Pioneiro em pesquisa sobre Aedes Aegypti foi o primeiro contemplado pelo Prêmio Fundação Bunge, em 1956

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Criado em 1955 como primeira realização da Fundação Bunge, o Prêmio Fundação Bunge sempre teve como missão incentivar a inovação e a disseminação do conhecimento, reconhecendo os profissionais que contribuem para o desenvolvimento da cultura e das ciências no Brasil e estimular novos talentos.
Em sua primeira edição, o escolhido para a honraria, na área de Ciências Biológicas, Ecológicas e da Saúde, foi o médico e pesquisador Ângelo Moreira da Costa Lima (1887-1965). A trajetória profissional de Ângelo começou quando ele tinha apenas 17 anos e decidiu entrar para a faculdade de Medicina. Com 19, iniciou carreira na equipe do sanitarista Osvaldo Cruz, após ter ingressado num concurso para auxiliar acadêmico do Serviço de Profilaxia da Febre Amarela, em que foi classificado em primeiro lugar. Este foi o ponto de partida para aquele que se tornaria o maior entomologista (estudioso dos insetos sob todos os seus aspectos e relações com o homem, as plantas, os animais e o meio-ambiente) do Brasil e um dos maiores do mundo.
Em 1910, concluiu o curso superior em Medicina, pedindo demissão do cargo de Auxiliar Acadêmico do Serviço de Profilaxia da Febre Amarela, para fazer parte da Comissão organizada por Osvaldo Cruz para combate à Febre Amarela no Pará, quando foi escolhido para dirigir o serviço de combate à doença nas cidades de Santarém e Óbidos. Nestas cidades teve a oportunidade de fazer uma série de observações sobre a biologia dos mosquitos, especialmente do Aedes Aegypti, que ainda hoje desafia o mundo como transmissor de doenças como a Dengue, Zika e Chikungunya.
Além das pesquisas relacionadas ao Aedes Aegypti, Costa Lima pesquisou também parasitas que afetam a cultura agrícola, como a broca-do-café, as pragas da laranja e a lagarta-rosada dos algodoais nordestinos. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Ciências, atuou em diversas instituições do país ligadas às ciências agrárias e sanitárias. Tornou-se membro honorário de instituições nacionais e internacionais e recebeu da Escola Nacional de Agronomia o título de doutor honoris causa.
O Prêmio Fundação Bunge, que chega à 62ª edição este ano, contempla pesquisadores de duas áreas de atuação profissional. São quatro premiados no total: dois profissionais na categoria Vida e Obra e dois em Juventude (pesquisadores com até 35 anos). Em março, serão anunciadas as áreas e os temas escolhidos deste ano.

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