Dermatologistas alertam para falta de medicamento de alto custo no SUS que coloca em risco o tratamento de doenças crônicas graves

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O desabastecimento no Sistema Único de Saúde (SUS) do medicamento adalimumabe tem causado apreensão em médicos e pacientes. Em carta aberta ao Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) – em parceria com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e o Grupo de Estudos de Doenças Inflamatórias Intestinais (GEDIIB) – manifestou preocupação e solicitou providências imediatas para a falta desse medicamento, indispensável ao tratamento de diferentes doenças de pele, reumáticas, inflamatórias intestinais e oftalmológicas.

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“Essa descontinuidade pode gerar consequências irreparáveis para a saúde, como perda de visão, perda de segmento intestinal e deformidades permanentes. Em muitos dos pacientes é a única droga capaz de deixar sua doença inativa”, salienta o texto.

Alto custo – O adalimumabe é um medicamento de alto custo. Por isso, a maioria dos pacientes depende do fornecimento realizado pela rede pública. No entanto, desde julho do ano passado, a distribuição vem acontecendo de forma irregular. A situação, normalizada no último semestre de 2020, voltou a apresentar instabilidade no início de 2021, quando ressurgiram denúncias de pacientes sobre a falta do medicamento em vários estados do País.

“Há seis meses, o Governo Federal iniciou, via pregão eletrônico, um novo processo de aquisição de lotes do medicamento. Porém, desde então, não ocorreu nenhuma das etapas seguintes necessárias para efetuar a compra e suprir a demanda do SUS”, afirma o coordenador do Comitê de Imunobiológicos da SBD, Paulo Oldani. Segundo informa o especialista, o adalimumabe está estabelecido no SUS como a primeira opção de tratamento para diversas patologias, como a psoríase. Para outras, como a hidradenite supurativa, o remédio é a única opção de tratamento imunobiológico.

Tratamento – “A interrupção ou a substituição desse tipo de tratamento pode impactar negativamente no controle da doença, com graves danos à saúde dos pacientes. A eficácia dos imunobiológicos é reduzida se o paciente já foi exposto a outra terapia biológica. Portanto, de modo geral, essa troca deve ser evitada”, explica. Ainda de acordo com o especialista da SBD, se medidas emergenciais não forem tomadas, os pacientes que estão com enfermidades controladas tendem a recrudescer a estados mais intensos de sintomas.

Paulo Oldani, que acompanha esse processo para a SBD, no caso da hidradenite supurativa – uma doença de pele com alta carga inflamatória e grande impacto na vida dos pacientes -, não há sequer substituto para esta terapia. “Para outras doenças, como a psoríase, até existem alternativas de condução, mas a troca pode levar a perda do controle da patologia e causar gastos desnecessários ao sistema de saúde brasileiro. Todo esse entrave, da falta do adalimumabe, interfere diretamente na vida de milhares de pessoas, que dependem do medicamento para manter a sua saúde física e qualidade de vida”, finaliza.

Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia / Imagem ilustrativa: Pexels

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