ENFERMEIROS E O CUIDADO ESPIRITUAL EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

NURSES AND SPIRITUAL CARE IN INTENSIVE CARE UNIT: AN INTEGRATIVE REVIEW

ENFERMERA Y CUIDADO ESPIRITUAL EN UNIDAD DE CUIDADOS INTENSIVOS: UNA REVISIÓN INTEGRATIVA

Andréia Aparecida Henriques Carvalho- Mestre em Saúde Coletiva, Enfermeira no Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) - Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). https://orcid.org/0000-0001-7276-0138

Larissa Rodrigues de Souza- Enfermeira pela UFJF. Especialista em Unidade de Terapia Intensiva. Juiz de Fora (MG). https://orcid.org/0009-0002-9981-0929

RESUMO- O cuidado espiritual é reconhecido como fundamental no atendimento aos pacientes em Unidades de Terapia Intensiva, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e experiência de cuidado. Esta Revisão Integrativa da Literatura objetiva explorar como os enfermeiros compreendem e abordam as necessidades espirituais dos pacientes, identificando estratégias, barreiras e percepções sobre a importância do cuidado espiritual na prática clínica. O processo de aplicação dos filtros nas bases de dados resultou na seleção de 06 estudos, publicados entre 2019 e 2024. Houve variação na percepção de competência dos enfermeiros, sendo alguns confiantes em suas habilidades, enquanto outros reconhecem a necessidade de treinamento e suporte. As principais barreiras incluem a falta de formação específica e recursos adequados, além de desafios culturais e religiosos. Conclui-se que o fortalecimento na formação é crucial para atender de maneira eficaz às necessidades espirituais desses pacientes, promovendo uma abordagem mais integrada e humanizada no cuidado.

DESCRITORES: Terapias Espirituais; Enfermeiros; Unidades de Terapia Intensiva.

INTRODUÇÃO

O cuidado espiritual tem emergido como um componente essencial do atendimento integral aos pacientes, particularmente em ambientes de alta complexidade, como as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Neste contexto, onde os pacientes enfrentam condições críticas e frequentemente experimentam profunda vulnerabilidade, a abordagem às necessidades espirituais pode desempenhar um papel significativo na melhoria da qualidade de vida e na experiência do cuidado (1). No entanto, a forma como os enfermeiros compreendem e implementam esse aspecto do cuidado varia amplamente, refletindo uma diversidade de percepções e práticas (2).

Este estudo visa explorar como os enfermeiros compreendem e abordam as necessidades espirituais dos pacientes em UTIs, com o objetivo de identificar as estratégias empregadas, as barreiras encontradas e as percepções sobre a importância do cuidado espiritual na prática clínica. A pesquisa se baseia na premissa de que, apesar da crescente conscientização sobre a relevância do cuidado espiritual, existem desafios significativos na sua aplicação prática (3).

As possíveis respostas para o problema de pesquisa incluem a identificação de barreiras como a falta de treinamento específico, recursos inadequados e a necessidade de uma integração mais robusta do cuidado espiritual na rotina de enfermagem (2). A análise dessas questões poderá revelar como esses fatores impactam a implementação do cuidado espiritual em UTIs.

O objetivo geral deste trabalho é compreender as práticas e desafios enfrentados pelos enfermeiros no cuidado espiritual em UTIs. Os objetivos específicos incluem mapear as estratégias utilizadas, identificar as barreiras e analisar as percepções dos enfermeiros sobre a importância desse cuidado.

A relevância deste trabalho acadêmico reside em sua contribuição para a formação profissional de enfermeiros e para a melhoria da qualidade do cuidado oferecido aos pacientes críticos. Ao identificar lacunas e desafios na prática, o estudo poderá embasar futuras iniciativas que promovam uma abordagem mais integrada e eficaz do cuidado espiritual nas UTIs, beneficiando não apenas os pacientes, mas também a equipe de saúde e a comunidade científica.

MÉTODO

Este estudo é uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL), cujo propósito é reunir, avaliar e sintetizar os achados de pesquisas publicadas sobre um tema ou conteúdo específico. Para orientar o processo, foram seguidas as diretrizes estabelecidas pelo Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) (4), e o modelo de revisão em seis etapas, que são: (1) formulação da questão principal; (2) busca e seleção na literatura; (3) coleta de dados; (4) análise crítica dos estudos selecionados; (5) interpretação e discussão dos resultados; e (6) apresentação da revisão e síntese dos achados (5).

Na Fase 1, a estratégia PICO (6) foi utilizada para elaborar a questão principal, que foi formulada da seguinte maneira: “Como os enfermeiros entendem as necessidades espirituais dos pacientes em UTI?”  

Na fase 2, foram definidos os critérios para inclusão e exclusão dos estudos. O conjunto de artigos analisados nesta Revisão Integrativa da Literatura (RIL) foi composto por publicações indexadas em bases de dados, especificadas a seguir, abrangendo o período de janeiro de 2019 a julho de 2024. Optou-se por esse recorte temporal de cinco anos para capturar a produção mais recente sobre o tema. Os artigos incluídos estavam disponíveis na íntegra online, em português, espanhol ou inglês, e respondiam à questão principal da pesquisa. Foram excluídos os artigos que não apresentavam uma relação clara com o tema após leitura de título e resumo, além de estudos secundários, relatos de caso, literatura cinzenta, reflexões e editoriais. Artigos encontrados em múltiplas bases de dados foram considerados apenas uma vez.

A coleta de dados foi efetuada nos meses de junho e julho de 2024, utilizando as seguintes bases de dados: Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Publisher Medline (PUBMED), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scopus, Web of Science e Embase, acessadas através da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e do periódico CAPES. Para realizar as buscas, foram utilizados cruzamentos avançados com base em Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH), incluindo os termos "Spiritual Therapies", "Nurses" e "Intensive Care Units" (7). A estratégia de busca combinou esses termos com o operador booleano "AND", formando a consulta: Spiritual Therapies AND Nurses AND Intensive Care Units, aplicada nas bases de dados mencionadas.

Com base no método de cruzamento e seleção, foram localizadas 153 publicações nas bases de dados mencionadas. Dessas, foram excluídas as que não atendiam aos critérios de inclusão e as duplicadas, restando 66 publicações únicas. Após uma análise crítica dos títulos e resumos, 56 publicações foram descartadas por não cumprirem o objetivo da revisão. Assim, 07 publicações foram selecionadas para leitura completa, das quais 01 foi eliminada por não se alinhar com a questão principal. O processo de aplicação dos filtros resultou na seleção final de 06 estudos, com base na relevância e na qualidade dos dados para a revisão. O fluxograma das buscas está ilustrado na Figura 1, conforme as diretrizes do método PRISMA.

Na fase 3, foi realizada a categorização dos artigos com base nas informações extraídas diretamente de cada publicação e organizadas em uma tabela. As informações incluídas foram: título, autores/ano, país, periódico, objetivo e resultados relacionados à questão principal. Para determinar o grau de evidência dos artigos, foi utilizada uma hierarquia de categorias, conforme segue: (I) revisões sistemáticas ou meta-análises; (II) ensaios clínicos randomizados; (III) ensaios clínicos controlados sem randomização; (IV) estudos de caso-controle ou coorte; (V) revisões sistemáticas ou estudos descritivos; (VI) estudos qualitativos e descritivos; e (VII) opiniões ou consensos (8).

        Na fase 4, foi realizada uma análise sistemática dos materiais, resultados e discussões, com o objetivo de sintetizar os elementos que influenciam a questão principal. Posteriormente, nas fases 5 e 6, foram interpretados e discutidos os resultados com base na literatura existente, e apresentada a síntese do conhecimento obtido, que constitui a revisão integrativa da literatura.

Como este estudo utiliza dados secundários de domínio público, não é necessária a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), conforme estipulado pela Resolução 446/12 (9).

RESULTADOS

Fonte: Elaborado pelas autoras, 2024.

Em relação às publicações definidas, obteve-se artigos dos anos de 2022 e 2023, sendo 03 de 2022 e 03 de 2023, todos de caráter qualitativo, e apenas uma publicação em veículo nacional. Todos os estudos incluídos foram caracterizados e classificados de acordo com o nível de evidência, conforme mostra o Quadro 1. Apresentamos a síntese dos elementos que repercutem na compreensão e implementação do cuidado espiritual fornecidos por enfermeiros em UTIs.

Quadro 1. Síntese dos estudos selecionados para a revisão integrativa. Juiz de Fora - MG, Brasil, 2024.

Autor(es)/Ano/

Periódico

Título

Objetivo

Nível de Evidência

Abu-Snieneh H.M; Abdelaziz E.M,

2022

Psycology Health E Medicine

Percepções dos enfermeiros sobre a competência do cuidado espiritual em unidades de terapia intensiva.

O objetivo deste estudo foi descrever a capacidade autopercebida dos enfermeiros em fornecer cuidados espirituais a pacientes em Unidades de Terapia Intensiva.

Vl

Kurtgöz A., Edis E.K, Erarslan R.,

2023,

Journal Of Religion And Health

Competências de Cuidado Espiritual e a Frequência de Práticas de Cuidado Espiritual de Enfermeiros na Turquia.

Objetivo determinar as competências de cuidado espiritual e a frequência de práticas de cuidado espiritual de enfermeiros.

Vl

Bulut T.Y, Cekic Y., Altay B.,

2023,

 Intensive And Critical Care Nursing

Os efeitos da intervenção de cuidado espiritual no bem-estar espiritual, solidão, esperança e satisfação com a vida de pacientes de unidade

de terapia intensiva.

O presente estudo foi conduzido para examinar os efeitos das intervenções de cuidado espiritual no bem-estar espiritual,

solidão, esperança e satisfação com a vida de pacientes tratados em terapia intensiva.

ll

Torrejon et al.,

 2023,

Journal Religion Health

Espiritualidade em Cuidados Críticos: Um Estudo Observacional das Percepções de Profissionais, Pacientes e Famílias, na Espanha e na

América Latina.

Esta pesquisa tem como objetivo descrever as perspectivas de profissionais de saúde, pacientes e familiares sobre opções de cuidados espirituais em unidades de terapia intensiva.

Vl

Badanta B, Estefánía R.G, Giancardoc L, Rocío D.C,

2022,

Nursing In Critical Care

A influência da espiritualidade e da religião na enfermagem de cuidados intensivos:

uma revisão integrativa.

Revisar criticamente as evidências empíricas sobre a influência da espiritualidade e da religião na enfermagem de cuidados intensivos.

Vl

Batista V.M Et Al. 2022,

Revista Gaúcha De Enfermagem

Cuidado espiritual prestado pela equipe de enfermagem à pessoa em paliação em terapia intensiva.

Compreender como ocorre o cuidado espiritual prestado pela equipe de enfermagem à pessoa em tratamento paliativo na Unidade de Terapia Intensiva.

Vl

Fonte: Elaborado pela autora, 2024.

DISCUSSÃO

        O reduzido número de trabalhos que abordam temáticas relativas ao cuidado espiritual ofertado por enfermeiros em ambientes de UTIs ficou evidente através dessa busca realizada. Dos 153 estudos inicialmente encontrados nas bases de dados através dos filtros utilizados e combinações de operadores booleanos, apenas 06 contemplaram os critérios de inclusão para leitura minuciosa e posterior análise. Isso demonstra que a Enfermagem, nesse ambiente laboral de Unidades de Terapias Intensivas, tem um longo caminho a percorrer em relação à sua atuação voltada para o cuidado espiritual, e consequentemente, à publicação de investigações nessa área.

O enfermeiro, como membro da equipe multiprofissional que normalmente está mais próximo dos pacientes, e por permanecerem grande parte dos turnos de trabalho em contato direto com os mesmos, desempenha um papel fundamental tanto na identificação quanto no apoio das necessidades desses, de uma forma geral, incluindo o cuidado espiritual. Porém, a percepção de competência dos próprios enfermeiros para ofertar esse cuidado varia consideravelmente: enquanto alguns se sentem seguros em suas habilidades, outros acreditam que necessitam de mais treinamento e suporte para desenvolver tais aptidões10.

Em uma pesquisa realizada em 2023 11, ficou evidenciado que os enfermeiros que receberam treinamento sobre o cuidado espiritual apresentaram maior confiança e competência para lidar com questões existenciais e espirituais dos pacientes em UTIs.

No entanto, o preparo inadequado e as limitações organizacionais muitas vezes impedem que os enfermeiros possam explorar todo o potencial dessa dimensão do cuidado. Destaca-se ainda, com essa revisão de literatura, que a percepção de competência está diretamente relacionada ao apoio institucional e à disponibilidade de recursos, como a existência de protocolos claros e a presença de profissionais especializados em espiritualidade, que podem auxiliar os enfermeiros a integrar essa prática na assistência cotidiana10.

Esses achados convergem com outro estudo recente12, que ressaltaram a importância da educação em espiritualidade para enfermeiros, destacando que intervenções focadas nessa área podem aumentar a confiança e a eficácia dos profissionais ao abordar as necessidades espirituais dos pacientes.

Além disso, autores enfatizam que o cuidado espiritual está intimamente ligado à prática humanizada em UTIs, onde os pacientes frequentemente enfrentam desafios existenciais 13. Os autores destacaram que, apesar das dificuldades, o cuidado espiritual pode melhorar significativamente a experiência dos pacientes, promovendo conforto emocional e alívio do sofrimento.

No contexto ibero-americano, estudos trouxeram perspectivas complementares, destacando o papel cultural no cuidado espiritual 14,15, enfatizando a necessidade de práticas culturalmente sensíveis para abordar as diversidades religiosas e filosóficas dos pacientes 14, bem como a análise de como a formação em espiritualidade pode impactar positivamente a percepção dos enfermeiros sobre sua competência, reforçando a importância de incluir esse tema em currículos de enfermagem e programas de educação continuada 15. Esses estudos convergem ao afirmar que o cuidado espiritual é um componente essencial da assistência integral, exigindo esforços institucionais e educacionais para superar barreiras e melhorar sua implementação em UTIs.

Os profissionais reconhecem a necessidade de suporte adicional para proporcionar um cuidado espiritual completo e humanizado. Existe uma demanda crescente por uma maior integração do cuidado espiritual na prática de enfermagem, especialmente em contextos críticos, como as UTIs, caracterizados pela alta tecnologia e foco no cuidado físico, sendo um espaço desafiador para a implementação de práticas espirituais. No entanto, diferentes estudos sugerem que os enfermeiros podem atuar de forma significativa no cuidado espiritual por meio da criação de uma atmosfera acolhedora e respeitosa, onde os pacientes e suas famílias se sintam à vontade para expressar suas crenças e angústias16.

Todos os estudos analisados nessa revisão ressaltam a importância do cuidado espiritual nesses ambientes e afirmam que, tanto enfermeiros quanto pacientes, reconhecem seu valor para o bem-estar e conforto, considerando-o essencial para a recuperação, além de ajudar a reduzir a solidão e aumentar a esperança e a satisfação com a vida.

A formação dos enfermeiros em aspectos de cuidado espiritual é essencial para que a assistência integral, que abrange o corpo, a mente e o espírito, seja efetiva e humanizada. Assim, os enfermeiros têm se mostrado peças-chave na promoção de um cuidado holístico que respeita as crenças espirituais dos pacientes e contribui para a sua dignidade e conforto em momentos de vulnerabilidade extrema 17.

O cuidado espiritual é amplamente reconhecido como benéfico para o bem-estar dos pacientes, contribuindo para a redução da solidão e o aumento da esperança e satisfação com a vida. Qualidades como empatia, compaixão e respeito pelas crenças dos pacientes são essenciais para um cuidado eficaz e humanizado. Práticas recomendadas, como oferecer palavras de encorajamento e apoio religioso, enfatizam a importância do suporte emocional e espiritual, alinhando-se a uma abordagem holística centrada no paciente 18.

Destacamos como desafios observados dentro dessa temática a inadequação da preparação e do treinamento dos enfermeiros para a prestação de cuidados espirituais eficazes. A escassez de conhecimento específico e a necessidade de formação contínua são barreiras significativas a serem superadas. Além disso, as diferenças culturais e religiosas influenciam tanto a implementação quanto a percepção do cuidado espiritual, gerando desafios para os enfermeiros ao lidarem com a diversidade de seus pacientes.

A maioria dos estudos aponta para a urgência de programas de treinamento mais robustos, que capacitem os enfermeiros a oferecer cuidados espirituais de maneira adequada. Outro aspecto frequentemente mencionado é a ausência de uma estrutura clara e de recursos dedicados ao cuidado espiritual. Para preencher essas lacunas, alguns pesquisadores sugerem a inclusão de capelães ou especialistas em espiritualidade nas equipes de saúde.

Além disso, a abordagem ao cuidado espiritual pode variar consideravelmente entre diferentes regiões e culturas. As práticas e percepções relacionadas à espiritualidade e à religião moldam a forma como esses cuidados são oferecidos e recebidos.

Assim sendo, esses pontos comuns indicam uma ampla consciência sobre a importância do cuidado espiritual e as necessidades de aprimoramento na formação e prática dos enfermeiros para atender melhor às necessidades espirituais dos pacientes em UTIs.

Os resultados mostram uma variação significativa na percepção de competência dos enfermeiros em relação ao cuidado espiritual, influenciada por diferenças na formação, experiência e atitudes individuais. Enquanto alguns se sentem capacitados, outros reconhecem a necessidade de mais treinamento e suporte. Contudo, a demanda por uma maior integração do cuidado espiritual na prática clínica, especialmente em contextos críticos, revela que a situação atual ainda não atende plenamente às necessidades e expectativas 19.

Entretanto, a falta de preparação e treinamento adequado representa uma barreira significativa para a implementação efetiva do cuidado espiritual. A necessidade de formação contínua e conhecimento específico destaca a importância de programas de treinamento robustos.

Além disso, as diferenças culturais e religiosas exigem que os enfermeiros sejam sensíveis e adaptáveis às diversas necessidades espirituais. A ausência de uma estrutura clara e de recursos dedicados ao cuidado espiritual, aponta para lacunas na infraestrutura de suporte que devem ser abordadas para melhorar a qualidade do cuidado espiritual.

  1. CONCLUSÃO

A investigação revelou variação na compreensão dos enfermeiros sobre o cuidado espiritual em UTIs. Alguns se sentem competentes, enquanto outros necessitam de mais treinamento e suporte. A competência em cuidado espiritual está ligada ao bem-estar dos enfermeiros e sua atitude positiva em relação à espiritualidade. Há um consenso sobre a necessidade de suporte adicional e maior integração desse cuidado na prática de enfermagem.

As estratégias de cuidado espiritual são eficazes na promoção do bem-estar dos pacientes, reduzindo a solidão e aumentando a esperança e satisfação com a vida. Qualidades como empatia e respeito pelas crenças dos pacientes são essenciais. No entanto, faltam preparação adequada e treinamento contínuo, e as diferenças culturais e religiosas criam desafios adicionais. Recomenda-se o fortalecimento dos programas de treinamento e a inclusão de especialistas em espiritualidade para superar essas dificuldades.

Esses resultados destacam a importância do cuidado espiritual e a necessidade de melhorar a formação e prática dos enfermeiros para atender melhor às necessidades espirituais dos pacientes em UTIs. É necessário, dessa forma, que a temática relativa ao cuidado espiritual seja incentivada, tanto nos cursos de formação como na prática clínica cotidiana.

Esses pontos comuns demonstram uma crescente consciência sobre a importância do cuidado espiritual e destacam a necessidade urgente de aprimorar a formação e a prática dos enfermeiros. A integração mais efetiva do cuidado espiritual nas UTIs não só melhoraria a qualidade de vida dos pacientes, mas também fortaleceria o papel dos enfermeiros na oferta de cuidados holísticos e compassivos. Para alcançar esses objetivos, é essencial superar as barreiras identificadas e implementar mudanças estruturais e educacionais que atendam às necessidades espirituais dos pacientes de forma mais eficaz.

        

REFERÊNCIAS

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