Você sabia que vacinas tomadas durante a gravidez ajudam a proteger o bebê contra diversas doenças ainda na barriga?

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O Brasil possui um calendário de imunização da gestante consolidado, além de disponibilizar gratuitamente os imunizantes nos postos de saúde do país.

A coqueluche é uma doença altamente contagiosa que afeta principalmente crianças menores de um ano. Em gestantes, uma dose da vacina dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, deve ser tomada a cada gestação, a partir da 20ª semana.

Sim! É possível proteger o bebê contra diversas doenças ainda na barriga. Com a imunização durante a gravidez, as mães podem proteger seus filhos contra a coqueluche, o tétano, a difteria, a hepatite B e a gripe, com vacinas que são especialmente recomendadas para as gestantes e estão disponíveis gratuitamente nos postos de saúde de todo o país, além das unidades privadas de vacinação.

Segundo o Dr. Emersom Mesquita, infectologista e gerente médico de vacinas da GSK, a imunização materna é um recurso importantíssimo para a proteção do filho ainda no útero.  “As vacinas recomendadas para as gestantes são seguras e visam exatamente a proteção das mamães e bebês. São todas inativadas, ou seja, são compostas por vírus ou bactérias mortos. Dessa forma, não apresentam riscos de causar infecção na gestante e no bebê. Com a vacinação, o corpo da mãe é estimulado a produzir anticorpos que são transferidos para o bebê através da placenta. Esses anticorpos que passam para o bebê, ainda em desenvolvimento, são fundamentais nos primeiros meses de vida, especialmente enquanto ele ainda não tem idade para receber as doses de rotina. Por isso, algumas vacinas devem ser repetidas a cada nova gestação, para proteger aquele novo bebê que está sendo gerado”, destaca.

No Brasil, o calendário habitual da gestante conta com quatro vacinas: a dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche; a dT que imuniza contra difteria e tétano; a vacina contra hepatite B; e a influenza (contra gripe).  Além dessas, atualmente a vacinação contra COVID-19 também está recomendada.  Todas são oferecidas gratuitamente nos postos de saúde, pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

Além da vacinação durante a gravidez, as mulheres que planejam engravidar também devem se atentar para a atualização da caderneta vacinal, garantindo a imunidade contra doenças que são preveníveis através da vacinação, mas que são contraindicadas durante a gestação.

Dr. Emersom explica: “Vacinas contra catapora, sarampo, caxumba, rubéola e HPV, por exemplo, são geralmente contraindicadas às gestantes e, por isso, devem ser administradas antes da gravidez e/ou no puerpério, mesmo que a mãe esteja amamentando. Após o nascimento do bebê, a vacinação materna é fundamental para quem não se imunizou antes, tanto para a proteção individual da mãe quanto para evitar a transmissão de doenças dela para o bebê. Já o bebê deve seguir o calendário de vacinação de crianças para gerar a sua própria proteção”.

A importância da imunização contra a coqueluche

A coqueluche é uma doença altamente contagiosa, que afeta principalmente crianças menores de um ano, podendo ser fatal.  Ela é transmitida por gotículas contaminadas pela bactéria Bordetella pertussis ao tossir, espirrar ou até mesmo falar. Em adultos costuma manifestar sintomas como mal-estar geral, secreção nasal, tosse seca e febre baixa, podendo ser confundida com outros quadros respiratórios e com frequência não é diagnosticada.  Nas crianças pequenas, que são o grupo mais vulnerável, a tosse é o sintoma que mais se destaca, podendo avançar para grave e descontrolada, comprometendo a respiração e até provocar vômitos e cansaço extremo.  Além disso, mais de 90% das crianças menores de 2 meses com a doença são hospitalizadas devido a complicações.

Dr. Emersom alerta sobre os perigos da coqueluche em crianças menores de um ano de idade, especialmente nos primeiros seis meses de vida:  “Antes dos seis meses de vida, os bebês ainda não completaram a maioria dos esquemas primários de vacinação e, com isso, são mais suscetíveis a infecções. Seguindo as recomendações de vacinação da gestante, a mãe pode ajudar a proteger o recém-nascido através da transferência de anticorpos dela para o bebê durante a gravidez, através da placenta. Assim, quando o bebê nasce, ele já tem alguma proteção oferecida pela mãe enquanto produz seus próprios anticorpos”.

Segundo o Calendário de Vacinação da gestante do Ministério da Saúde (MS), uma dose da vacina dTpa é recomendada a partir da 20ª semana de gestação. A vacina deve ser tomada a cada gestação.  Além do MS, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) também endossam a vacinação com dTpa a partir da 20ª semana de gestação, a cada gestação.

O Ministério da Saúde também dispõe de recomendações para gestantes nunca vacinadas ou com o histórico vacinal desconhecido. Neste caso, recomenda-se duas doses com a dT e uma dose de dTpa.

A importância de um casulo de proteção ao redor do novo bebê

Além da mãe, as pessoas que irão conviver com o bebê de forma mais próxima, como pai, irmãos, avós e babá, também precisam se vacinar contra a coqueluche, preferencialmente antes do nascimento.

“Como a mãe é, normalmente, a pessoa que fica mais próxima durante os primeiros meses de vida do bebê, geralmente ela é a principal transmissora da coqueluche em lactentes, sendo responsável por aproximadamente 39% dos casos, segundo um estudo. Mas as outras pessoas que irão conviver com o bebê de forma mais próxima também oferecem riscos e podem transmitir a doença. Diferentemente da imunização materna, em que a mulher deve se vacinar contra a coqueluche a cada gravidez, para os familiares nunca vacinados ou com o histórico vacinal desconhecido, recomenda-se uma dose de dTpa e duas doses de dT, para garantir três doses do componente tetânico. Reforços decenais, a cada 10 anos, com dTpa são recomendados após o esquema inicial”, explica Dr. Emersom.

Além de estar amplamente disponível na rede privada, a vacina dTpa também está disponível na rede pública para gestantes, todos os profissionais de saúde e para os receptores de transplante de células tronco hematopoiéticas. Com relação a vacina dT, está disponível para a população geral no sistema público.

Material destinado ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico.

 

Por: In Press Porter Novelli / Foto Ilustrativa: Freepik

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