Edição 258 – Confira na edição de Novembro da Revista Nursing Brasil

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Novembro Azul, Política Nacional de Saúde do Homem e a interface com a Atenção Básica

Prof. Dr. Marcos André de Matos 
Doutorado em Ciências da Saúde – Faculdade de Medicina –  Universidade Federal de Goiás,  FM/UFG, Brasil. Docente pela Faculdade de Enfermagem -Universidade Federal de Goiás

O movimento “Novembro Azul” foi idealizado por Travis Garone e Lucas Slatttery tendo como símbolo o bigode (estilo Mário Bros). Surgiu em um bar na cidade de Melbourne, na Austrália, em 2003, aproveitando as comemorações do dia mundial de combate ao câncer de próstata, realizado em 17 de novembro. Dessa iniciativa emergiu então a Movember Foundation, única Organização não Governamental (ONG) que trata da prevenção e diagnóstico precoce de doenças que acometem a população masculina numa escala global. Atualmente, possui mais de 5 milhões de membros com cerca de 1200 projetos financiados nos 21 países membros, sendo classificada em 45º lugar, em 2018, dentre as 500 ONG mais influentes do mundo 1.

Devido à relevância do escopo em discussão e o impacto da ONG na Saúde Pública, várias entidades de todo o mundo aderiram a essa iniciativa, sendo que em alguns países há grandes, importantes e esperados encontros permanentes de debate acerca da temática, inclusive com propostas de políticas que visam desenvolver um cuidado preventivo integral com impacto na situação de saúde e autonomia da população masculina e nos fatores determinantes e condicionantes de saúde desse grupo populacional.

Apesar dos inúmeros avanços, no Brasil, a grande maioria das ações direcionadas a saúde do homem ainda são pontuais e meramente assistencialistas, privilegiando o câncer de próstata e não a totalidade do perfil epidemiológico da saúde dos homens brasileiros.

Nesse sentido, tem havido inúmeras discussões acerca da efetividade dessa estratégia, bem como da Política Nacional de Atenção Integral a Saúde do Homem (PNAISH), uma vez que parece existir um direcionamento para os aspectos biomédicos do aparelho geniturinário em detrimento aos princípios da integralidade e dos pressupostos da promoção da saúde. Não obstante a PNAISH preconize em seu eixo de intervenção a articulação com a Atenção Básica (AB), por meio do enfrentamento dos fatores de risco e mediante a facilitação ao acesso, às intervenções e adesão aos serviços de atenção à saúde, ainda são tímidas as iniciativas de transversalidade com as outras Políticas Públicas já consolidadas no Brasil, dificultando, sobremaneira, o cuidado a esses indivíduos que representam cerca de 30% da população brasileira, e que deveriam ter acesso e acolhida na AB 3-5. Os dados acerca da saúde do homem sugerem que a atual política não têm se mostrado eficiente para atender as demandas específicas desse segmento que vivencia um processo de vulnerabilidade, uma vez que apresenta comportamentos de risco de longo prazo modificáveis, como tabagismo, etilismo, inatividade física, alimentação inadequada e violência, e ainda determinantes sociais, tais como: desigualdades sociais, diferenças no acesso aos serviços de saúde, baixa escolaridade, desigualdades no acesso à informação, identidade de gênero, orientação sexual, percepção de masculinidade hegemônica e déficit de conhecimento acerca do autocuidado 6.

Finalmente parece ser imperativos maiores investimentos em investigações sobre a relação de gênero, vulnerabilidade, Atenção Básica e saúde do homem, com vistas a subsidiar estratégias efetivas, resolutivas, exequíveis, e que leve em consideração o perfil do homem de nosso país, de forma a serem incorporadas na agenda governamental das políticas públicas.

Capa da Revista Nursing Edição 258

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Referências

1- Movember Foundation. Acessado em: 21 de outubro de 2019. Disponível em: https://www.movember.com/

2-Espósito, R. C., Medeiros, P. J., Dantas Júnior, J. H., Oliveira, A. G., Moreira, S. A., & Sales, V. S. D. F. (2019). Blue November Campaign as an annual male self-care strategy for healthy aging. The Aging Male, 1-8. https://doi.org/10.1080/13685538.2019.1610731

3- Gérvas, J. (2018). Blue november? In no case. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, 22(64), 267-268. http://dx.doi.org/10.1590/1807-57622017.023

4- Modesto, A. A. D. A., Lima, R. L. B. D., D’Angelis, A. C., & Augusto, D. K. (2018). A not-so-blue November: debating screening of prostate cancer and men’s health. Interface-Comunicação, Saúde, Educação22(64), 251-262. https://doi.org/10.1590/1807-57622016.0288

5- Matos, M. A. Protocolo de Enfermagem na Atenção à Saúde do Homem. In: ROSSO, C.F.W. et al. (Org.). Protocolo de Enfermagem na Atenção Primária à Saúde no Estado de Goiás. Goiânia: Conselho Regional de Enfermagem de Goiás. 2017. 3 ed. 394 p Il.

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