Indicação na prescrição previne 60% das trocas de drogas com nomes semelhantes

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Novo levantamento mostra que acrescentar motivo da prescrição de medicamento pode evitar falhas na dispensação.
Uma medida simples, sem custos adicionais, poderia evitar a troca de mais da metade dos medicamentos cujos nomes são semelhantes (look-alike-sound-alike, conhecidos pela abreviação LASA). Basta incluir nos pedidos o motivo da indicação do medicamento. A estratégia não é nenhuma novidade – na verdade, é uma recomendação de entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS), e a FDA, a agência do governo americano que regula medicamentos e alimentos. Mas é pouco colocada em prática.
Em um novo levantamento, pesquisadores americanos analisaram a indicação farmacológica de 646 medicamentos separados em 399 pares com nomes e/ou aparências semelhantes, listados pelo Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos (ISMP). Os resultados mostraram que 60% dos pares com tinham indicação farmacológica diferente e outros 21% tinham indicações parcialmente diferentes.
“Havia pouca informação quantitativa sobre quantas trocas de drogas LASA poderiam ser prevenidas pelo uso da indicação no pedido”, escrevem os pesquisadores das universidades de Boston e Northwestern, autores da pesquisa. “Nosso estudo mostra que associar indicações a medicamentos LASA pode ajudar a diferenciar a maioria dos medicamentos com nomes semelhantes na versão atual da lista do ISMP. Portanto, a medida pode ser usada ​​para reduzir danos causados ​​por erros em razão do nome do medicamento.”
Estima-se que problemas na rotulagem correspondam a 33% dos erros de medicação e a 30% das mortes decorrentes deles (4). O problema é estudado desde 1973, quando o farmacêutico americano Benjamin Teplitsky publicou uma lista de medicamentos com nomes semelhantes e alertou para os contratempos causados por caligrafia ilegível no receituário e por prescrição oral, que levavam a erros na administração e dispensação de medicamentos dentro dos hospitais.
Desde então, várias organizações de segurança do paciente e agências reguladoras têm sugerido táticas para identificar e gerenciar os riscos associados a medicamentos com nomes semelhantes. As principais estratégias propostas pelas agências reguladoras internacionais como a americana FDA, a canadense Health Canada e a europeia EMA (European Medicines Agency) são: uso de código de barras para identificação do medicamento, armazenamento separado de medicamentos com nomes semelhantes, inclusão de nomes do princípio ativo além da marca na receita e em rótulos, especificação do objetivo do tratamento na prescrição e verificação do diagnóstico do paciente em relação à indicação de um medicamento antes de dispensar ou administrar o produto.
Uma das técnicas mais conhecidas e usadas é a Tall Man: escrever parte do nome de um medicamento em letras MAIÚSCULAS para ajudar a distingui-lo de drogas com nome ou pronúncia semelhantes. Por exemplo, os nomes “prednisona” e “prednisolona” são escritos “predniSONA” e “predniSOLONA”, respectivamente. Mas já há indícios de que a medida não é tão eficaz quanto se imaginava. “A memória e a percepção humanas são vulneráveis ​​a esse tipo de similaridade”, disse o pesquisador Bruce Lambert ao IBSP – Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente. Lambert é autor no novo levantamento e diretor do Centro de Comunicação e Saúde da Universidade Northwestern, em Chicago, nos Estados Unidos. “As melhores estratégias de prevenção são o uso de códigos de barras para todas as etapas processo e emprego de alertas de indicação em sistemas de pedidos eletrônicos.”
Apenas a tecnologia não é suficiente para combater o problema, alerta a farmacêutica clínica Marinei Ricieri, da Comissão de Farmácia Hospitalar e Clínica do Conselho Regional de Farmácia do Paraná e da Diretoria da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar. “Também é preciso oferecer condições de trabalho adequadas para que o profissional não se sobrecarregue e que sua atenção seja minimamente desviada.”
No Brasil, é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é quem avalia a escolha do nome dos medicamentos pelos fabricantes. No ano passado, foi publicada uma orientação que detalha aspectos relacionados aos nomes estabelecidos pela RDC 59/2014. O documento é uma referência de apoio para melhorar a análise técnica feita pela agência durante a avaliação do nome comercial escolhido pela empresa durante o processo de aprovação do medicamento. Essas publicações atualizaram a lei 6.360/1976 que já determinava que os medicamentos não podem ter nomes, designações, rótulos ou embalagens que induzam ao erro.

Fonte: IBSP

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