Edição 265 – Confira na edição de Junho da Revista Nursing Brasil

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Educação em Saúde: uma perspectiva conceitual e o desafio em tempos de pandemia

Capa da Revista Nursing Edição 265

Educação e saúde são práticas sociais, que por um longo período foram consideradas como atos normativos, sustentada na adoção de uma estrutura rígida, com a predominância de práticas dominantes que refletiam a ciência hegemônica da época, que tinha, no Modelo Biomédico, a verdade absoluta. Nesse contexto, os educadores de saúde atuavam como detentores do saber e definidores das ações em saúde e dos comportamentos de saúde aceitáveis, e o corpo do paciente como um receptor dessas diretrizes, instituindo o processo de medicalização da vida e da educação.

Foi embasado pela crítica empunhada no bojo do movimento da Reforma Sanitária Brasileira (1970) que se estruturou o julgamento do Modelo Biomédico, por não levar em conta o sujeito e a realidade social que estes estão inseridos, no processo de saúde e doença. Com base na ponderação das limitações evidentes no modelo tradicional que a  Educação em Saúde se constituiu, deu-se início ao movimento de pensamento crítico, no qual vislumbrou-se que a Educação em Saúde deve atuar numa perspectiva crítica e reflexiva, tendo como pano de fundo a análise da realidade social que os sujeitos estão inseridos, com intuito de reconhecer os determinantes que condicionam o processo de saúde e doença, numa perspectiva ampliada de educação e saúde.

Assim, a Educação em Saúde emerge como instrumento capaz de possibilitar aos sujeitos, a partir de uma atuação individual e coletiva, a transformação de suas condições de vida e saúde, com a finalidade de garantir o direito à saúde. Nesse movimento, o conceito de Promoção à Saúde se apresenta como uma das principais finalidades da Educação em Saúde. Além, disso, a Educação em Saúde, fundamentados nos pressupostos cunhados pelo educador Paulo Freire, propicia a libertação e emancipação, no qual o processo de educação deve ser permeado por uma troca dialógica entre o professor e o aluno, entre o profissional de saúde e o sujeito de seu cuidado, apoiado na realidade a que estes estão inseridos e realizada numa perspectiva horizontalizada de saberes.

Transpondo essas concepções para o contexto atual, no qual a raça humana se depara com uma pandemia avassaladora, aliado ao negacionismo científico. A Educação em Saúde se faz imprescindível, devendo atuar como um instrumento de defesa da saúde pública, a fim de assegurar a prevenção e promoção à saúde das pessoas frente a ameaça da Covid-19. Porém, a Educação em Saúde deve ser realizada de forma horizontal, para que informações e orientações seguras, embasadas em evidências científicas, reconhecida pelos pares, chegue à população de maneira acessível e compreensível.

Verifica-se ainda, como um enorme desafio para a Educação em Saúde, o combate à inundação de Fake News que colocam em risco a saúde pública como um todo. Assim, os profissionais de saúde, em especial os profissionais da enfermagem (geralmente os mais próximos à população), devem estimular a discussão, cunhadas em evidências científicas, de forma a dialogar e problematizar no plano cotidiano, informações que façam sentido à população. Uma desafiadora missão, que deve procurar alicerce nas iniciativas populares, sociais e do campo científico a ajuda necessária para o enfrentamento das adversidades que a pandemia do Coronavírus estabeleceu.

Jeane Cristina Anschau Xavier de Oliveira
Enfermeira, Mestre e Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFMT. Especialista em Cuidado Pré-natal pela Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, Brasil.  Docente do curso de graduação em Enfermagem do Instituto de Ciências da Saúde da UFMT, campus de Sinop-MT.

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