CONSTRUÇÃO DE UMA CARTILHA INSTRUTIVA PARA PACIENTES INTERNADOS COM ÊNFASE NA CULTURA DE SEGURANÇA DO PACIENTE
2Adane Domingues Viana
3Gisella de Carvalho Queluci
4Jackeline Franco Couto
5Teresa Tonini
1 Mestranda do PPGSTEH, Enfermeira do Hospital das Clínicas da UFPE. orcid.org/0000-0002-1352-0254
2 Enfermeira, Doutora em Ciências pelo Programa de Pós- Graduação em Enfermagem e Biociências da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro- UNIRIO. orcid.org/0000-0001-9783-2716
3 Doutora em enfermagem. Professora Associada do Departamento de Enfermagem Fundamental da EEAP/ UNIRIO. orcid.org/0000-0003-0496-8513
4 Enfermeira, Doutora em Ciências pelo Programa de Pós- Graduação em Enfermagem e Biociências da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro- UNIRIO. orcid.org/0000-0002-7720-0102
5Doutora em enfermagem. Professora Associada do departamento de Enfermagem Fundamental da EEAP/ UNIRIO. orcid.org/0000-0002-5253-2485
Resumo
Introdução: O engajamento é um modo de garantir a proteção e de respeitar os direitos das pessoas no campo da saúde, tais como o acesso à informação, a privacidade, a tomada de decisão compartilhada sobre a terapêutica clínica, e o consentimento informado. A efetiva participação dos pacientes, família e acompanhantes ainda é incipiente como uma cultura de segurança. Objetivo: Criar cartilha instrutiva com foco nas ações educativas sobre a cultura de segurança do paciente, destinada aos pacientes, família e acompanhantes de um hospital universitário. Método: Pesquisa metodológica do tipo descritiva. Baseou-se nos 8 passos estabelecidos por Ribeiro e Queluci (2022). O roteiro foi estruturado em três partes (capítulos) baseadas nos tipos de ações para o cuidado seguro. A primeira parte trata das ações educativas; a segunda foca as ações para desenvolver a autonomia do paciente, família e acompanhantes; a terceira apresenta ações para ampliar a participação de todos, incluindo os profissionais de saúde. Resultados: Aborda-se a cultura de segurança do paciente, os riscos e a notificação de incidentes nos processos gerenciais e assistenciais, as metas internacionais para o cuidado seguro, os direitos como paciente e como participar efetivamente para assegurar uma cultura de segurança nos hospitais. Considerações finais: A partir desse conhecimento, será possível assegurar o engajamento do paciente, família e acompanha como componente-chave para a comunicação efetiva e o cuidado seguro, uma vez que envolve a proteção individual e coletiva dos usuários, o respeito dos seus direitos no cuidado em saúde, o acesso à informação, a privacidade, a tomada de decisão compartilhada sobre a terapêutica clínica e o consentimento informado.
Descritores: Cultura de Segurança do paciente; Segurança do Paciente; Notificação; Engajamento do Paciente
CONSTRUCTION OF AN INSTRUCTIONAL BOOKLET FOR HOSPITALIZED PATIENTS WITH EMPHASIS ON PATIENT SAFETY CULTURE
Abstract
Introduction: Engagement is a way to ensure protection and respect for people's rights in the health field, such as access to information, privacy, shared decision-making about clinical therapy, and informed consent. The effective participation of patients, families, and companions is still incipient as a safety culture. Objective: To create an instructional booklet focused on educational actions on patient safety culture, aimed at patients, families, and companions of a university hospital. Method: Descriptive methodological research. It was based on the 8 steps established by Ribeiro and Queluci (2022). The script was structured in three parts (chapters) based on the types of actions for safe care. The first part deals with educational actions; the second focuses on actions to develop the autonomy of patients, families, and companions; the third presents actions to increase the participation of all, including health professionals. Results: The study addresses patient safety culture, risks and incident reporting in management and care processes, international goals for safe care, patient rights and how to effectively participate to ensure a safety culture in hospitals. Final considerations: Based on this knowledge, it will be possible to ensure patient, family and companion engagement as a key component for effective communication and safe care, since it involves the individual and collective protection of users, respect for their rights in health care, access to information, privacy, shared decision-making on clinical therapy and informed consent.
Descriptors: Patient Safety Culture; Patient Safety; Notification; Patient Engagement
CONSTRUCCIÓN DE UN CUADERNO DE INSTRUCCIÓN PARA PACIENTES HOSPITALARIOS CON ÉNFASIS EN CULTURA DE SEGURIDAD DEL PACIENTE
Resumen
Introducción: El compromiso es una forma de garantizar la protección y el respeto de los derechos de las personas en el ámbito de la salud, como el acceso a la información, la privacidad, la toma de decisiones compartida sobre la terapia clínica y el consentimiento informado. La participación efectiva de pacientes, familiares y acompañantes está aún en sus inicios como cultura de seguridad. Objetivo: Elaborar un folleto instructivo enfocado a acciones educativas sobre cultura de seguridad del paciente, dirigido a pacientes, familiares y acompañantes de un hospital universitario. Método: Investigación metodológica descriptiva. Se basó en los 8 pasos establecidos por Ribeiro y Queluci (2022). El guión se estructuró en tres partes (capítulos) en función de los tipos de acciones para una atención segura. La primera parte trata de acciones educativas; el segundo se centra en acciones para desarrollar la autonomía del paciente, familiares y acompañantes; el tercero presenta acciones para incrementar la participación de todos, incluidos los profesionales de la salud. Resultados: Se aborda la cultura de seguridad del paciente, la notificación de riesgos e incidentes en los procesos de gestión y atención, los objetivos internacionales para una atención segura, los derechos de los pacientes y cómo participar eficazmente para garantizar una cultura de seguridad en los hospitales. Consideraciones finales: A partir de este conocimiento será posible asegurar la participación del paciente, familia y cuidadores como componente clave para una comunicación efectiva y una atención segura, ya que involucra la protección individual y colectiva de los usuarios, el respeto a sus derechos en la atención médica, el acceso a la información, la privacidad, la toma de decisiones compartida sobre la terapia clínica y el consentimiento informado.
Descriptores: Cultura de Seguridad del Paciente; Seguridad del Paciente; Notificación; Compromiso del paciente
A segurança do paciente é um tema de dimensão mundial, julgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como fator primordial na assistência à saúde, visto que durante o seguimento de cuidar encontra-se evidências de insegurança para o paciente, ocasionando aumento da morbidade e mortalidade evitáveis e elevação dos custos com a saúde1.
Esse cuidado seguro vem alcançando maior visibilidade na área hospitalar, com o desenvolvimento de estratégias de prevenção ao risco e de intervenções de segurança ao paciente que propiciem a melhoria da qualidade na assistência prestada. Mudanças no comportamento dos trabalhadores são necessárias para a eficiência e eficácia dessas intervenções, devendo-se fazer parte ativamente do processo de trabalho e de cuidar, sob a concepção de uma cultura de segurança no ambiente hospitalar2. Conforme a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 36, a cultura da segurança diz respeito ao “conjunto de valores, atitudes, competências e comportamentos que determinam o comprometimento com a gestão da saúde e da segurança, substituindo a culpa e a punição pela oportunidade de aprender com as falhas e melhorar a atenção à saúde”3.
Nesse movimento mundial, o Brasil instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), por meio de a publicação da Portaria 529/2013 do Ministério da Saúde (MS) e colocado em vigor pela Portaria de Consolidação 5/2017, que em seu Capítulo VIII (artigos 157 a 166), determina “as normas sobre as ações e os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde”, objetivando “mitigar o risco de eventos adversos mediante qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do território nacional (artigo 2º)”4,5 .
O evento adverso caracteriza os incidentes (evento ou circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário ao paciente), que têm como consequência o dano ao paciente, comprometendo a estrutura ou função do corpo e/ou qualquer efeito dele oriundo, incluindo-se lesão, sofrimento, morte, incapacidade ou disfunção, podendo ser físico, social ou psicológico3. Notificar a ocorrência desses eventos é fundamental para a segurança do paciente. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) define notificação como o ato de comunicar a ocorrência de eventos, problemas ou situações associadas a produtos e serviços, podendo ser notificados eventos adversos e queixas técnicas sobre produtos e serviços relacionados à vigilância sanitária, ajudando na tomada de medidas de proteção e promoção à saúde6.
Esforços envidados em prol da implantação dessa cultura nas organizações de saúde têm sido insuficientes para ampliar a adesão massiva dos trabalhadores de saúde7,2. Oferecer um espaço de confiabilidade aos trabalhadores pelos gestores hospitalares é essencial para que consigam comunicar as falhas sucedidas durante a assistência prestada ao paciente, discutindo o ocorrido, observando conjuntamente o contexto da situação, conhecendo as vulnerabilidades que desencadearam essas falhas com a finalidade de fortalecer esse vínculo, e aperfeiçoando técnicas de diálogo8.
Envolver-se com a segurança do paciente não é prerrogativa exclusiva de trabalhadores e gestores de saúde. O inciso II do artigo 3º da Portaria 529/2013 estabelece o envolvimento dos pacientes e familiares nas ações de segurança, mas sem detalhar como o engajamento é instituído na prática4,5. Engajar é um modo de garantir a proteção e de respeitar os direitos das pessoas no campo da saúde, tais como o acesso à informação, a privacidade, a tomada de decisão compartilhada sobre a terapêutica clínica, e o consentimento informado9.
Reconhecer o engajamento do paciente, família e acompanhante como componente-chave para um cuidado seguro implica na adoção de estratégias para evitar incidentes e promover melhores resultados. Essas estratégias estão sistematizadas em quatro tipos de ação em prol do cuidado seguro: ações educativas, ações para desenvolver a autonomia do paciente, ações para ampliar a participação de todos, ações de incentivo para tornar pacientes, família e acompanhante parceiros na identificação e notificação de incidentes com ou sem danos no cuidado em saúde. Entre essas estratégias, destaca-se ações educativas por seu baixo custo de implantação, como a de instituir cartilhas instrucionais10 sobre as morbidades, riscos e notificação de incidentes nos processos gerenciais e assistenciais, as metas internacionais para o cuidado seguro e as medidas necessárias para assegurar uma cultura de segurança nos hospitais.
Considerando a magnitude do engajamento de paciente, família e acompanhantes para um cuidado seguro, o objetivo foi criar cartilha instrutiva com foco nas ações educativas sobre a cultura de segurança do paciente, destinada aos pacientes, família e acompanhantes de um hospital universitário.
Trata-se de uma pesquisa metodológica do tipo descritiva para o desenvolvimento de uma cartilha instrutiva com a finalidade de ampliar o conhecimento dos usuários da unidade de internação sobre a cultura de segurança do paciente e apresentar um conjunto de intervenções possíveis para melhoria da qualidade da segurança do paciente.
A construção da cartilha instrucional baseou-se em quatro etapas, a primeira foi a revisão integrativa, a segunda foi o desenvolvimento do conteúdo e criação dos personagens, a terceira foi os 8 passos estabelecidos11 e a quarta foi o processo de registro da cartilha (Figura 1).
A revisão integrativa foi conduzida como um dos métodos para incorporar evidências na prática clínica com o objetivo de fundamentar o tema e desenvolver os personagens, visando o conhecimento sobre a cultura de segurança do paciente.
Figura 1.
Fonte: Passo a passo para elaboração de cartilhas. Larissa Artimos Ribeiro e Gisella de Carvalho Queluci (2022).
O roteiro da cartilha foi estruturado em três partes, denominadas de capítulos, baseadas nos tipos de ações para o cuidado seguro. A primeira parte trata das ações educativas; a segunda foca as ações para desenvolver a autonomia do paciente, família e acompanhante; a terceira apresenta ações para ampliar a participação de todos, incluindo os profissionais de saúde. Utilizou-se imagens da Anvisa sobre a segurança do paciente, como também cards caracterizando as seis Metas Internacionais de Segurança do Paciente e criação das personagens.
A apresentação da cartilha é em formato impresso e virtual.
Aspectos Éticos
Considerando que não há participação de seres humanos nesta pesquisa, não houve submissão ao Comitê de Ética e Pesquisa com solicitação da dispensa do TCLE12,13.
A partir da revisão integrativa, foram estruturados o tema e o desenvolvimento dos personagens, além da elaboração e registro da cartilha destinada ao paciente, acompanhante e familiares. Seu conteúdo é constituído de informações sobre a cultura de segurança do paciente, com a finalidade de ampliar o conhecimento sobre o tema para colaborar na melhoria da qualidade da assistência prestada ao paciente internado no hospital. Adotou-se uma abordagem clara e objetiva com linguagem simples para melhor entendimento do conteúdo por parte dos leitores.
3.1 Estruturação do tema
Com base na identificação da necessidade de se compreender a importância da notificação de eventos adversos e o monitoramento de indicadores de qualidade relacionados à assistência, o tema da cartilha foi estruturado na descrição do panorama situacional e do desenvolvimento de estratégias promotoras da segurança do paciente. Destaca-se a importância da equipe de profissionais de saúde como acolhedores e norteadores dos pacientes, família e acompanhante, com assunção de corresponsabilidade na criação de barreiras de proteção e na implementação de ações preventivas para minimizar danos no cuidado em saúde.
A relevância do aprendizado a partir dos erros é mandatória para uma abordagem não punitiva e para contínua melhoria da prática assistencial e gerencial. A implementação das metas de segurança proporcionou o avanço das Boas Práticas no funcionamento das instituições de saúde e moldaram a cultura de segurança no cuidado de ao paciente, substituindo padrões consolidados ao longo dos anos, incentivando os trabalhadores de saúde a apontarem os erros e não os culpados, enfatizando o entendimento de cada um sobre sua importância no processo de segurança do paciente14.
As Boas Práticas de Funcionamento para os Serviços de Saúde têm por objetivo estabelecer requisitos fundamentados na qualificação, na humanização da atenção e gestão, e na redução e controle de riscos aos usuários e ao meio ambiente. O serviço de saúde deve estabelecer estratégias e ações voltadas para Segurança do Paciente, tais como: I. Mecanismos de identificação do paciente; II. Orientações para a higienização das mãos; III. Ações de prevenção e controle de eventos adversos relacionados à assistência à saúde; IV. Mecanismos para garantir segurança cirúrgica; V. Orientações para administração segura de medicamentos, sangue e hemocomponentes; VI. Mecanismos para prevenção de quedas dos pacientes; VII. Mecanismos para a prevenção de úlceras por pressão15.
3.2 Criação das personagens
A segurança do paciente vem alcançando maior visibilidade na área hospitalar, com intervenções promotoras de excelência dos serviços de saúde. Instituir essas intervenções requer mudanças comportamentais e atitudinais dos profissionais e o reconhecimento dos pacientes como participante ativo desse processo para oferta de cuidados seguros e pela concepção de uma cultura de segurança2.
As personagens foram criadas a partir da necessidade do engajamento de todos que fazem parte do processo do cuidado seguro e a promoção da cultura de segurança do paciente.
As enfermeiras Florence e Anna Nery representam os profissionais de saúde; Joana representa o paciente; Pais, Filhos e Sobrinhos representam a família; Amigos e Cuidadores representam o acompanhante.
Para narrar o roteiro criado, escolheu-se os personagens, as enfermeiras Florence e Anna. Florence e Anna relatam a importância da segurança do paciente, informando o empenho dos órgãos de saúde a nível mundial e nacional através das datas comemorativas que incentivam a participação da sociedade nesse tema tão relevante, sendo 17 de setembro o dia mundial de segurança do paciente e 01 de abril o dia nacional de segurança do paciente. Continua falando sobre o significado dos termos usados com frequência, como: Evento adverso; Segurança do paciente; Cultura de segurança e: Notificação do Evento Adverso. Enfatizando as metas internacionais de segurança do paciente de forma interativa. Mostrando a importância da notificação do evento adverso e ensinando o passo a passo para o cidadão, compreendido como o paciente, família ou acompanhante, a realizar a notificação.
O narrador é essencial para guiar o leitor por toda a narrativa, podendo ofuscar o protagonismo da personagem principal - Joana. Para que isso não ocorresse, elas se tornaram os responsáveis pela mediação com a Joana e os demais personagens - família e acompanhante, representados pela figura onde todos estão reunidos.
3.3 Conteúdo da cartilha
Em 2005, a Aliança Mundial constatou seis áreas de intervenções, direcionadas a “Soluções para a Segurança do Paciente”, com a finalidade de propiciar avanços inerentes à assistência em saúde. A essas soluções se denominou Metas Internacionais de Segurança, distribuídas em seis, a saber: Meta 1 - Identificar os pacientes corretamente; Meta 2 - Melhorar a efetividade da comunicação entre profissionais da assistência; Meta 3 - Melhorar a segurança de medicações de alta vigilância (high-alert medications); Meta 4 - Assegurar cirurgias com local de intervenção correto, procedimento correto e paciente correto; Meta 5 - Reduzir o risco de infecções associadas aos cuidados de saúde; e Meta 6 - Reduzir o risco de lesões aos pacientes, decorrentes de quedas16. Por isso, essas metas foram incorporadas no conteúdo da Cartilha de forma transversal, de modo que todas as ações estivessem articuladas às orientações apresentadas ao leitor.
O roteiro da cartilha foi estruturado em três partes, denominadas de capítulos, baseadas nos tipos de ações para o cuidado seguro, promovendo o conhecimento:
Figura 2. Ações educativas
Fonte: Cartilha – Como o paciente pode participar da segurança do paciente (ANDRADE et al., 2024).
Figura 3. Desenvolvimento da autonomia
Fonte: Cartilha – Como o paciente pode participar da segurança do paciente (ANDRADE et al., 2024).
Figura 4. Ampliando a participação de todos
Fonte: Cartilha – Como o paciente pode participar da segurança do paciente (ANDRADE et al., 2024).
Dada a sua complexidade tecnológica, assistencial e organizacional, há significativa chance de risco para incidentes nas intervenções a que os pacientes são expostos. O monitoramento desses riscos é de competência dos trabalhadores dessas instituições, que devem detectar e corrigir possíveis falhas, de modo a assegurar a segurança do paciente em todo seu ciclo de vida17. Do contrário, o alinhamento de duas ou mais falhas gera incidentes sem ou com danos, sendo este denominado de evento adverso4.
Estudos multidisciplinares têm avançado na defesa da ativa participação do paciente, família e acompanhante, como parceiros nas ações estratégicas gerenciais e nos processos de cuidados, para assegurar o alcance de metas e resultados eficientes voltados ao monitoramento de riscos e falhas e para melhoria da satisfação dos usuários18,19,9.
A Organização Pan-Americana da Saúde relata a ocorrência de eventos adversos em milhões de pacientes durante a assistência prestada, que totalizam um valor de 2,6 milhões de óbitos anualmente em países de baixa e média renda. Considerando que o maior percentual dessas ocorrências é evitável, identifica-se a magnitude do impacto gerado ao indivíduo, família e coletividade ao gerar perdas sociais, afetivas e financeiras que cursam na casa dos trilhões de dólares mundialmente16.
O PNSP, as diretrizes de organização do modelo de assistência em Redes de Atenção e a publicação da Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNHOSP) manifestam o empenho do governo brasileiro com o tema. Ressalta-se a aplicabilidade de instrumentos de gestão de risco, protocolos de segurança que venham a contribuir, agregando indicadores e proporcionando a cultura de segurança do paciente. Nesse contexto, a RDC 36 estabelece a obrigatoriedade de implantação do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) em serviços de saúde, com responsabilidade para executar ações do Plano de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde20.
A proposta da cartilha instrutiva levou em consideração a utilização de um instrumento informativo de forma pedagógica com a finalidade de alcançar os usuários de saúde para o aprendizado sobre o tema cultura de segurança do paciente.
A aplicabilidade de ferramentas educacionais de apoio estimula a comunicação verbal, sendo uma excelente estratégia aplicada aos adultos21.
A implantação de uma cultura em prol da segurança do paciente só é efetiva se profissional de saúde juntamente com o paciente, família e acompanhante, considerados usuários da saúde, entenderem que desempenham um papel crucial para o monitoramento de incidentes, sendo corresponsáveis. Manter um canal aberto entre o profissional de saúde e usuários da saúde para questionamentos quanto às práticas de cuidados a serem ofertados ao paciente é crucial para a exposição de suas dúvidas com possibilidades de compartilhamento do cuidado, aprendizado e trocas de saberes. Estabelecer uma comunicação eficaz e eficiente implica na promoção de educação continuada. para implantação de estratégias capazes de assegurar um canal para emissão de mensagens claras e sem ruídos.
A criação dessa cartilha com conteúdos educativos sobre a cultura de segurança do paciente amplia o conhecimento sobre o tema, construindo intervenções que podem reduzir a um nível aceitável a ocorrência de eventos adversos, sensibilizando profissionais de saúde, pacientes, família e acompanhantes nesse processo.
A partir desse conhecimento, será possível assegurar o engajamento do paciente, família e acompanhante como componente-chave para a comunicação efetiva e o cuidado seguro, uma vez que envolve a proteção individual e coletiva dos usuários, o respeito dos seus direitos no cuidado em saúde, o acesso à informação, a privacidade, a tomada de decisão compartilhada sobre a terapêutica clínica e o consentimento informado.
Essa cartilha é um produto com potencial de alto nível de impacto por assegurar os direitos do paciente e familiares no cuidado em saúde, favorecer mudanças efetivas e permanentes na autonomia deles sobre o tratamento das morbidades existentes, a promoção de cuidados seguros.