Ômicron: Infectologista explica a chegada de variantes e alerta sobre a manutenção dos cuidados sanitários neste final de ano

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Dr. Renato Grinbaum leciona no curso de Medicina da Universidade Cidade de S. Paulo (Unicid) e enfatiza a importância do tripé: distanciamento social, higienização das mãos e uso de máscaras;

Para o infectologista, variantes virais sempre ocorrerão, e Ômicron é resultado de uma variação comum que ocorre em todos os seres vivos – Dose de reforço estende a eficácia da vacina

Segundo o infectologista Dr. Renato Grinbaum, docente do curso de Medicina na Universidade Cidade de S. Paulo (Unicid), instituição que pertence ao Grupo Cruzeiro do Sul Educacional, variantes nada mais são do que fenômenos naturais que ocorrem com todos os seres vivos.

“Todos os organismos vivos dispõem de variantes, pois possuem variações genéticas acumuladas a partir de muitas gerações. A diversidade é a origem da vida, e o ser humano é muito complexo, com uma mutação pouco perceptível, e o vírus, que é menos complexo, dispõe de mutações que mudam expressivamente”, explica.

Em relação ao coronavírus e o surgimento de novas variantes, como a Ômicron, também chamada de B.1.1529, que foi reportada à OMS em 24 de novembro de 2021, e que de acordo com própria OMS, apresenta um “grande número de mutações”, Grinbaum explica que isso ocorre com todos os patógenos.

“Os organismos muito complexos têm mais dificuldades para produzirem variantes. Quanto mais deixamos o vírus replicar, mais chance tem de uma variante aparecer, isto é, quanto mais gente replicar e demorarmos para ações efetivas para conter a pandemia, mais variantes teremos. Precisamos nos cuidar”, alerta.

Segundo o infectologista, a variante Ômicron dispõe de mutações genéticas que potencialmente tem a capacidade de gerar maior transmissibilidade e gravidade e menor resposta a vacina. Porém, Grinbaum avalia, que os dados da vida real ainda são insuficientes. “Precisamos de tempo para termos uma resposta mais completa, enquanto isso, o que eu sugiro e: precisamos dar continuidade às medidas sanitárias, nos vacinar, como tomar, tomar a dose de reforço”, ressalta.

A preocupação de Grinbaum, se dá devido à chegada das festas de fim de ano, e por consequência, as possíveis aglomerações que resultam a partir delas. Segundo o médico, no Brasil, ainda há uma combinação perigosa, com um nível de transmissão alto, grande número de contaminados e frequência de mutações elevadas, combinadas ainda com pessoas que ainda não completaram o ciclo vacinal e desrespeito às medidas sanitárias.

“Com o surgimento das variantes, que serão recorrentes enquanto o coronavírus existir, as pessoas devem ter em mente que não devemos nos esquecer do tripé: distanciamento social, higienização das mãos e o uso adequado de máscara. É isso que vai nos manter seguros e contribuir para a diminuição dos números de infectados, sobretudo, diminuir os casos mais graves da doença. Além disso, para aqueles que já completaram o ciclo vacinal, a dose de reforço se faz necessária porque ela garante que a eficácia inicial de uma vacina persista por mais um ano ou até mais”, orienta.

Quanto à preocupação social sobre qual a vacina tomar, Grinbaum explica, que todas as vacinas que existem no Brasil, sejam da AstraZeneca, da Pfizer, da Jansen ou a Coronavac, são eficazes, como também, são eficazes como doses de reforço.

“A dose de reforço, por exemplo, é para qualquer pessoa que tenha completado um esquema vacinal. As pessoas que tomaram apenas uma dose da Jansen, por exemplo, após seis meses, também devem procurar a dose de reforço”, aponta.

Confira algumas orientações dadas por Grinbaum:

  • Evitar a realização de celebrações com aglomerações;
  • Completar o ciclo vacinal e tomar a dose de reforço;
  • Distanciamento social de pelo menos 1,5 metro;
  • Em caso de comemorações, que seja da mesma família;
  • Higienização das mãos e uso de máscara;
  • Evitar bebida alcoólica e evitar cantoria, pois quando se canta, emite-se partículas da saliva que podem transmitir a doença;
  • Assintomáticos podem transmitir, mas a potência é menor do que os pré-sintomáticos, pois nesse estágio a carga viral é muito alta;
  • Usar ambientes ventilados e de preferência que seja ao ar livre;
  • Principais sintomas para evitar e encontrar outras pessoas: febre, dor de cabeça e no corpo, tosse, falta de olfato e paladar;
  • Conscientização da população para entender que o período ainda requer cuidados;

Dr. Renato Grinbaum – Renato atua como médico infectologista. Doutorado em Clínica Médica. Atualmente é Professor da Universidade Cidade de São Paulo. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Clínica Médica, atuando principalmente em: residência, infectologia, infecção hospitalar e antimicrobianos.

Por: XCOM / Foto Ilustrativa: Freepik

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