Doença osteometabólica: fisiopatologia, repercussões clínica e terapêutica da osteoporose na saúde da mulher durante o acompanhamento de rotina

0

Prof. Patrick Leonardo Nogueira da Silva, Tiago Gusmão Freitas, Nathália Nepomuceno da Silva*

Durante o atendimento médico à mulher, devem-se levar em consideração as necessidades da cliente, tendo em vista a sua faixa etária, no que diz respeito às mudanças de suas funções biológicas advindas com o processo de senescência. A senescência é o processo de envelhecimento natural e saudável, com ausência de comprometimento da manutenção das necessidades básicas de vida. Cabe diferenciar a senilidade, sendo este o envelhecimento patológico associado à comorbidades decorrentes de doenças crônicas. O surgimento de doenças osteometabólicas, tal como a osteoporose, decorrente da desmineralização da matriz óssea, advém com a progressão do processo senil, adquirindo um caráter intrínseco (redução da produção hormonal) e extrínseco (alimentação).

A osteoporose pode ser definida como uma doença que culmina na fragilidade óssea ocasionando alterações na microarquitetura da matriz óssea de modo a predispor a fratura ao mínimo esforço, ou seja, são fraturas causadas por um trauma insuficiente para fraturar um osso normal. Classifica-se a osteoporose em primária (idiopática) ou secundária. A forma primária é subdividida em tipo I e II. Na osteoporose primária do tipo I, também conhecida por osteoporose pós-menopausa, há rápida perda da massa óssea (osteopenia), sendo mais prevalente na mulher com recente entrada no período denominado de menopausa. Na osteoporose primária do tipo II, também denominada de osteoporose senil, é relacionado ao processo de envelhecimento cujo qual surge pela deficiência crônica de cálcio (hipocalcemia), aumento da atividade do paratormônio e conseqüente diminuição da formação da matriz óssea decorrente da baixa recaptação de cálcio para dentro do osso. Já a osteoporose secundária pode ser entendida como sendo decorrente de processos inflamatórios, como a artrite reumatoide; alterações endócrinas, como o hipertireoidismo e as desordens das glândulas adrenais; mieloma múltiplo; por desuso; por uso de heparina, álcool, vitamina A e corticóides.

A ocorrência desta patologia óssea se dá em decorrência do desbalanço, cujas causas são multifatoriais, entre a produção e reabsorção óssea causada pelo tecido celular ósseo que é composto por osteoclastos (responsáveis pela absorção óssea), pelos osteoblastos (responsáveis pela formação óssea) e pelos osteócitos (responsáveis pelo remodelamento ósseo). Com relação às fraturas aos mínimos esforços, predominantemente atinge o osso trabecular e pode ser associada a fraturas das vértebras, do rádio distal e fêmur proximal, sendo que a fratura de quadril (colo do fêmur) é a mais associada ao aumento de morbidade e mortalidade, entretanto a fratura vertebral, sobretudo na vértebra torácica ou lombar, são as mais comuns podendo até ser assintomática.

Sua evolução ocorre de forma silenciosa até que ocorra a primeira fratura óssea. Todavia, em muitos casos, pode ser prevenida e tratada gerenciando os fatores de risco. Por isso é importante se atentar aos fatores de risco que se correlacionam com essa patologia, sendo que os principais são: idade avançada; história pessoal ou familiar de fratura por fragilidade; ser do sexo feminino e estar no período pós-menopausa (isto se justifica tendo em vista que é na menopausa que o estrogênio, hormônio feminino responsável pelo desenvolvimento dos seus caracteres secundários, deixa de ser produzido, sendo um importante protetor inibindo a ação dos osteoclastos, sendo que, devido a essa diminuição, a perda óssea nos primeiros dez anos deste período é tão intensa que pode gerar o quadro de osteoporose); histórico de tabagismo (inibe a multiplicação dos osteoblastos); etilismo (≥ três unidades ao dia); uso de glicocorticóide (dose ≥ 5,0 mg/dia de prednisona por período superior a três meses); ingesta inadequada de cálcio, fósforo e vitamina D (os ossos contêm minerais, incluindo cálcio e fósforo, que aumentam a rigidez e densidade do osso). Para a manutenção desta densidade, o corpo precisa de um fornecimento adequado de cálcio e outros minerais, bem como o suprimento adequado de vitamina D por ser necessário na absorção do cálcio dos alimentos, incorporando-o aos ossos.

Em se tratando da alta prevalência de causas secundárias de osteoporose, sendo muitas delas subclínicas, é recomendado para todos os pacientes, antes de se iniciar qualquer tratamento, realizar uma avaliação laboratorial mínima que inclua hemograma completo, cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, função tireoidiana e dosagem da 25-Hidroxivitamina D sérica, calciúria de 24 horas, além de radiografia simples lateral da coluna torácica e lombar e a medida da Densidade Mineral Óssea (DMO) na coluna lombar e fêmur proximal. Outros testes específicos devem ser feitos apenas em pacientes com suspeita clínica de doenças associadas, tais como as doenças gastrointestinais (síndrome de má absorção intestinal, doença inflamatória, doença celíaca), doenças endocrinológicas (hiperparatireoidismo primário, tireotoxicose, síndrome de Cushing, hipogonadismo e Diabetes Mellitus), doenças reumatológicas, doenças pulmonares crônicas, dentre outras.

Como as fraturas em geral ocorrem por quedas, é de extrema importância medidas de intervenções para prevenir os riscos de quedas, como a correção de dificuldades visuais, uso de apoiadores (bengala) e sapatos de borracha, adaptação do assoalho e cômodos da casa com apoios e tapetes antiderrapantes, melhorar a luminosidade e os cuidados com escadas e degraus que podem vir fazer com que o idoso sofra uma queda. Além disso, muitos fatores de risco modificáveis devem ser recomendados, por exemplo, estimular a prática de atividade física, abandonar o tabagismo, fazer a restrição de medicações sedativas e hipnóticas, fazer a correção da deficiência de vitamina D e outros motivos que possam reduzir a massa óssea. Na perimenopausa e pós-menopausa, se há história familiar, deve-se fazer um controle anual com densitometria óssea. Eventualmente deve-se proceder à reposição hormonal e, para idosos, é importante a suplementação com cálcio e vitamina D.

*Prof. Patrick Leonardo Nogueira da Silva é mestrando do PPGCPS/UNIMONTES; Tiago Gusmão Freitas é acadêmico de medicina da FUNORTE; Nathália Nepomuceno da Silva é acadêmica de medicina da FUNORTE.

Share.

About Author

Leave A Reply

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Clique nas capas abaixo para acessar o conteúdo digital das edições: