possibilitar reflexões e melhorias para o ensino em enfermagem ou áreas afins.
A comunicação interpessoal é complexa e este instrumento poderá ser utilizado em diferentes situações do processo educativo, como a aplicação aos alunos durante o desenvolvimento de uma disciplina, para que o educador possa modificar estratégias de ensino-aprendizagem e transcorrer mudanças, visando o aperfeiçoamento contínuo da formação profissional.
REFERÊNCIAS