Diabetes continua sendo a maior pandemia do século

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Perda de peso é o 1º passo no combate à doença, como demostrou artigo publicado pelo The Lancet

São Paulo, 23 de junho de 2022 — O Brasil ocupa a 6ª posição no ranking dos 10 países com mais casos de diabetes no mundo, sendo que 16,8 milhões de pessoas vivem com a condição no país, de acordo com o Atlas da Federação Internacional de Diabetes de 2021. A estimativa é que em 2030 esse número chegue a 21,5 milhões no Brasil. Em todo o mundo, um em cada dez adultos tem a doença, ao todo são 537 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos que convivem com o diabetes. A estimativa é que em 2030, o número mundial de pessoas com a doença passe para 643 milhões e em 2045, para 784 milhões, sendo considerada a maior pandemia do século XXI.

Um artigo publicado em janeiro deste ano, na revista The Lancet, importante periódico científico internacional, demonstrou que naqueles pacientes portadores de diabetes associados à obesidade, a perda de peso é o primeiro passo para controle da glicemia e para evitar a progressão da doença e de suas complicações, como a insuficiência renal e eventos cardiovasculares, como infarto do miocárdio e AVC (acidente vascular cerebral). Esta publicação foi importante para que as Sociedades Americana e Europeia de Diabetes propusessem um algoritmo apresentado durante a 82nd Scientific Sessions of the American Diabetes Association que o tratamento da obesidade é o passo inicial fundamental para o tratamento do diabetes. Os novos agentes farmacológicos, apesar de ainda com estudos com curto tempo de seguimento, têm resultados excelentes em relação à perda de peso e controle da glicemia. Porém, como acontece com qualquer tratamento médico, existem pacientes que não têm a resposta esperada ao tratamento medicamentoso. Assim, para aqueles onde o melhor tratamento não consegue o objetivo, a cirurgia metabólica aparece com destaque no novo algoritmo proposto.

O artigo do The Lancet contou com a participação do Dr. Ricardo Cohen, Coordenador do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, além de pesquisadores dos EUA, Australia e Irlanda. “Esta é a primeira vez que a perda de peso por meio da cirurgia metabólica é mencionada como passo inicial no tratamento do diabetes tipo 2, quando o melhor tratamento clínico não atinge o desfecho planejado. Antes, tratava-se primeiro a glicemia, agora dedica-se ao emagrecimento, que pode interromper a evolução da doença a longo prazo”, afirma Dr. Ricardo Cohen, coordenador do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e um dos autores da publicação.

Dr. Ricardo Cohen destaca que as cirurgias metabólicas, além da perda de peso, levam ao controle do diabetes através de mecanismos que melhoram a secreção de insulina pelo pâncreas e diminuição da resistência dos tecidos à ação da insulina, que levam ao controle dos índices de açúcar na corrente sanguínea. Pode ser realizado em indivíduos que não conseguiram ter o diabetes controlado por meio do melhor tratamento medicamentoso e da mudança de hábitos e que apresentam comorbidades associadas ao diabetes, resultando tanto na remissão da doença e auxiliando na prevenção e até tratamento das doenças renais e eventos cardiovasculares secundários à evolução do diabetes. “As ações diretas em relação à perda de peso e os mecanismos de melhora da função do pâncreas e sensibilidade dos tecidos à insulina deixam a cirurgia metabólica como mais uma opção aos médicos, que poderão definir quais pacientes devem ter o acesso à cirurgia priorizado”, completa.

 

Números alarmantes

Só no ano passado, o diabetes tipo 2 causou 6,7 milhões de mortes em todo o mundo. E no Brasil, 9,14% da população com mais de 18 anos já convivia com o diabetes. Em 2020, esse índice era de 8,2%, ou seja, houve um aumento de 11,47%, de acordo com os dados do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por inquérito Telefônico) 2021, pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde para colher informações sobre fatores de risco de saúde da população.

Para o coordenador do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, esses dados revelam a importância da prevenção do diabetes não só no Brasil, como também no mundo. “O diabetes é uma doença crônica e progressiva e continua sendo a maior pandemia do século atual. Devemos traçar estratégias para tratar aqueles que mais necessitam. Por isso, chamamos a atenção para a importância do diagnóstico precoce, por meio de um atendimento multidisciplinar e individualizado. Devemos ter um olhar mais aguçado quanto aos sintomas e optar pelo melhor tratamento para aquele indivíduo. Só assim vamos conseguir vencer essa batalha contra o diabetes”, destaca o especialista.

Além da maior prevalência, o Atlas da Federação Internacional de Diabetes de 2021, coloca o Brasil no 3º lugar entre os países com maior despesa com o tratamento. O custo estimado do diabetes, no ano passado, foi de US$ 42,9 bilhões, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos, com US$ 165,3 bi e US$ 379,5 bi, respectivamente.

 

Sobre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Fundado em 1897 por um grupo de imigrantes de língua alemã, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz é um dos maiores centros hospitalares da América Latina. Prestes a completar 125 anos, é referência em serviços de alta complexidade, oferecendo aos pacientes acesso aos mais altos padrões de qualidade e de segurança no atendimento, atestados pela certificação da Joint Commission International (JCI), principal agência mundial de acreditação em saúde. Com corpo clínico renomado, formado por mais de 4,7 mil médicos cadastrados ativos, e uma das mais qualificadas assistências do país, o Hospital tem capacidade total instalada de 806 leitos, sendo 583 deles na saúde privada e 223 no âmbito público. A Instituição foi reconhecida pela Great Place to Work (GPTW) como uma das melhores empresas para trabalhar no setor de saúde, na categoria de Hospitais, e no terceiro setor com destaque em Gestão Saudável. Desde 2008, atua na área pública como uma das Entidades de Saúde de Reconhecida Excelência (ESRE) do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) do Ministério da Saúde.

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz — Link

 

Por: Conteúdo Comunicação / Foto Ilustrativa: Freepik

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