INTERVENÇÃO EDUCATIVA SOBRE FATORES DE RISCO PARA DIABETES MELLITUS EM GESTANTES: ESTUDO QUASE-EXPERIMENTAL
EDUCATIONAL INTERVENTION ON RISK FACTORS FOR DIABETES MELLITUS IN PREGNANT WOMEN: QUASI-EXPERIMENTAL STUDY
INTERVENCIÓN EDUCATIVA SOBRE FACTORES DE RIESGO DE DIABETES MELLITUS EN MUJERES EMBARAZADAS: ESTUDIO QUIA-EXPERIMENTAL
1. Luisa Eduarda Sales Araújo
2. Anne Livia Cavalcante Mota
3. Maria da Conceição dos Santos Oliveira Cunha
4. Thaís Araújo de Souza
5. Maria Dhiovanna da Sousa Nascimento
6. Dilene Fontinele Catunda Melo
7. Luciana Batista Luciano
RESUMO
Objetivo: analisar o impacto de uma intervenção educativa sobre fatores de risco para DM com um grupo de gestantes. Método: estudo quase-experimental, quantitativo, não randomizado, baseado em pré e pós-intervenção realizados com o grupo de gestantes do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) II. Resultados: a faixa etária mais prevalente com 4 (36,4%) gestantes cada uma foi de 18 a 22 e 25 a 27 anos. A cor/raça autodeclarada da maior parte das gestantes foi parda com 10 (91%). Em relação à situação civil e religião, união estável com 6 gestantes (54,6%) e católica com 9 (81,8%) foram destaque. O resultado agrupado de todos os itens investigados mostrou um aumento das respostas corretas, mostrando um efeito da intervenção no pós-teste (Md =8) e p<0,001. Conclusão: Esta pesquisa mostrou que atividades educativas podem ser eficientes na melhora dos conhecimentos a respeito da DMG durante a gestação, atingindo o seu objetivo.
DESCRITORES: Diabetes mellitus gestacional; Fatores de risco; Educação em saúde.
INTRODUÇÃO
O Diabetes Mellitus (DM) tem por característica ser um transtorno metabólico de etiologias heterogêneas que pode ser explicada como a deficiência da insulina ao ser produzida e/ou liberada pelo pâncreas ou sua resistência periférica, podendo ser classificada como tipo I e II. Durante a gestação quando não é possível captar a insulina que anule os hormônios diabetogênicos que causam resistência insulínica ou hiperglicemia (1).
Os principais fatores de risco que podem ser modificados ou não, são os aspectos socioeconômicos como a classificação econômica (escolaridade e fazer parte de grupos ou programas de transferência condicional de renda), demográficos (cor da pele onde a prevalência de DMG é em mulheres afrodescendentes, a idade avançada da mãe aumenta o risco de forma progressiva e situação conjugal), biológicos (histórico familiar de DM1 ou DM2, índice de massa corpóreo sendo sobrepeso, obesidade antes da gestação, grande ganho de peso durante a gestação, a quantidade de filhos) (2).
As intervenções educacionais são consideradas tecnologias leves, que devem ser utilizadas pelo enfermeiro como um instrumento de aprendizagem de grande importância para a realização de educações em saúde, sendo qualificada sobre a temática estudada, tendo como objetivo principal e a compreensão do diabetes mellitus gestacional e seus fatores de riscos, auxiliando a estimulação de conhecimentos, autopercepção e criação de hábitos saudáveis para as mulheres (3).
Com isso poucos são os estudos que tratam em suas pesquisas sobre o uso de tecnologias leves como instrumentos educativos que propiciam uma experiência de aprendizagem bastante eficaz de forma individual durante as consultas de enfermagem ou de forma coletiva em grupos como os de gestantes que podem assim apresentar e estimular as informações sobre saúde nos momentos que se tornarem necessária (3).
Diante do exposto sobre a importância das intervenções educativas a respeito do diabetes mellitus em gestantes, surgiram as seguintes indagações que orientaram esta pesquisa: Qual a importância e efeito das intervenções educativas sobre os fatores de risco do diabetes mellitus gestacional? Como elas podem contribuir para o conhecimento das gestantes sobre a temática dessa enfermidade?
Diante do exposto, este estudo tem o objetivo de analisar o impacto de uma intervenção educativa sobre fatores de risco para DM com um grupo de gestantes.
MÉTODO
Estudo quase-experimental, quantitativo, não randomizado, baseado em pré e pós-intervenção.
O estudo foi realizado no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) II, no Bairro Venâncios, localizado na Rua José Rosa, CEP 63700-000, no munícípio de Crateús-CE. O estudo foi realizado nos meses de outubro a novembro de 2024.
Fizeram parte do estudo as mulheres que frequentavam o grupo de gestantes do CRAS II. Os critérios de inclusão foram gestantes com 18 anos ou mais que estejam cadastradas e frequentem o grupo de gestantes do CRAS II. Foram excluídas dos estudos gestantes que não compareceram ao encontro prévio agendado pelo grupo
Para avaliar a eficácia do ensino/aprendizagem das gestantes foi utilizado dois Questionários semiestruturados. O questionário um diz respeito a caracterização sociodemográfica e vai ser aplicado junto ao pré-teste. O questionário dois intitulado “FATORES DE RISCO PARA DIABETES GESTACIONAL” foi aplicado na pré e pós-intervenção.Foi construído a partir da Diretriz da Sociedade de Diabetes sobre rastreamento e diagnostico (4), rastreamento e diagnostico da DM gestacional no Brasil (5) e do Guia da Gestante com DM gestacional validado (6).
A intervenção foi implementada em três momentos. As atividades aconteceram conforme os momentos listados abaixo:
• Momento 1: no primeiro momento com o grupo de gestantes, foi realizado acolhimento, a socialização e a aplicação do questionário sociodemográfico e pré-teste. Nesse momento, as gestantes foram convidadas a participar da pesquisa numa roda de conversa para apresentação individual. Após isso, cada gestante foi convidada a responder ao questionário sociodemográfico e de fatores de risco para DM gestacional (pré-teste) em uma sala reservada para análise prévia dos seus conhecimentos acerca da temática a ser discutida posteriormente.
• Momento 2: no segundo momento, foi abordada a temática de fatores de risco para DM gestacional com base nos conhecimentos prévios do grupo em associação com o saber científico. Para essa etapa, foi utilizado recursos audiovisuais com projeção em slides de textos, figuras e animações que abordavam os domínios: noções do que é a DM gestacional, fatores de risco, complicações e ações de prevenção.
• Momento 3: no terceiro momento, foi aplicado o questionário de fatores de risco para DM gestacional pós-intervenção.
Todas as gestantes que aceitarem participar da pesquisa, antes de iniciar a intervenção assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Para a análise de dados, as informações foram organizadas e armazenadas no Microsoft Excel 2013 e depois exportadas para o Jamovi, versão 2.3.28.
Para as variáveis quantitativas sociodemográficas, como idade, idade gestacional, número de gestações e número de consultas pré-natal, foram utilizadas a estatística descritiva através das frequências brutas e relativas, médias e desvio padrão para os dados com distribuição paramétrica. Para as variáveis categóricas, foram geradas as frequências brutas e relativas.
O efeito da intervenção no pré e pós-teste foi avaliada por análise bivariada pelo Teste de Wilcoxon pelo fato dos dados serem não paramétricos. Para os domínios do questionário de fatores de risco, foram apresentados os que obtiveram o maior número de acertos por meio da frequência absoluta e relativa.
O presente estudo obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Centro Universitário INTA – UNINTA sob o parecer 7.125.466 e CAAE 81676724.2.0000.8133.
RESULTADOS
Das gestantes que atenderam aos critérios de inclusão, 11 participaram de todas as etapas da pesquisa e compuseram a amostra final. A faixa etária mais prevalente com 4 (36,4%) gestantes cada uma foi de 18 a 22 e 25 a 27 anos, tendo uma média geral de 25,5 anos e um desvio-padrão de 4,66. A cor/raça autodeclarada da maior parte das gestantes foi parda com 10 (91%). Em relação à situação civil e religião, união estável com 6 gestantes (54,6%) e católica com 9 (81,8%) foram destaque (Tabela 1).
No que se refere as características da gestação, 3 (27,3%) mulheres apresentavam 7 meses com média de 5,82 meses e desvio-padrão de 2,32, 8 (72,7%) engravidaram anteriormente, das quais 2 (36,4%) já tiveram 2 (18,2%) gestações com uma média de 1,45 gestações e desvio-padrão de 1,13. Todas as gestantes realizaram consultas pré-natal, sendo que 2 (18,2%) estava na primeira, 2 (18,2%) na terceira e 2 (18,2%) na oitava consulta, tendo uma média de 5,09 consultas e desvio-padrão de 3,30 (Tabela 1).
Tabela 1. Dados sociodemográficos e relacionados a gestação. Crateús, CE, 2024
Variável | N | % | Média +DP |
Faixa etária | |||
18-22 | 4 | 36,4 | 25,5+4,66 |
25-27 | 4 | 36,4 | |
30-34 | 3 | 27,3 | |
Total | 11 | 100 | |
Cor autodeclarada | |||
Parda | 10 | 91 | |
Preta | 1 | 9 | -- |
Total | 11 | 100 | |
Situação civil | |||
Solteira | 4 | 36,4 | |
Casada | 1 | 9,0 | -- |
União estável | 6 | 54,6 | |
Religião | |||
Católica | 9 | 81,8 | |
Evangélica | 1 | 9,1 | -- |
Não tem | 1 | 9,1 | |
Total | 11 | 100 | |
Idade gestacional | |||
2 meses | 1 | 9,1 | 5,82+2,32 |
3 meses | 1 | 9,1 | |
4 meses | 2 | 18,2 | |
5 meses | 1 | 9,1 | |
7 meses | 3 | 27,3 | |
8 meses | 2 | 18,2 | |
9 meses | 1 | 9,1 | |
Total | 11 | 100 | |
Outras gestações | |||
Sim | 8 | 72,7 | |
Não | 3 | 27,3 | -- |
Total | 11 | 100 | |
Número de gestações | |||
0 gestação | 3 | 27,3 | 1,45+1,13 |
1 gestação | 2 | 18,2 | |
2 gestações | 4 | 36,4 | |
3 gestações | 2 | 18,2 | |
Total | 11 | 100 | |
Número de consultas pré-natal | |||
1 consulta | 2 | 18,2 | 5,09+3,30 |
2 consultas | 1 | 9,1 | |
3 consultas | 2 | 18,2 | |
5 consultas | 1 | 9,1 | |
6 consultas | 1 | 9,1 | |
8 consultas | 2 | 18,2 | |
9 consultas | 1 | 9,1 | |
10 consultas | 1 | 9,1 | |
Total | 11 | 100 | |
Gravidez de risco | |||
Sim | 2 | 18,2 | |
Não | 9 | 81,8 | -- |
Total | 11 | 100 |
Fonte: dados da pesquisa, 2024
A Tabela 2 trata do conhecimento das gestantes a respeito dos fatores de risco, complicações e medidas de prevenção para DM gestacional. O resultado agrupado de todos os itens investigados mostrou um aumento das respostas corretas, mostrando um efeito da intervenção no pós-teste (Md =8) e p<0,001.
Tabela 2. Dados estatísticos do efeito da intervenção sobre fatores de risco para DM gestacional. Crateús, CE, 2024
Medida | Pré-teste | Pós-teste | Valor de p* |
Mediana | 8 | 9 | < .001 |
25º percentil | 5 | 8 | |
75º percentil | 10 | 10 |
Fonte: dados da pesquisa, 2024 *Teste de Wilcoxon; p-value < 0,05
Abaixo encontra-se o gráfico 1 representado por meio de um box plot onde é possível observar que houve uma diferença entre o número de acertos em cada item antes (x̄=7,6) e após (x̄=8,64) a intervenção educativa.
Gráfico 1. Box plot representando os acertos das gestantes antes e após a intervenção educativa. Crateús, CE, 2024
Fonte: dados da pesquisa, 2024
A terceira tabela apresenta os acertos relacionados aos fatores de risco para DM gestacional no pré-teste e pós-teste onde os principais acertos foram nos itens: nutrição de 6 (54,6%) para 9 (90,0%); triglicerídeos 7 (64,0%) para 8 (73,0%); pressão alta 5 (45,5%) para 8 (73,0%); medicação – hiperglicemiantes 3 (27,3%) para 5 (45,5%); recém-nascido com peso > ou += 4000g 4 (36,4%) para 7 (64,0%) e óbito fetal sem causa determinada 1 (0,1%) para 5 (45,5%) (Tabela 3).
Tabela 3. Dados dos acertos relacionados aos fatores de risco para DM gestacional. Crateús, CE, 2024
ITEM | Pré-teste | Pós-teste |
ITEM 5: idade de maior risco para DM | 1(9,1%) | 8 (73,0%) |
ITEM 6: nutrição | 6 (54,6%) | 9 (90,0%) |
ITEM 7: fatores genéticos | 9 (90,0%) | 9 (90,0%) |
ITEM 8.1: Ovários policísticos | 2 (18,2%) | 3 (27,3%) |
ITEM 8.2: Triglicerídeos | 7 (64,0%) | 8 (73,0%) |
ITEM 8.3: Pressão alta | 5 (45,5%) | 8 (73,0%) |
ITEM 8.7: Medicação – Hiperglicemiantes | 3 (27,3%) | 5 (45,5%) |
ITEM 8.8: doença hepática | 1(9,1%) | 2 (18,2%) |
ITEM 8.9: bebida alcoólica | 4 (36,4%) | 5 (45,5%) |
ITEM 9.1: ovários policísticos gravidez anterior | 0 (0%) | 1 (9,1%) |
ITEM 9.3: duas ou mais perdas gestacionais | 6 (54,6%) | 7 (64,0%) |
ITEM 9.5: diabetes gestacional | 8 (73,0%) | 9 (90,0%) |
ITEM 9.7: recém-nascido com peso > ou += 4000g | 4 (36,4%) | 7 (64,0%) |
ITEM 9.8: óbito fetal sem causa determinada | 1 (9,1%) | 5 (45,5%) |
Fonte: dados da pesquisa, 2024
A tabela 4 trata os dados dos acertos para as complicações relacionadas a DM gestacional. Tendo como resultado maior número de acertos no pré-teste e pós-teste os seguintes itens: hemorragias 2 (18,2%) para 8 (73,0%); morte materna 3 (27,3%) para 8 (73,0%); parto prematuro 7 (64,0%) para 10 (91.0%); hipoglicemia 5 (45,5%) para 10 (91,0%) e morte 5 (45,5%) para 10 (91,0%).
Tabela 4. Dados dos acertos para as complicações relacionadas a DM gestacional. Crateús, CE, 2024
ITEM | Pré-teste | Pós-teste |
ITEM 10.1: infecção de urina | 9 (81,9%) | 10 (91,0%) |
ITEM 10.2: perdas gestacionais | 4 (36,4%) | 6 (54,6%) |
ITEM 10.3: pressão alta | 7 (64,0%) | 7 (64,0%) |
ITEM 10.4: parto prematuro | 9 (81,9%) | 11 (100%) |
ITEM 10.5: diabetes no futuro | 9 (81,9%) | 9 (81,9%) |
ITEM 10.6: hemorragias | 2 (18,2%) | 8 (73,0%) |
ITEM 10.7: Morte materna | 3 (27,3%) | 8 (73,0%) |
ITEM 11.2: peso >= 4000g | 8 (73,0%) | 10 (91,0%) |
ITEM 11.4: parto prematuro | 7 (64,0%) | 10 (91,0%) |
ITEM 11.7: hipoglicemia | 5 (45,5%) | 10 (91,0%) |
ITEM 12: Morte | 5 (45,5%) | 10 (91,0%) |
Fonte: dados da pesquisa, 2024
Os dados dos acertos relacionados as medidas de prevenção para DM gestacional com o resultado do pré-teste e pós-tiveram como principais itens: comer carnes e ovos de 7 (64,0%) no pré-teste para 10 (91,0%) no pós-teste e comer carboidratos em porções adequadas 9 (90,0%) no pré-teste e 10 (91,0%) no pós-teste.
DISCUSSÃO
Ao decorrer do desenvolvimento dessa pesquisa foram avaliadas 11 gestantes e após a análise dos dados coletados, foi possível perceber que dentro população de gestantes do município de Crateús atendidas pelo CRAS II, houve uma predominância de mulheres com a faixa etária entre 18 e 22 e de 25 a 27 anos (36,4%), com uma média geral de 25,5 anos, divergindo do estudo (7), que aponta que a idade materna é de 28 anos. Essa diferença sugere que em Crateús as mulheres estão engravidando de forma precoce quando comparar com outros lugares.
Já na pesquisa realizada em 2020(8), aponta que as gestantes analisadas estavam com faixa etária entre 19 e 24 anos (37,31%) e entre 25 a 30 anos (27,61%). Com isso, os dados estão conforme as faixas etárias expostos durante este estudo. Corrobora com o achado de outra pesquisa que teve resultado predominante em gestantes que apresentaram grande incidência de diabetes mellitus gestacional entre os 15 a 35 anos, dessa forma a média de idade apresentada nesse estudo de 25,5 anos se encaixa perfeitamente com as demais faixas etárias apresentadas por diversos autores (9).
Quando foi analisada a raça mais apresentada neste estudo temos a maioria de mulheres que se autodeclaram pardas (91%), se apresentando de forma conflituoso quando comparado a outros estudos que trazem que a grande maioria das gestantes que participaram da pesquisa tem raça e cor autodeclaradas brancas. (7-8-9).
Em relação ao estado civil, as gestantes estudadas vivem em União Estável (54,6%), sendo desconforme ao estudo (10), onde é apresento que as gestantes atendidas pela Estratégia Saúde da Família para a realização das suas consultas de pré-natal na região amazônica, declararam que são casadas. Desta forma pode-se perceber a diferença quando comparado os dois estudos.
Conforme os dados apresentados em outro estudo, onde as gestantes analisadas se declararam tendo seu estado civil como casadas ou vivendo em união estável, este mesmo estudo também apresentou que uma pequena parcela é viúva, a partir disso é possível analisar que essa pesquisa está coerente ao comparada aos dados deste estudo. (11). As mulheres que já tinham filhos e o valor dos dados entre aquelas que viviam em união estável ou eram casadas representavam a mesma quantidade, corroborando com os dados dessa pesquisa onde a maioria das gestantes que participaram da pesquisa já tinham outros filhos e viviam com seus parceiros tendo o estado civil em união estável (12).
Na grande maioria essas mulheres apresentam uma religião sendo ela católica (81,8%), quando comparado a outro estudo (10), que após a análise das respostas apresentadas pelas mulheres conclui-o que a grande parte destas são cristãs, sendo a maioria evangélicas e católicas. Com isso podemos notar que existe uma pequena divergência, já que nesse estudo a religião predominante entre as gestantes é católica.
Durante o momento da entrevista a maioria das mulheres estava no terceiro trimestre da gestação, desta forma se encontra compatíveis com as características analisadas sobre o período gestacional, onde foi possível perceber que as mulheres (27,3%) estavam em seu sétimo mês de gestação, que corresponde ao terceiro triste levando em conta o desvio-padrão de 2,32. (13).
Esse mesmo estudo traz em seus dados que as gestantes que participaram de sua pesquisa em grande maioria não tiverem outras gestações, desta forma eram consideradas primigestas, divergindo dos dados coletados durante essa pesquisa pois,cerca de (72,7%) das mulheres que responderam os questionários já haviam engravidado pelo menos uma vez antes (13).
A intervenção educativa sobre fatores de risco para DMG mostrou um efeito positivo com o aumento do conhecimento após a atividade. Uma pesquisa semelhante de 2022 (14). que analisou os efeitos de intervenção educativa no letramento em saúde e no conhecimento sobre diabetes em adultos atendidos na atenção primária à saúde apresentou também, após a intervenção, aumento do conhecimento sobre a diabetes (p = 0,001), correlacionado ao letramento em saúde (r = 0,494; p = 0,001) e ao tempo do diagnóstico (r = 0,455; p = 0,001).
Em relação ao conhecimento que as gestantes apresentam sobre Diabetes Mellitus e fatores de risco, complicações e prevenção da DMG, verificou-se que já existia um conhecimento prévio a respeito de alguns aspectos como fatores genéticos, diabetes mellitus anterior, triglicerídeos, infecção de urina, parto prematuro, hipertensão e fatores relacionados a alimentação e exercício físico. Um estudo de 2019 (15) também mostrou que 18 (90%) gestantes possuíam informação e atualização sobre temas de saúde e duas gestantes (10%) não se mantinham informadas. Quinze gestantes (75%) já ouviram falar sobre o diabetes mellitus gestacional. Das gestantes que participaram da pesquisa, seis (30%) conheciam alguém com DMG.
Outra pesquisa mostrou que as gestantes possuíam déficit de conhecimento, ou seja, apenas 12% delas declararam que sabiam as consequências desse quadro patológico, mas 88% informaram desconhecer os efeitos desse agravo para o feto e para a gestante e 41% das gestantes compreendiam sobre a prática dos mesmos e 59% não sabiam quais eram exames a serem solicitados (16).
Alguns fatores de risco, complicações e práticas de prevenção obtiveram mais acertos ou melhora do conhecimento após a intervenção. Todos esses aspectos corroboram com a literatura cientifica de que impactam diretamente no risco de as gestantes desenvolverem DMG. As gestantes que tem idade igual ou superior a 35 anos triplicam suas chances de desenvolver diabetes mellitus gestacional quando comparadas com gestantes mais jovens, além disso, essa doença pode evoluir para um diabetes tipo 2, seguindo de forma crônica a vida desta gestante (17).
Os hábitos alimentares, sobrepeso, obesidade e ganhar muitos quilos durante a gestação são fatores de risco que tem grande influência durante o período de gestação para desencadeamento do DMG. Sendo acordante com os fatores de risco apresentados neste trabalho, onde as gestantes confirmaram que a nutrição pode ser um fator de risco para o DMG, quando ela não é realizada de maneira adequada (18).
Uma pesquisa mostra que fetos com peso ao nascer igual ou superior a 4.000 gramas apresentam maior risco de complicações associadas ao tamanho excessivo, sendo uma das principais complicações que implicam tanto no trabalho de parto quanto na vida dos recém-nascidos. Comprovando o que já havia sido apresentado nos acertos das gestantes(19). Outro estudo apresenta que as mães que apresentaram diabetes durante a gestação e fizeram uso de insulina desse período tiveram bebês GIG, sendo aqueles que nasceram com mais de 4 quilos, corroborando com os conhecimentos e acertos das mulheres que responderam que um dos atores de risco do DMG eram recém-nascidos com peso > ou + = 4000g(20).
Algumas alterações como hemorragia, hipoglicemia, prematuridade e morte de um feto ou recém-nascido são as principiais complicações que estão relacionadas ao Diabetes Mellitus Gestacional e o grande ganho de peso durante a gestação. Com isso se faz necessário o controle de peso e da DMG durante todo o período gestacional. Corroborando com os dados dos acertos sobre as complicações dessa doença pós-teste de (73,0%) hemorragias, (91,0%) hipoglicemia, (91,0%) parto prematuro e (91,0%) morte, afirmando o conhecimento das gestantes sobre os principais fatores de risco(15).
As principais complicações existentes para DMG, a partir das falas das gestantes entrevistadas, são prematuridades, morte da mãe, morte do feto, hiperglicemia e hipoglicemia, como também o recém-nascido nascerem com diabetes mellitus e malformações. Afirmando os conhecimentos obtidos após esta intervenção educativa onde (73,0%) das gestantes responderam que morte materna era uma complicação do diabetes gestacional(19).
O DMG pode gerar uma série de complicações severas tanto para a mãe quanto para os recém-nascidos podem se estender por toda a vida, uma dessas complicações mais comuns são as macrossomia fetais que ocorre quando o bebê nasce com o peso muito maior do que o esperado, isso ocorre devido à grande transferência de glicose da mãe para o feto. Isso pode influenciar em todo o processo do trabalho de parto, pois os riscos de lesões são elevados (21).
São complicações fetais tudo aquilo que contribui de forma negativa para a saúde do feto, microssomias como o crescimento anormal do feto, doenças metabólicas, síndrome da angústia respiratória, icterícia, nascimento prematuro, lesão cerebral e morte tanto neonatal quando fetal ainda dentro do útero(22).
A respeito das complicações maternas, uma pesquisa apresenta infecção urinária, doenças cardiovasculares, hemorragias pós-parto e anemias, maior ocorrência de partos prematuras e cesarianas, deslocamento prematuro da placenta, anemia, obesidade e aumento significativos das chances de desenvolver diabetes tipo 2 de forma crônica após o trabalho de parto. Além disso, o DMG pode causar diversas alterações metabólicas devido à hiperglicemia que podem causar maior risco de abortamentos entre as gestantes(21).
Já quando tratamos das complicações maternas as principais são aumento das chances de desenvolver hipertensão arterial, infecções bacterianas no trato urinário podendo evoluir até os rins, hiperglicemia, hiper cetonemia e acidose metabólica, traumas durante o parto e hemorragias graves após o parto e desenvolver diabetes tipo 2(22).
Os cuidados com a alimentação são essenciais para que as mulheres consigam ter uma gestação e parto de forma tranquila, com isso quando tratamos dos acertos das gestantes sobre este tópico podemos evidenciar que (64,0%) das mulheres responderam que é necessário realizar o consumo de carnes e ovos, (91,0%) comer frutas e verduras e (90,0%) comer carboidratos em porções adequadas.
Dados de algumas pesquisas mostram que em muitas vezes as mulheres se mantêm resistentes em mudar seus hábitos alimentares, sendo uma etapa importância do tratamento, por isso hábitos saldáveis devem fazer parte da vida de todos que apresentam excesso de açúcar no sangue. Com isso o consumo de frutas e verduras deve ser todos os dias, comidas gordurosas e industrializadas devem ser evitas e o consumo de açucares e sacarídeos devem ser de maneira consciente e adequada (12)..
Quando não existem contraindicações para a realização de atividades físicas, elas devem ser realizadas, pois trazem inúmeros benefícios para gestantes como reduzir os níveis glicose no sangue, além de contribuir para a perda e/ou estabilização de peso e gordura durante a gestação, além de deixar as gestantes mais dispostas para realização dos afazeres diários, por isso aquelas mulheres que tem o habito de se exercitar devem continuar de forma moderadamente leve por toda a gestação(15).
Com isso é necessário que as intervenções educativas como forma de promoção e prevenção a saúde, sejam realizadas para todas as gestantes em especial para aquelas que têm fatores de risco elevados para DMG, onde a equipe elabore e utilize estratégias para identificar de forma precoce os diabetes mellitus gestacional e os fatores de risco para DMG. Dessa forma podemos utilizar os grupos de gestantes para garantir a prevenção, rastreamento e tratamento dentro da Atenção Primaria a Saúde.
O DMG é uma das patologias que mais trazem complicações e riscos maternos-fetais, que variam dependendo do período que se tem o início dos primeiros sintomas até chegar no trabalho de parto, onde o acompanhamento a mulher desse ser realizado de forma rigorosa até mesmo após o puerpério. As alterações dos níveis de glicose estão associadas principalmente as doenças cardiovasculares como a hipertensão, dificuldade para respirar após o nascimento, icterícia, risco elevado para a obesidade durante a infância e adolescência, morte fetal, aumento inadequado do peso do bebê, problemas de visão e hipoglicemia ao recém-nascido, entre muitas outras complicações(23).
CONCLUSÃO
Esta pesquisa mostrou que atividades educativas podem ser eficientes na melhora dos conhecimentos a respeito da DMG durante a gestação, atingindo o seu objetivo. Além disso, as estratégias de intervenção educativas para a promoção e prevenção de doenças se tornou a principal ferramenta que deve ser utilizada para realizar mudanças no estilo de vida, controle glicêmico rigoroso e conscientização das gestantes, mostraram-se eficazes na prevenção e manejo do diabetes gestacional, demonstrando a relevância da orientação nutricional, prática de atividade física e monitoramento contínuo.
REFERÊNCIAS
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2. Amorim, S. V. Diabetes mellitus gestacional e fatores preditores entre mulheres de uma coorte de nascimento do nordeste do brasil. 2020. Monografia (Mestrado em Nutrição) - Universidade Federal de Alagoas, [S. l.], 2020.
3. Cassiano AN.; Teixeira E.; Menezes RMP. Educational technology for primigravidae: a quasi-experimental study. Rev Esc Enferm USP. [Citado em 04 Mar 2024] 2022;56:e20220040. Disponivel em: https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2022-0040en.
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