Prevenção de sangramento gastrointestinal: boa prática ou risco desnecessário?

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Uma nova revisão reforça a hipótese de que a baixa frequência de hemorragia de úlcera de estresse (SDUE) não justifica risco de eventos adversos, como pneumonias, causados por protetores gástricos.
A NOVIDADE – A necessidade de prescrever protetores gástricos para pacientes hospitalizados foi questionada mais uma vez por um artigo do The New England Journal of Medicine (NEJM). Pesquisadores do departamento de Bioestatística, Epidemiologia e Clínica Médica da Universidade McMaster, do Canadá, reuniram dados que mostram que a frequência de hemorragias em úlceras de estresse (SDUE) – sangramentos gastrointestinais em pacientes fragilizados – é menor do que se pensava. Também não está claro se os benefícios superam os riscos. Estudos mostram que a condição afeta apenas entre 1,5% a 3,5% dos pacientes críticos. Outra pesquisa, com mais de 35 mil pacientes em ventilação mecânica, sugeriu que as chances de ter pneumonia eram 1,2 vezes maiores naqueles que estavam no protocolo de prevenção. Outro risco é a modificação do microbioma gastrointestinal, o que facilitaria o desenvolvimento de diarreias e inflamações intestinais graves, como as causadas pelo bacilo Clostridium difficile.
O CONTEXTO – Em muitos hospitais, adotou-se como padrão incorporar a profilaxia para pacientes em estado crítico e até para outros menos graves – inclusive após a alta. Entre os tipos de drogas mais usados estão bloqueadores histaminérgicos (BH2), como a cimetidina, ranitidina e famotidina, e inibidores de bomba de prótons, como omeprazol e pantoprazol. Um estudo feito no Rio de Grande do Sul dá evidências da dificuldade de classificar o risco dos pacientes e a falta de critérios para indicar protetores gástricos. Não recebiam a profilaxia 25,7% dos que deveriam ser considerados de alto risco. Mas 70% dos considerados de risco intermediário e baixo estavam no protocolo.
A PRÁTICA – Além de considerar os riscos para os pacientes em prol dos benefícios, é preciso considerar o aumento do custo do tratamento, principalmente quando a profilaxia é desnecessária. Uma diretriz da Sociedade Americana de Farmacêuticos do Sistema de Saúde, publicada em 1998, recomenda que a prevenção não seja usada fora de UTIs. Os autores do novo artigo pedem com urgência por novas guidelines que deixem os critérios de prescrição mais claros. Enquanto isso, os dados compilados no novo artigo podem ajudar os profissionais em suas decisões.

Fonte: IBSP

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