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Edição 238

Perfil sociodemográfico e clínico de vítimasAcesse a nova Edição da Revista Nursing – www.revistanursing.com.br

de queimaduras atendidas em um hospital

de referência

RESUMO| Objetivo:caracterizarosaspectossociodemográficos,clínicoseavaliaradordasvítimasdequeimadurasatendidasemum Hospital de referência. Método: trata-se de um estudo descritivo, quantitativo, realizado entre os meses de janeiro e junho/2016, com uma amostra, por conveniência, de 144 vítimas de queimaduras atendidas no Complexo Hospitalar Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, Rio Grande do Norte, por meio de um instrumento estruturado. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e os dados apresentados em forma de tabelas. Resultados: Houve predomínio do sexo masculino (71,5%); solteiros (43,1%); acidentes domésticos (47,9%); queimaduras de 2o grau (52,1%); dor moderada (35,1%) com interferência na vida diária (31,2%). Conclusão: Torna-se importante entender o contexto ao qual o indivíduo está inserido, uma vez que ao compreender a natureza e a causa do evento é possível reduzir a ocorrência desses eventos, as sequelas e o tempo de recuperação do paciente.

Palavras-chaves: queimaduras; enfermagem; hospitais de emergência.

ABSTRACT | Objective: to characterize the sociodemographic, clinical aspects and to evaluate the pain of burn victims treated at a referral hospital. METHOD: This is a descriptive, quantitative study carried out between January and June / 2016, with a sample, for convenience, of 144 burn victims attended at the Monsenhor Walfredo Gurgel Hospital Complex in Natal, Rio Grande do Norte , by means of a structured instrument. The data were analyzed by means of descriptive statistics and the data presented in the form of tables. Results: There was a predominance of males (71.5%); singles (43.1%); domestic accidents (47.9%); 2nd degree burns (52.1%); moderate pain (35.1%) with interference in daily life (31.2%). Conclusion: It is important to understand the context to which the individual is inserted, since understanding the nature and cause of the event can reduce the occurrence of these events, the sequelae and the time of recovery of the patient.

Keywords: burns; nursing; emergency hospitals.

RESUMEN | Objetivo: caracterizar los aspectos sociodemográficos, clínicos y evaluar el dolor de las víctimas de quemaduras atendidas en un Hospital de referencia. El método es un estudio descriptivo, cuantitativo, realizado entre los meses de enero y junio / 2016, con una muestra, por conveniencia, de 144 víctimas de quemaduras atendidas en el Complejo Hospitalario Monseñor Walfredo Gurgel, en Natal, Rio Grande do Norte por medio de un instrumento estructurado. Los datos fueron analizados por medio de estadística descriptiva y los datos presentados en forma de tablas. Resultados: Hubo predominio del sexo masculino (71,5%); solteros (43,1%); accidentes domésticos (47,9%); quemaduras de 2o grado (52,1%); dolor moderado (35,1%) con interferencia en la vida diaria (31,2%). Conclusión: Es importante entender el contexto al cual el individuo está inserto, ya que al comprender la naturaleza y la causa del evento es posible reducir la ocurrencia de esos eventos, las secuelas y el tiempo de recuperación del paciente.

Palabras claves: quemaduras; enfermería; hospitales de emergência.

Enfermeira pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Pós-doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal

de Sergipe (UFS), Enfermeira. Recebido em: 20/06/2017

Aprovado em: 20/01/2018
2058 RevistaNursing,2018;21(238):2058-2062

Professor Adjunto do Departamento
de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), bolsista CAPES de pós-doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Enfermeiro.

Graduanda em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Graduanda em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Enfermeira pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Enfermeira, especialista em cardiologia pelo Programa de residência multiprofissional do Hospital Universitário Onofre Lopes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Moulin, L.L.; Dantas, D.V.; Dantas, R.A.N.; Vasconcelos, E.F.L.; Aiquoc, K.M.; Lima, K.R.B.; Lima, M.S.M. Perfil sociodemográfico e clínico de vítimas de queimaduras atendidas em um hospital de referência

AIntrodução
s queimaduras são lesões trau- máticas decorrentes de aciden- tes envolvendo agentes térmi- cos, elétricos, biológicos, químicos e radioativos(1). Dependendo da natureza da lesão, a vítima desse acidente pode sofrer sequelas irreversíveis, sofrimento físico e psicológico, e evoluir para óbi- to(2). As lesões da vítima desse trauma podem ser classificadas quanto à etiolo- gia, profundidade, extensão, região do corpo atingida e tempo de exposição e esses fatores são fundamentais na defi- nição da gravidade e alterações sistêmi- cas provenientes da queimadura(3-5).

Na atualidade as vítimas de quei- maduras são consideradas um proble- ma de saúde pública no Brasil, havendo um milhão de acidentes por ano, nos quais 2.500 indivíduos vão a óbito di- reta ou indiretamente devido as lesões. Segundo dados do Departamento de In- formática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), no estado do Rio Grande do Norte (RN), no período de 2010 a 2014, ocorreram 1.111 internações hospitalares por vítimas de queimadu- ras, com 45 óbitos(6).

Em um trauma por queimadura, o primeiro cuidado é com a seguran- ça da cena e da equipe e extinção da fonte de origem(7). Em seguida, segun- do Stefanelli(8) e National Association of Emergency Medical Technicians(3), a avaliação da queimadura envolve a etapa primária e a secundária. Na ava- liação primária, o atendimento das ví- timas de queimaduras é semelhante as de trauma, seguindo o ABCDE, em que o elemento A corresponde a via aérea com controle de cervical; B, respiração e ventilação; C, circulação e controle de hemorragia; D, avaliação neuroló- gica e de incapacidade e E, exposição/ ambiente. Já a avaliação secundária abrange a classificação da extensão da área queimada, curativos e transporte.

As vítimas de queimaduras apre- sentam a dor como sendo o sintoma mais comum(9). A dor é uma experiên-

cia sensitiva e emocional desagradável relacionada à lesão e o seu controle é um aspecto importante e muitas vezes negligenciado durante o tratamento dos pacientes(10).

Baseado nesta problemática questio- na-se: qual o perfil sociodemográfico e clí- nico de vítimas de queimaduras atendidas em um hospital de referência estadual?

Para responder a este questiona- mento, elaborou-se o seguinte objetivo: caracterizar os aspectos sociodemográ-

“Na atualidade as vítimas de queimaduras são consideradas um problema de saúde pública no Brasil, havendo um milhão de acidentes por ano, nos quais 2.500 indivíduos vão a óbito direta ou indiretamente devido as lesões”

ficos e clínicos e avaliar a dor das víti- mas de queimaduras atendidas por um hospital de referência.

Frente ao exposto, justifica-se a im- portância deste estudo, uma vez que a queimadura e suas complicações proporcionam sequelas emocionais e físicas, causando sensações dolorosas, podendo levar o paciente ao óbito, tornando-se uma importante causa de morte no Brasil. Estudos dessa natureza

podem auxiliar a equipe multiprofissio- nal na capacitação para identificar os sinais e sintomas da queimadura e suas complicações, proporcionando uma as- sistência adequada e individualizada e eficiente de acordo com o quadro clíni- co do paciente.

Método

Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa, realizado no Complexo Hospitalar Monsenhor Wa- lfredo Gurgel (HMWG), referência no Rio Grande do Norte (RN) no atendi- mento de urgência e emergência pelo Sistema Único de Saúde (SUS)(11).

A amostra, por conveniência, foi de 144 pacientes vítimas de queimadu- ras(12), atendidas no HMWG. Como cri- tério de inclusão, foram selecionados os pacientes com: idade igual ou supe- rior a 18 anos e ser vítima de queima- dura atendida no HMWG no período da coleta de dados. Foram excluídos os pacientes clinicamente instáveis e sem a presença de seu responsável. Não houve desistência de participação nesta pesquisa.

A coleta dos dados ocorreu entre os meses de janeiro e junho do ano de 2016, por meio de um instrumento es- truturado, organizado com as variáveis de caracterização sociodemográfica, aspectos clínicos do paciente e avalia- ção do nível da dor. A coleta contou com a colaboração de dez bolsistas e acadêmicos de enfermagem vinculados ao Núcleo de Estudos e Pesquisas em Urgência, Emergência e Terapia Intensi- va (NEPET), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Os dados foram analisados pela estatística descritiva, com frequên- cias absolutas e relativas, com auxílio dos aplicativos Microsoft Excel 2010 e Statistical Package for Social Science (SPSS) 20.0. Além disso, foram apresen- tados em forma de tabelas.

Vale ressaltar que este estudo foi sub- metido a avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFRN, obtendo parecer

RevistaNursing,2018;21(238):2058-2062 2059

Tabela 1. Caracterização sociodemográfica das vítimas de queimaduras. Natal/rN/Brasil, 2016.

Categorias (%)

Sexo

Masculino 103 (71,5)

Feminino 41 (28,4)

Faixa Etária

36 – 67 anos 63 (43,8)

Até 35 anos 62 (43,1)

> 67 anos a 98 anos 19 (13,2)

Etnia

Pardo 110 (76,4)

Branco 14 (9,7)

Não informado 14 (9,7)

Negro 5 (3,5)

Indigena 1 (0,7)

Estado civil

Solteiro 62 (43,1)

Casado 55 (35,8)

Não informado 18 (12,5)

Viúvo 6 (4,2)

Separado/divorciado 3 (2,1)

Grau de Escolaridade

Não informado 39 (27,1)

Ensino médio completo 24 (16,7)

Ensino fundamental incompleto

23 (16,0)

Não alfabetizado 20 (13,9)

Ensino fundamental completo 18 (12,5)

Ensino médio incompleto 16 (11,1)

Superior incompleto 2 (1,4)

Superior completo 2 (1,4)

Categorias

(%)

Procedência

Interior do Estado

91 (63,2)

Natal

35 (24,3)

Parnamirim

12 (8,3)

Não informado

6 (4,2)

TOTAL

144 (100)

Fonte: própria da pesquisa.

vítimas de queimaduras Moulin, L.L.; Dantas, D.V.; Dantas, R.A.N.; Vasconcelos, E.F.L.; Aiquoc, K.M.; Lima, K.R.B.; Lima, M.S.M. Perfil sociodemográfico e clínico de vítimas de queimaduras atendidas em um hospital de referência

2060 RevistaNursing,2018;21(238):2058-2062

“A respeito
da dor, avaliada pela Escala Visual Analógica, 61,8% apresentavam queixa álgica. Desses, 35,1% tinham dor moderada
(3 a 7 pontos), 20,5% dor intensa (8 a 10 pontos)
e 6,2% dor leve
(0 a 2 pontos)”

favorável (CAAE: 51049615.3.0000.5537 e parecer n. 437), de acordo com a Re- solução 466/2012, do Conselho Nacio- nal de Ética em Pesquisa (CONEP). Os pacientes e/ou responsáveis foram orien- tados acerca dos objetivos da pesquisa, coleta de dados e participação voluntária com a assinatura do Termo de Consenti- mento Livre e Esclarecido (TCLE).

Resultados

Os resultados apresentados foram sub- divididos em três categorias: caracte- rização sociodemográfica; caracteriza- ção clínica e caracterização da dor.

Caracterização sociodemográfica

Dos 144 pacientes (Tabela 1), predo- minaram vítimas de queimaduras do Centro de Tratamento de Queima- dos (CTQ) (95,8%); sexo masculino (71,5%); de 36 a 67 anos (43,8%); par- dos (76,4%); solteiros (43,1%); Ensino médio completo (16,7%) e Ensino fun- damental incompleto (16,0%); prove- nientes do interior do Estado (63,2%).

Caracterização clínica

Com relação à natureza do evento (Ta- bela 2), predominaram os acidentes domésticos (47,9%); por chama direta (38,2%); de 2° grau (52,1%); super- fície corporal <15% (52,1%); 32,1% das lesões atingiram face, tronco e membros.

Caracterização da dor

A respeito da dor, avaliada pela Escala Visual Analógica, 61,8% apresentavam queixa álgica. Desses, 35,1% tinham dor moderada (3 a 7 pontos), 20,5% dor intensa (8 a 10 pontos) e 6,2% dor leve (0 a 2 pontos). Em relação às ativi- dades de vida diárias, 31,2% relataram que a dor interferia principalmente no sono (9,7%), atividade física (9,7%), concentração (2,4%), associação de duas atividades (8,7%) ou as quatro ati- vidades combinadas (0,7%).

Sobre a duração da queixa álgica, dos 61,8% que sentiam dor, 30,9% dos pacientes alegaram duração de

minutos, 15,5% de horas, 10,8% de dias e 4,6%, de meses. Em 76,4% foi administrado algum tipo de analgesia e destes apenas 28,5% apresentaram alívio da dor com a medicação; os principais fármacos foram Tramadol + Dipirona Sódica (43,9%), Tramadol (15,9%), Dipirona Sódica (11,8%) e Morfina (4,8%).

Moulin, L.L.; Dantas, D.V.; Dantas, R.A.N.; Vasconcelos, E.F.L.; Aiquoc, K.M.; Lima, K.R.B.; Lima, M.S.M. Perfil sociodemográfico e clínico de vítimas de queimaduras atendidas em um hospital de referência

Tabela 2. Caracterização clínica das vítimas de queimaduras. Natal/rN/Brasil, 2016.

Categorias (%)

Natureza do evento

Acidentes domésticos 69 (47,9)

Acidentes de trabalho 32 (22,2)

Lesões auto-infligidas 13 (9,0)

Acidentes de trânsito 12 (8,3)

Outros* 12 (8,3)

Não informado 6 (4,2)

Etiologia

Chama direta 55 (38,2)

Escaldamento 30 (20,8)

Agente químico 24 (16,7)

Eletricidade 14 (9,7)

Desconhecido 10 (6,9)

Superfície/Objeto aquecido 9 (6,3)

Superfície/Objeto resfriado 2 (1,4)

Profundidade

2o grau 75 (52,1)

2o e 3o grau 24 (16,7)

1o e 2o grau 21 (14,6)

3o grau 11 (7,6)

Não informado 7 (3,5)

1o grau 3 (2,1)

1o, 2o e 3o grau 3 (2,1)

4o grau 2 (1,4)

Extensão corporal atingida

< 15% 75 (52,1))

15 a 40% 40 (27,8)

40% 28 (19,4)

Não informado 1 (0,7)

Categorias

ˆ (%)

Região corporal atingida

Face, tronco e membros

47 (32,1)

Membros

41 (28,5)

Tronco e membros

20 (13,9)

Face e membros

16 (11,1)

Tronco e face

9 (6,3)

Face

4 (2,8)

Membros e genitália

3 (2,1)

Tronco, membros e genitália

2 (1,4)

Tronco

1 (0,7)

Tronco e genitália

1 (0,7)

TOTAL

144 (100)

Fonte: própria da pesquisa.

*outros = Fogo no colchão; agressão; tenta- tiva de suicídio; fogos de artifício; acidente e atentado.

Discussão

Segundo pesquisadores(13), o conheci- mento da prevalência e os fatores asso- ciados de pacientes com queimaduras é relevante, uma vez que esses traumas são considerados um grave problema de saú- de pública no país. Ao analisar os dados observou-se maior percentual de atendi- mentos as vítimas de queimaduras pelo Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), ocorrendo prevalência do sexo masculino, de acordo com a literatura, que afirma o predomínio de igual ou su- perior a 60% de homens como vítimas de queimaduras(14). Conforme Souza(15), uma vez que há predomínio masculino nas finanças familiares e quando o ho- mem queima-se, afasta-se do seu empre- go acarretando prejuízo financeiro.

Os dados mostram que na faixa etá- ria há um predomínio de vítimas de até 35 anos e de 36 a 67 anos e, de acordo com Leão(16), as vítimas se encontram na idade de maior produtividade causando prejuízo tanto físico quanto econômico.

Conforme os achados do estudo(17), o autor cita que grande parte dos pa- cientes é parda, solteira e com 9 a 11 anos de estudos, mostrando a carência do conhecimento, sobretudo, no que diz respeito a primeiros socorros e mé- todos de prevenção de queimaduras, evidenciando a necessidade de instru- ção à população.

Sobre a natureza das lesões, grande parte das lesões ocorreu no domicílio ou no ambiente de trabalho, assim como encontrado em outros estudos(2,14), evi- denciando ambientes potencialmente inseguros e propicio a acidentes(2).

Segundo Luz e Rodrigues(14), os agen- tes etiológicos predominantes são a cha- ma direta, seguido por escaldamento e agente químico, corroborando os dados encontrados desta pesquisa. Outro es- tudo(18) aponta o escaldamento como a primeira causa de queimaduras, seguida por chama direta e álcool.

Diferente dos achados, a pesqui- sa(19) retrata que as queimaduras de 2o grau são predominantes, seguidas pelas

“Sobre a natureza das lesões, grande parte das lesões ocorreu no domicílio ou no ambiente
de trabalho, assim como encontrado em outros estudos(2,14), evidenciando ambientes potencialmente inseguros e propicio
a acidentes(2)”

RevistaNursing,2018;21(238):2058-2062 2061

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Referências

vítimas de queimaduras Moulin, L.L.; Dantas, D.V.; Dantas, R.A.N.; Vasconcelos, E.F.L.; Aiquoc, K.M.; Lima, K.R.B.; Lima, M.S.M. Perfil sociodemográfico e clínico de vítimas de queimaduras atendidas em um hospital de referência

lesões de 2o e 3o graus. Porém houve concordância(16) e os dados coletados, quanto ao percentual da superfície cor- poral ferida, com prevalência de menor que 15%, seguido por médio quei- mado entre 15% a 40% e às regiões corporais atingidas(14).

No que diz respeito a dor, os dados evidenciaram que esta interferiu nas ati- vidades cotidianas, principalmente no sono e atividade física. É importante tratar a dor de forma adequada, já que afeta o emocional, o biológico e o social das víti- mas de queimaduras, variando de acordo com as caraterísticas do trauma, com- prometendo as necessidades humanas básicas do indivíduo, sendo necessário

viabilizar métodos farmacológicos e/ou complementares, para propiciar o melhor tratamento e recuperação(13). O método utilizado para alívio da dor na maior par- te dos casos foi a administração de medi- camentos analgésicos e de acordo com a literatura(13), a avaliação e tratamento da dor deve englobar além de terapêutica medicamentosa, estratégias não farmaco- lógicas por toda a equipe(20).

Conclusão

Segundo o estudo, houve predominância de indivíduos do sexo masculino, entre 36 a 67 anos, solteiros, com menor grau de escolaridade, vitimados no domicí- lio ou no trabalho, por chama direta e

escaldamento, ocasionando pequenos queimados com lesões de segundo grau. A maioria dos pacientes referiu dor mo- derada, com duração de minutos a horas, afetando as atividades de vida diária.

É importante ressaltar que, estudos de caraterização dessa natureza são úteis para direcionar os cuidados pré -hospitalares e hospitalares necessários a cada paciente, com o propósito de tratar e restabelecer o estado de saúde das vítimas. Tornam-se necessários no- vos estudos dessa natureza, com o pro- pósito de melhorar a compreensão do trauma, do tratamento realizado duran- te a sua internação hospitalar e da sua recuperação.

http://www.revistanursing.com.brRESUMO | Teve como objetivo caracterizar a violência, no ambiente familiar, a qual os idosos estão expostos, com apontamento aos perfis do agressor e da vítima, identificação dos tipos de violência, descrição das consequências ao idoso e apontamento das formas de suporte. Trata-se de uma revisão integrativa, realizada nos meses de abril e maio de 2016, através da base de dados LILACS e com análise de 10 artigos publicado no período de 2011 a 2015. Como resultados, as vítimas foram mulheres em sua maioria e os agressores, principalmente, os filhos. O fator causador da violência foi à dependência financeira e dentre os tipos de violência, a psicológica foi a mais evidente, seguida da física, financeira, negligência, sexual, agressão verbal e abandono. Observou-se a existência da violência ao idoso no ambiente doméstico e dificuldade de artigos que relatem o suporte que esse idoso recebe após o ato de ser violentado.
Descritores: Idoso; Violência Doméstica; Relações Familiares.
ABSTRACT | We aimed to describe the violence in the family environment, which the elderly are exposed, indicating the aggressor and the victim profiles, identification of types of violence, description of the consequences to the elderly and indications of ways to give them support. This is an integrative review, produced in April and May 2016, based on LILACS database and with the analysis of 10 articles. The victims were mainly women and the aggressors, mainly the children. Violence was caused by financial dependency. The main kind of violence was the psychological. The consequences and the protection to the elderly have not been mentioned in the articles. It was noted the presence of the violence against the elderly in the domestic environment and the difficulty to find articles that report the support that these elderlies gets after being violated.
Descriptors: Aged; Domestic Violence; Family Relations.
RESUMEN | El objetivo fue caracterizar la violencia en el entorno familiar al cual los ancianos están expuestos, con indicaciones de los perfiles del agresor y de la víctima, identificación de los tipos de violencia, descripción de las consecuencias al anciano e indicaciones de los tipos de soporte. Este trabajo se refiere a una revisión integradora, realizada en los meses de abril y mayo de 2016 por medio de la base de datos LILACS y el análisis de 10 artículos. Como resultado, las víctimas en su mayoría fueron mujeres y los agresores, principalmente, sus hijos. El factor causante de la violencia fue la dependencia financiera y el principal tipo de violencia fue la psicológica. Las consecuencias y el auxilio al anciano no fueron abordados en los artículos. Se observó la existencia de la violencia al anciano en el ambiente doméstico y la escasez de artículos que relaten el auxilio que ese anciano recibe después del acto de ser violentado.
Descriptores: Anciano; Violencia Doméstica; Relaciones Familiares.
Amanda Lemes de Abreu
Graduando em Enfermagem pela Fundação Educacional do Município de Assis – FEMA
Enfermeira. Mestre em Saúde Co- letiva (USC). Docente no curso de Bacharelado em Enfermagem da Fun- dação Educacional do Município de Assis – FEMA. Pesquisador no Grupo de Pesquisa Programa Interdisciplinar em Saúde no cuidado, educação e gestão (CNPQ).
Enfermeiro. Mestre em Ciências (UNIFESP). Docente no curso de Bacharelado em Enfermagem da Fundação Educacional do Município de Assis – FEMA. Pesquisador no Grupo de Pesquisa Programa Interdisciplinar em Saúde no cuidado, educação e gestão (CNPQ). Orientador do Estudo.
Enfermeira. Mestre em Biociências (UNESP). Coordenadora e docente no curso de Bacharelado em Enfermagem da Fundação Educacional do Município de Assis – FEMA. Pesquisador no Grupo de Pesquisa Progra- ma Interdisciplinar em Saúde no cuidado, educação e gestão (CNPQ).
Enfermeira. Mestre em Ciências (EERP- -USP). Docente no curso de Bacharelado em Enfermagem da Fundação Educa- cional do Município de Assis – FEMA. Pesquisador no Grupo de Pesquisa Programa Interdisciplinar em Saúde no cuidado, educação e gestão (CNPQ).
Recebido em: 10/10/2016 Aprovado em: 28/04/2017
1782 RevistaNursing,2017;20(231):1782-1787
Daniel Augusto da Silva
Verusca Kelly Capellini
Caroline Lourenço de Almeida
Rosângela Gonçalves da Silva

Abreu, A.L.; Alemida, C.L.; Capellini, V.K.; Silva, D.A., Silva, R.G. A violência contra o idoso no ambiente familiar.
AIntrodução
maioria das culturas se compor- ta com tendência a valorizar a juventude e a população adul- ta, construindo ambiente de desprezo à população idosa, a deixando em se- gundo plano, situação que acompanha a história da humanidade, que por sé- culos utilizam da caridade para acolhi- mento destes, na construção de asilos, com forte característica de abandono social e familiar(1).
Dessa forma, uma dicotomia en- tre o que é reconhecido como direito e as práticas de abuso e negligência evidenciam a violência acometida à população idosa(1).
A violência contra o idoso é defi- nida como um ato de acometimento ou omissão, e esse ato pode ser tanto intencional como involuntário. A vio- lência e o abuso podem ser de várias naturezas e, seja o ato qual for, resulta- rá em sofrimento desnecessário, lesão ou dor, perda ou violação dos direitos humanos e também irá ocorrer uma re- dução na qualidade de vida do idoso(2).
O combate à violência está cada vez mais difícil, atualmente é visto como uma notificação não formaliza- da, principalmente quando praticado no ambiente doméstico. Isso ocorre de- vido à dependência e vínculo que esse idoso tem com o agressor, tratando isso como assunto privado pela família, te- mendo denunciá-lo(3).
Dentre os tipos de violência tem-se a violência física, uso da força física, pro- vocando dor, incapacidade, forçando a fazer algo indesejado; a violência psico- lógica, ato de humilhação, isolamento do convívio, gestos que causam terror; a violência financeira ou material, ex- ploração e uso não autorizado dos bens patrimoniais e financeiros; a violência sexual, relação sexual ou praticas eró- ticas, violência por ameaças; a negli- gência, recusar o cuidado, associado a outros abusos que geram lesões e trau- mas físicos; e o abandono, ausência dos responsáveis na prestação de socorro(4).
No Brasil, a violência contra a pes- soa idosa, no contexto familiar, compre- ende ações de abusos e negligências, discriminações e preconceitos, choque de gerações, problemas de espaço físico e dificuldades financeiras (1).
A violência contra a pessoa idosa compreende aquilo que se faz em omis- são e ações realizadas uma vez ou mui- tas vezes, que prejudicará a plenitude fí- sica e emocional, colocando obstáculos
vivenciou a violência e apontando as formas existentes de suporte ao idoso que vivencia/vivenciou a violência no ambiente familiar.
A melhoria da qualidade de vida de pessoas idosas é apontada pela Orga- nização Mundial da Saúde como ação urgente, e se dá por ações de otimiza- ção das oportunidades para saúde, par- ticipação social e segurança (5).
Método
Trata-se de pesquisa de abordagem qualitativa, exploratória bibliográfica, com síntese de produções científicas através de revisão integrativa.
A revisão integrativa possibilita conclusões abrangentes a respeito de um determinado tema, através da aná- lise de pesquisas relevantes e síntese de estudos publicados (6).
As seis etapas metodológicas para a revisão integrativa foram: elabora- ção da pergunta de pesquisa, busca ou amostragem na literatura, coleta de dados, análise crítica dos estudos incluídos, discussão dos resultados, apresentação da revisão integrativa dos resultados (7).
A coleta dos dados foi realizada nos meses de abril e maio de 2016, através da base de dados LILACS, com utilização dos Descritores em Ciên- cias da Saúde (DeCS): Idoso; Violên- cia Doméstica; Relações Familiares. Na busca inicial, foram encontrados 1.280 artigos, e com a utilização dos critérios: texto completo, idioma em português, período de publicação en- tre 2011 e 2015, leitura dos resumos disponíveis e eliminação de estudos duplicados, chegou-se a amostra final de 10 artigos.
Como estratégia de análise e síntese de conhecimento das obras selecionadas, foram utilizados os seguintes passos, com auxílio de tabela construída pelos autores: a) características gerais das pesquisas selecionadas; e b) apresentação das informações relacionadas a violência
“[…] Dentre os tipos de violência tem-se a violência física, uso da força física, provocando dor, incapacidade, forçando a fazer algo indesejado;
a violência psicológica, ato de humilhação, isolamento do convívio, gestos que causam terror;[…]“
para seu funcionamento social (1).
A pergunta norteadora para esta pesquisa foi: Como se dá a violência
aos idosos no ambiente familiar? Assim, objetivou-se caracterizar a violência, no ambiente familiar, a qual os idosos estão expostos. E espe- cificar esses objetivos, apontando os perfis do agressor e da vítima de vio- lência, esclarecendo os fatores do ato de violência aos idosos, identificando os tipos de violência às quais os ido- sos estão expostos, descrevendo as consequências ao idoso que vivencia/
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violência contra o idoso Abreu, A.L.; Alemida, C.L.; Capellini, V.K.; Silva, D.A., Silva, R.G. A violência contra o idoso no ambiente familiar.
Quadro 1: Características gerais das publicações.
Referência completa do artigo
População do estudo
(Perfil do agressor e da vítima)
Fatores causadores de violência
Tipos de violência
Gil AP, Santos AJ, Kislaya I, Santos C, Mascoli L, Ferreira AI, Vieira DN. Estudo sobre pessoas idosas vítimas de violência em Portugal: sociografia da ocor- rência. Caderno Saúde Pública. 2015; 31(6):1234-46.
– Perfil das vítimas:
Mulheres, com mais de 60 anos, casadas, portadoras de doenças crônicas, debilitadas fisicamente.
Isolamento social, consumo de álcool, problemas de tóxico dependência, problemas com jogos, dependência financeira, alvo de violência na infância ou adolescência.
• Psicológica;
• Física;
• Financeira;
– Perfil dos Agressores: Cônjuges e filhos.
• Sexual;
• Negligência.
Aguiar MPC, Leite HÁ, Dias IM, Mattos MCT, Lima WR. Violên- cia contra idosos: descrição de casos no Município de Aracajú, Sergipe, Brasil. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem. 2015; 19(2):343-49.
Inquéritos foram avaliados.
Uso de drogas, dependência financeira.
• Psicológica.
– Perfil das vítimas: Mulheres entre 60-69 anos, aposentadas.
– Perfil dos agressores: Filhos
Machado JC, Rodrigues VP, Vilela ABA, Simões AV, Morais RLGL, Rocha EN. Violência intrafamiliar e as estratégias de atuação da equipe de Saúde da Família. Saúde Soc. 2014; 23(3):828-40.
– Perfil das vítimas:
Idoso (não identifica a idade), homens e mulheres.
Financeiros, uso de drogas.
• Negligência; •Psicológica.
– Perfil dos agressores: Filhos e netos.
Oliveira AAV, Tringueiro, DRSG, Fernandes MGM, Silva AO. Maus- -tratos a idosos: revisão integrativa da literatura. Revista Brasileira Enfermagem. 2013; 66(1):128-33.
– Perfil das vítimas:
Mulheres e homens, com 80 anos ou mais, deprimidas, confusas, debilitadas fisicamente.
Cenário físico.
• Física;
• Psicológica; • Verbal;
• Negligência; • Financeiro.
– Perfil dos agressores: Cônjuges, filhos, netos, genros, noras, irmãos, sobrinhos.
Wanderbroocke AC, Moré C. Significados de Violência Familiar para Idosos no Contexto da Aten- ção Primária. Psicologia: Teoria e Pesquisa. 2012; 28(4):435-42.
– Perfil das vítimas:
Mulheres e homens, idade média de 71 anos, viúvos, casados.
Dependência financeira.
• Física;
• Psicológica; • Financeira; • Negligência; • Sexual.
– Perfil dos agressores:
Filhos, noras, maridos, sobrinho, mais de um familiar.
Marques FD, Sousa L. Integridade Familiar: Especificidades em Idosos Pobres. Paidéia. 2012; 22(52): 207-16.
– Perfil das vítimas:
Classe social baixa, idade entre 65 e 89 anos, mulher e homem.
– Perfil dos agressores:
Filhos, marido, outros familiares.
Uso de álcool.
• Abandono; • Físico;
• Verbal.
Duque AM, Leal MCC, Marques APO, Eskinazi FMV, Duque AM. Violência contra idosos no ambiente doméstico: prevalência e fatores associados (Recife/PE). Ciências e saúde coletiva. 2012; 17(8):2199-08.
– Perfil das vítimas:
Entre 60 e 69 anos, mulheres, casados ou sem companheiros, aposentados.
– Perfil dos Agressores: Não apresentado.
Fatores demográficos, capacidade funcional
e distribuição previdenciária.
• Não foram citados os tipos de violência.
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Abreu, A.L.; Alemida, C.L.; Capellini, V.K.; Silva, D.A., Silva, R.G. A violência contra o idoso no ambiente familiar.
Quadro 1: Características gerais das publicações.
Referência completa do artigo
População do estudo
(Perfil do agressor e da vítima)
Fatores causadores de violência
Tipos de violência
Joaquim RC. Estudo do perfil epidemiológico da violência contra crianças, adolescentes e idosos em registros policiais. Araçatuba. Dissertação [Mestra- do em Odontologia] – Universida- de Estadual Paulista; 2012.
– Perfil das vítimas:
Idade entre 70 e 79 anos, mulher;
Uso de álcool
e uso de drogas.
• Psicológica;
• Negligência;
• Econômica;
– Perfil dos Agressores: Filhos.
• Física;
• Abandono.
Silva T. Violência contra a pessoa idosa: do invisível ao visível. Re- vista Kairós Gerontologia. 2011; 14(1):65-78.
– Perfil das vítimas:
Homens e mulheres, acima de 75 anos
Dependência financeira.
• Violência;
• Física;
• Verbal;
• Psicológica; • Financeiro; • Sexual.
- Perfil dos agressores:
Filhos, solteiras, noras, genros, netos.
ao idoso no ambiente familiar, a sa- ber os fatores causadores de violên- cia e os tipos de violência. Dessa forma, foi possibilitada a discussão dos principais destaques, funda- mentada na literatura pertinente.
Resultados
Após leitura minuciosa dos artigos se- lecionados, e utilização de tabela con- feccionada pelos autores para coleta de dados que atendessem aos objetivos propostos, os resultados se apresentam conforme o Quadro 1.
Discussão
Ao que se diz ao perfil das vítimas, a maioria são mulheres com 10 (66,7%) e os homens aparecem em cinco arti- gos (33,3%). Percebe-se assim que a figura feminina é a mais agredida.
No Brasil, de cada cinco mulheres, três já sofreram violência, e que isso é um sofrimento extremo, vivido severa- mente, ele acontece tanto nas classes altas como baixas (8).
Idoso debilitado fisicamente e com problemas de saúde apareceram em dois artigos (25%) e deprimido, classe social baixa, confuso e fragilizado em um artigo (12,5%).
“Os idosos podem possuir doenças crônicas não transmissíveis, limitações motoras, deficiências cognitivas ou até mesmo perda do cônjuge, esses são eventos que ocorrem tornando o idoso dependente de um membro da família“
Os idosos podem possuir doenças crônicas não transmissíveis, limitações motoras, deficiências cognitivas ou até mesmo perda do cônjuge, esses são eventos que ocorrem tornando o idoso dependente de um membro da família(9).
A partir do momento que os ido- sos se tornam dependentes, alterações serão indispensáveis, e isso envolverá as finanças e afeto, que exigirão rees- truturação da família (10). E a servidão deste levará período para ser captado, e dificultará a apoderação desta famí- lia para decidir a relação do cuidado com esse idoso (11).
É um tema muito complexo ainda a violência contra o idoso, negligên- cia e maus-tratos, existe uma carência na estatística de dados, temática que também é de difícil estudo e identifica- ção dos idosos, pois estes muitas vezes não denunciam os abusos sofridos pelo medo de punição e de não mais viven- ciar o acolhimento pelos seus cuidado- res, que são também agressores em al- gumas vezes. Existe também a vergonha de denunciar e os que não veem que estão sendo vítimas de maus-tratos (12).
Se tratando dos agressores, o filho em primeiro sendo citado em nove artigos (36%), seguido dos netos em quatro (16%), nora, marido, mais de um familiar e cônjuges com dois (8%) e irmãos, genro, sobrinhos e agresso- res aposentados com aparecimento em apenas um artigo cada (4%).
Estar atento na identificação dos
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violência contra o idoso Abreu, A.L.; Alemida, C.L.; Capellini, V.K.; Silva, D.A., Silva, R.G. A violência contra o idoso no ambiente familiar.
agressores, se torna cada vez mais im- portante quando se trata dos familia- res ou cuidadores desses idosos, sendo que quanto maior for a dependência e fragilidade do idoso, maior é o risco para que os maus-tratos ocorram (13).
Existe uma mudança também asso- ciada com a chegada de novos paren- tes, com um novo casamento, “novos filhos”, “netos”, e também existem as perdas normais da vida no caso da morte, fatos que causarão mudanças na rotina familiar. Um exemplo, é quando o idoso fica viúvo, que pode ser levado para a casa dos filhos, netos ou outros parentes, mudança que causará altera- ções, tanto para os idosos quanto para futuros cuidadores. Junto às mudanças que acontecerão, o familiar verá o ido- so como um problema, sobrecarga, au- mentando o risco de violência (14).
Dentro dos fatores causadores de violência, que se trata dos proble- mas que os agressores passam que levam eles a violentar os idosos, ob- servou-se a dependência financeira como maioria, aparecendo em cin- co artigos (26,3%), consumo de dro- gas e álcool em segundo com quatro artigos (21,1%), fatores não citados em dois (10,5%) e isolamento so- cial, problemas tóxicos, problemas com jogos e alvo de violência em um artigo (5,3%).
O abuso financeiro definido como muito comum e que é considerável em todo o país, acontece no âmbito fami- liar, com tentativas de forçar os idosos e seu poder sobre seus bens, realizando a venda de bens como imóveis sem seu consentimento, ou expulsando o idoso de seu próprio lar, fato de maior vulne- rabilidade na ocorrência da viuvez (1).
O uso de álcool e drogas mudará o comportamento que possibilita o ato de violência, inclusive em atos de violência doméstica. Existe uma asso- ciação entre o uso de substâncias ao controle dos estímulos e o aumento da ocorrência da violência (15).
Dentre os tipos de violência a mais
acometida é a violência psicológica citada em oito artigos (23,5%), física em sete (20,6), financeira e negligên- cia em cinco (14,7%), sexual, agressão verbal em três (8,8%), abandono em dois (5,9%) e violência não citadas em apenas um artigo (2,9%).
“[…] A violência psicológica se refere
a relação do poder que o agressor tem, da força autoritária ou da influência sobre o outro, unindo-se ao descaso, inversão dos papéis, humilhando, chantageando, impedindo de falar, escondendo informações significativas,
que provocará raiva e choro. […]“
Violência psicológica consiste de angústia, dor, sendo ela verbal ou não verbal, incluindo humilhação e amea- ças de qualquer tipo. Violência física se refere ao uso da própria força física que causará ferimentos, dor ou inca- pacidade. Violência financeira é o uso dos fundos, propriedades ou bens sem autorização do idoso. Negligência é o ato de recusar o cuidado e deveres para
o idoso. Violência sexual é o contato sexual com o idoso sem que ele quei- ra. Abandono é quando o cuidador ou família se afasta do idoso que tinha se- gurança física, ou que tenha assumido a responsabilidade de cuidar (16).
Nesta revisão, a violência psicoló- gica, com 23,5% foi a mais acometida entre os demais tipos de violência a que esses idosos estão expostos. A violência psicológica se refere a relação do poder que o agressor tem, da força autoritária ou da influência sobre o outro, unin- do-se ao descaso, inversão dos papéis, humilhando, chantageando, impedindo de falar, escondendo informações signi- ficativas, que provocará raiva e choro, deixando o idoso longo tempo sozinho, impedindo o idoso a praticar várias de suas vontades (17).
Pode-se dizer que, assim como qualquer convívio, dentro do ambien- te familiar se testam o ato de violência e que por muitas vezes são ocultadas ou escondidas pela própria sociedade. Assim a violência é encontrada nas inti- midades familiares, um local farto para o início e proliferação, além da possibi- lidade de ocorrer várias formas de vio- lências que podem ser observadas entre grupos de convívio com a sociedade e com outros membros da família (18).
Referente às consequências ao idoso ao ato de violência, os artigos selecio- nados não trouxeram nada específico sobre o assunto. Os artigos abordaram como, por exemplo: a contribuição para os relatos de violência no ambiente fa- miliar e mostram também sobre a sub- notificação dos casos de violência, tor- nando mais difícil o reconhecimento do
ato de violência aos idosos, ainda mais se tratando do âmbito familiar, onde os cuidadores alegam sobrecarga e isto é um motivo a ser observado com mais atenção, pois este leva o risco desse cui- dador agredir o idoso.
O ato de violência contra os ido- sos pode causar várias consequências para a saúde dele, essas consequências ocorrerão independentemente de qual
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Abreu, A.L.; Alemida, C.L.; Capellini, V.K.; Silva, D.A., Silva, R.G. A violência contra o idoso no ambiente familiar.
violência ele for acometido. Essas irão ocasionar tristeza, ansiedade, medo, depressão, entre outas (19).
Reflexão importante se relacio- na ao estudo das consequências que a violência traz para esse idoso, para que toda a sociedade, enfermeiros, tra- balhadores da saúde estejam mais pre- parados para lidar com essa violência e acometimentos que ela traz e observar os riscos de violência que estes idosos estão expostos. As consequências que essa violência traz para ele são muito importantes para um melhor cuidado para esse idoso.
Sobre o suporte ao idoso também não foi obtido nenhum resultado, em- bora alguns artigos tragam o aspecto de denúncia em delegacias, pesquisas realizadas em entidades de apoio aos idosos, porém não houve relato de ne-
nhum idoso agredido que recebeu al- gum tipo de apoio.
Conclusão
O propósito deste estudo foi à análise sobre as consequências que a violência familiar causa ao longevo e demons- trar que a sociedade precisa começar a considerar o contexto familiar, reconhe- cer as potencialidades e o valor desses idosos, para que a possibilidade de me- lhoria do convívio aumente, pois, parte das dificuldades das pessoas idosas está mais relacionada a uma cultura que as desvaloriza e limita, e que chega ao pon- to de causar violência.
Com toda pesquisa realizada, é claro de se observar que existe a violência con- tra o idoso no ambiente doméstico e ela está crescendo cada vez mais.
Nos dias atuais, muitas pesquisas
abordam a violência contra o idoso, ao processo de envelhecimento, como ele ocorre, várias formas de se envelhecer com saúde, um envelhecimento ativo, de- núncias e pesquisas nas unidades de saú- de, porém, ainda há um longo processo a ser percorrido, pois, foi percebido, no de- correr da pesquisa, uma dificuldade rela- cionada ao debate sobre as consequências e o suporte que esse idoso recebe depois de ser violentado.
É importante ainda, um olhar mais aprofundado ao que o idoso apresenta para a população, pois muitas vezes o medo de ser abandonado ou até mesmo ser ainda mais agredido pela sua família, torna mais difícil a identificação do ato de violência. Esse idoso deve ser holistica- mente visto, pois ele é um ser biopsicosso- cial e espiritual, que deveria ter sua família como aliada e não como agressora.


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Referências

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