Prevenção de TEV: 4 passos para melhorar a adesão ao protocolo de profilaxia

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O protocolo de prevenção de TEV (tromboembolismo venoso) anda meio esquecido? Faça dele uma causa da instituição.
Muitas instituições implantam um protocolo de prevenção de TEV (tromboembolismo venoso) e acreditam que isso basta para que a profilaxia vire rotina. É só quando existe uma avaliação, por meio de uma auditoria ou de um programa de validação, que os problemas aparecem. Percebe-se que, por falta de gerenciamento, o protocolo não surte os resultados esperados – motivo para grande preocupação. Afinal, dados da literatura sugerem que cerca de 60% dos casos de TEV ocorrem ainda nos pacientes hospitalizados e estão por trás de até 10% das mortes que acontecem dentro dos hospitais.
O cenário do protocolo mal gerenciado não é exceção. A média mundial sugere que apenas 60% dos casos de TEV recebem a profilaxia adequada. Isso quer dizer que, apesar de discutirmos TEV há mais de 35 anos, de haver protocolos, diretrizes e guidelines de prevenção, 40% dos casos ainda não recebem os cuidados que poderiam evitá-los. Seja porque a instituição e o corpo clínico desconhecem as recomendações ou porque subestimam o risco de TEV ou porque receiam efeitos colaterais da profilaxia (como o risco de sangramentos). Independentemente da causa, o resultado é o mesmo: baixa adesão que leva à ocorrência de TEV, um evento adverso que contribui para gastos e desperdícios dentro do sistema de saúde. Mas é possível mudar esse cenário.
O IBSP – Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente mantém um projeto com seis hospitais do Brasil para aprimorar e validar a aplicação do protocolo de TEV dessas instituições. A ideia é, em breve, abrir o projeto para que outros hospitais participem. A metodologia usada é baseada nos princípios da AHRQ, a agência americana de qualidade e segurança em saúde, uma referência mundial. A AHRQ classifica os hospitais em cinco níveis em relação à adequação à prevenção de TEV.
No nível 1, estão as instituições que têm um pseudoprotocolo. Nenhuma conduta foi descrita ou protocolada. O corpo clínico prescreve a profilaxia por sua conta e ela costuma chegar aos pacientes em até 40% das vezes. No nível 2 é onde geralmente estão os hospitais que estão começando um processo de acreditação. O protocolo existe, mas é pouco efetivo. A profilaxia é adequada em 50% das vezes. No nível 3 é onde está a maioria dos hospitais. Há um protocolo efetivamente implementado nos principais pontos de cuidado (unidades assistenciais, críticas, não-críticas, emergência). Já existe uma gestão de indicadores e há entre 65% e 85% de adequação. No nível 4, há 90% de adequação e a insituição já consegue fazer uma avaliação das barreiras enfrentadas para aprimorar a cobertura. O nível 5 corresponde ao monitoramento em tempo real da prevenção de TEV. Graças à tecnologia da informação, é possível acessar um relatório em tempo real e enxergar quem são os pacientes admitidos, quais não têm prescrição de profilaxia mecânica ou medicamentosa. Se não têm, por que não têm: há risco de sangramento ou foi uma falha de processo?
É provável que, apenas ao ler essas descrições, você já consiga imaginar em que nível está sua instituição. Também é bastante provável que seja no nível 3, o mais comum entre os hospitais. Há estratégias muito eficientes para tirar a instituição dessa zona indefinida, em que a aplicação do protocolo é pouco efetiva, assim como os resultados. São necessários quatro grande passos estruturais.
1º) Envolver a alta direção
É ela que disponibilizará recursos humanos para a formação de um time, além da infraestrutura mínima necessária para a realização dessa tarefa. A prevenção de TEV deve se tornar um indicador estratégico dentro na instituição, de maneira a se consolidar como uma política institucional. Isso significará que, independentemente de qualquer mudança estratégica, de gestão ou de equipe, a política já estará instituída: a instituição tem como uma de suas prioridade fazer a prevenção de TEV e é assim que continuará a trabalhar.
2º) Formar uma equipe multidisciplinar
Enfermagem, farmacêuticos, fisioterapeutas, intensivistas, hospitalistas, cirurgiões ortopédicos e oncológicos… esses são alguns dos perfis profissionais que costumam compor essas equipes. Eles devem ser imparciais e ter bom relacionamento em várias áreas da instituição. Esse time também precisa ter um líder. Ele ajudará a definir as atribuições dentro da equipe e a manter um clima de colaboração, onde todos se sentem confortáveis para dar sua opinião e sugerir melhorias.
3º) Definir uma metodologia
É fundamental escolher a metodologia que guiará o trabalho. Há diferentes diretrizes e, dificilmente, uma se ajusta com perfeição a uma instituição. Elas não são receitas de bolo. Cada hospital tem suas particularidades e um perfil epidemiológico distinto de seus pacientes. Por isso, é preciso escolher a metodologia que melhor se encaixa às complexidades daquela instituição e, ainda assim, adequá-la àquelas especificidades.
4º) Fazer auditorias clínicas
Elas devem ser realizadas pelo time de TEV, junto com os líderes das unidades. É preciso definir a periodicidade e quais indicadores do protocolo serão usados. A auditoria ajudará a identificar obstáculos e modos de falha que estão impedindo que o cuidado adequado chegue a todos os pacientes que precisem deles.
Esse é um ponto essencial: a literatura científica sugere que, mesmo que 100% dos pacientes que necessitem de prevenção de TEV tenham acesso ao tratamento, 30% sofrerão com o problema por fatores particulares e fisiológicos. Por isso, para proteger o maior número possível de pacientes, é necessário alcançar a todos aqueles em que o risco for identificado.

Fonte:IBSP

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