Puericultura médica: avaliação do crescimento e desenvolvimento do recém-nascido na consulta de rotina

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Durante a prática clínica no ambulatório de pediatria, nos deparamos com atendimentos de crianças recém-nascidas, sendo elas prematuras e a termo. Muitas das queixas das mães destas crianças estão relacionadas ao seu processo de crescimento, o qual envolve a avaliação e o acompanhamento da antropometria da criança (peso e estatura), bem como o seu desenvolvimento, sendo este influenciado pelos aspectos neuropsicomotores. A nutrição correta e satisfatória da criança é um dos principais fatores que devem ser observados durante a consulta médica de rotina. O leite materno é o principal nutriente que deve ser ofertado à criança exclusivamente até os seus seis meses, perdurando de forma suplementar até os dois anos de idade, caso a mãe não tenha nenhuma contraindicação para amamentar a criança. Ainda, é muito comum a mãe ter dúvidas sobre o cardápio nutricional da criança, bem como o seu período de introdução. Muitas não sabem diferenciar a fórmula láctea do suplemento e complemento infantil.

As fórmulas lácteas mais utilizadas são caracterizadas por serem fabricadas a partir do leite da vaca e modificadas para a necessidade nutricional conforme a idade da criança. É indicada a partir do nascimento, caso exista impossibilidade para amamentação. Já a fórmula láctea de seguimento é introduzida após os seis meses de vida da criança. Normalmente, o complemento diz respeito ao acréscimo da fórmula láctea na rotina alimentar antes dos seis meses, seja logo após as mamadas ou em intervalos regulares no lugar da mamada sem desmame completo. O suplemento é usado em casos específicos para aumentar o aporte calórico.

A introdução alimentar deve ser iniciada aos seis meses, podendo ser feita da seguinte maneira: leite materno ao acordar; uma fruta no meio da manhã; almoço entre 11h e 12h30min; leite materno de 13h às 14h; outra fruta às 15h30min; e jantar entre 17h e 19h30min. As frutas podem ser apresentadas nas seguintes modalidades: amassadas (exemplos: banana, mamão e abacate), raspadas (pêra, maçã) e na mão da criança (manga, laranja, melancia). Para o almoço, introduzir de dois a três legumes, feijão e uma colher de arroz bem cozido. Deve ser feita a introdução de proteínas também (ovo, boi, frango, peixe, porco). Tudo cozido de acordo com a preferência familiar de temperos (cheiro verde, alho, ervas e cebola) com pouco ou nenhum sal. Introduzir os sucos a partir de 1 ano e não estimular daquelas frutas com alto teor de frutose (manga, melancia e laranja). Os mesmos não podem ser adoçados e não inserir sobremesa até os cinco anos de idade.

Portanto, a puericultura médica realizada rotineiramente contribui com o diagnóstico, bem como com o acompanhamento de possíveis anormalidades que poderiam estar relacionadas com o déficit no crescimento e desenvolvimento, tais como baixo peso grave (desnutrição); baixa estatura; microcefalia; macrocefalia; anemia; obesidade; diabetes; hipertensão arterial sistêmica; podendo ser acompanhados pelos gráficos da curva de crescimento presentes na caderneta da criança, bem como déficits no desenvolvimento neuropsicomotor.

Fonte: Prof. Patrick Leonardo Nogueira da Silva / Imagem ilustrativa: Pexels

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