Vacinas aprovadas precisam de duas doses para eficácia aferida

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Segundo especialista do Mackenzie, quando a maior parte da população está vacinada e protegida, o indivíduo torna-se uma barreira para a expansão do patógeno no ambiente

Foi aprovado no Brasil, nesta semana, o uso de duas vacinas para a imunização contra o novo coronavírus que já fez mais de duas milhões de vítimas fatais em todo o mundo. No país, as vacinas aprovadas pelo Governo Federal são a Coronavac, fabricada na China, e a Astrazeneca, oriunda do Reino Unido. É importante lembrar que ambas as vacinas aprovadas precisam de duas doses para a eficácia aferida.

O Governo Federal assumiu a responsabilidade de fornecimento da vacina pelo SUS (Sistema Único de Saúde) a todos os brasileiros, de acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Há um interesse por parte das clínicas particulares na aquisição de compras de doses de outras vacinas, que não estão sendo consideradas pelo Governo Federal, baseando-se na premissa de que não estariam tirando o direito de nenhum brasileiro se vacinar pelo SUS, mas ofereceriam o benefício de disponibilizar mais doses e reduzir os custos do Governo. Até o momento não há qualquer autorização para essa compra, nem tampouco pedidos para aprovação e registro de outras vacinas. O mais provável é que neste primeiro momento haja exclusividade do Governo Federal, que comprará e regulamentará a aplicação das doses de acordo com o seu plano de imunização.

A professora Camila Ramos, parasitóloga da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), salienta a importância das vacinas já que elas permitem que o nosso sistema imune esteja preparado para combater o patógeno que está no ambiente. “Há um efeito individual, pois ao tomar uma vacina o indivíduo estimula uma resposta imune de memória que será capaz de eliminar o patógeno completamente ou, ao menos, reduzir a carga infecciosa (quantidade de patógeno que inicia a infecção), de modo a tornar o quadro clínico assintomático ou brando. No entanto, o mais importante é o efeito comunitário da vacina, que só é alcançado quando a comunidade está vacinada (espera-se que, no geral, uma cobertura vacinal se mantenha próxima dos 95%)”.

A especialista exemplifica: “Imagine que em uma sala com 50 pessoas há três indivíduos que por algum motivo não puderam se vacinar. Se considerarmos que os demais estão protegidos, caso qualquer um desses 47 entre em contato com o patógeno, eles o destruirão rapidamente e impedirão a transmissão dele para os demais indivíduos – assim, mesmo aqueles três que não puderam se vacinar, conseguem diminuir muito a chance de “encontrarem” o patógeno no ambiente. Quando a maior parte da população está vacinada e protegida, o indivíduo torna-se barreiras para a expansão do patógeno no ambiente”.

O Governo Federal instituiu a vacinação em quatro fases. Sendo a primeira prioritária para profissionais da saúde, pessoas com mais de 75 anos, idosos em asilos e população indígena. Na segunda, idosos de 60 a 74 anos. Na terceira, pessoas com comorbidades, condições médicas que também favorecem um agravamento do quadro da covid-19, dentre elas doenças crônicas. E na última fase, professores, forças de segurança, trabalhadores do sistema prisional e pessoas privadas de liberdade.

A parasitologista afirma que ao tomar a vacina, o paciente não corre risco de se contaminar com o coronavírus. “No caso da CORONAVAC, o vírus foi inativado, ou seja, perdeu as características necessárias para se infectar células, já no caso da vacina de Oxford, o vírus vetor que é utilizado (Adenovírus), é um vírus de chipanzé que não causa doença no ser humano, que foi modificado para ter a capacidade de produzir a proteína SPIKE (S) do SARS-CoV-2, a qual é imunogênico e responsável pela produção de anticorpos neutralizantes (aqueles que impedem a entrada do vírus em nossas células)”.

Camila Ramos comenta que há vantagens e desvantagens sobre as duas vacinas aprovadas até o momento. “Acredito que, no momento em que estamos mais uma vez vivenciando aumento diário no número de internações e óbitos, a melhor vacina é aquela que pode, no menor prazo, reduzir esses índices. Dentre as duas opções que temos, ambas apresentaram eficácia acima de 50%, no entanto a Coronavac é a única disponível no momento, sem qualquer registro de caso grave ou óbito no período. Vale ressaltar que o público-alvo do estudo do Butantan foi exclusivamente para profissionais da saúde, muito expostos (aumentaria o risco)”.

“A vacina de Oxford/ AstraZeneca, além de apresentar uma eficácia superior (em média 70%), devido a “falhas” no protocolo, percebeu que um protocolo com a primeira dose baixa (meia dose) e a segunda dose padrão, e um intervalo de 12 semanas entre as duas doses, foram mais eficientes na redução do risco de infecção”, complementa. Se esses resultados de fato não sofreram influências da faixa etária dos participantes (todos que fizeram esse protocolo tinham entre 18-59 anos) ou mesmo pela diminuição do risco devido à redução da incidência no período (entre julho e outubro), estes dados dariam uma boa vantagem a ela, já que permitiram vacinar um número maior de pessoas (dose reduzida) e ofereceria mais tempo para produção, até o momento da segunda dose.

A professora da UPM finaliza dizendo que vale ressaltar que indivíduos com mais de 65 anos em ambos os estudos, representavam menos de 5% dos participantes. “É possível que quando as análises de subgrupos forem concluídas, tenhamos uma indicação por uma ou outra vacina para essa população”.

Fonte: Universidade Presbiteriana Mackenzie / Imagem ilustrativa: Pexels 

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