Brasil sofre com atraso na digitalização e falta de interoperabilidade do setor de Saúde

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Melhor uso da tecnologia poderia beneficiar os sistemas público e privado, tanto em qualidade de atendimento a pacientes quanto em gestão de custos

O Brasil é o país que mais coleta dados do setor de Saúde, especialmente por contar com o Sistema Único de Saúde (SUS) e a base de informações DATASUS. No entanto, o atraso na digitalização das instituições, principalmente em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos, e a falta de interoperabilidade fazem com que não seja possível reunir esses materiais e transformá-los em conhecimento, impactando na promoção de melhorias para o setor como um todo. Essa análise foi feita por especialistas em tecnologia na saúde, que participaram, ontem (12), do Anahp AO VIVO sobre “A importância em ampliar o uso de dados para a tomada de decisões em saúde”. O debate completo está disponível no canal do Youtube da Anahp: https://www.youtube.com/watch?v=QXpRV9JBFPc.

Segundo Rogério Pires, diretor do segmento de saúde da TOTVS, o mercado clama pela digitalização do setor de Saúde. “A celeridade ainda está muito aquém do esperado, apesar de ser uma constatação que a pandemia veio para acelerar isso de uma forma muito grande. As instituições precisam de dados para terem uma previsibilidade de custos, uma melhoria de gestão, para atender melhor seu paciente”, defende. “Existe ainda muita dispersão de performance entre os elos, entre as empresas e entre os setores público e privado, com muitos operando abaixo do seu pleno potencial”, completa Luiza Mattos, sócia e líder da prática de saúde da Bain & Company.

Para Rudi Rocha, professor associado da FGV-EAESP e diretor de pesquisa do IEPS, os sistemas de informações que temos no Brasil são impressionantes. “No DATASUS temos mais de 600 sistemas de informação, de cada nascimento, cada óbito, cada hospitalização, cada procedimento ambulatorial no SUS, nos últimos 10-20 anos. Estamos falando de base de dados de bilhões de observações publicamente abertas. Então, por um lado, temos no sistema brasileiro público algo que não existe em nenhum lugar do mundo, que é a integração de estatísticas coordenada pelo Ministério da Saúde. Por outro lado, nosso sistema privado é avançado, mas ainda muito fragmentado”.

Com base na votação da Câmara dos Deputados no Prontuário Eletrônico Único, o moderador do debate, Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, questiona se o Brasil teria condições de reunir as informações públicas e privadas em um único sistema. “A tônica é que qualquer sistema de saúde precisa ter integração e ganho de eficiência. Nenhum sistema, em médio e longo prazos irá se sustentar sem isso porque os custos serão impeditivos. Não teremos margem de manobra para fazer duas ressonâncias e não buscar o resultado. A integração dos sistemas de informação, passados os gargalos técnicos e políticos, pode trazer ganhos significativos de eficiência para o sistema como um todo”, responde Rocha.

De acordo com Luiza Mattos, sócia e líder da prática de saúde da Bain & Company, há várias tendências do setor de Saúde que irão demandar dados, como gestão de custos, que inclui modelos de precificação inteligentes; verticalização e criação de redes, com planejamento de extensões; medicina personalizada, oferecendo maior assertividade em diagnósticos e prognósticos; gestão de vidas, promovendo análises preditivas para distribuições de recursos e investimentos; criação de ecossistemas, com o compartilhamento de informações entre instituições; e o novo modelo de assistência com o paciente no centro do cuidado.

Rocha acredita que, o Brasil tem um caso especial de acesso a dados, uma potência enorme de uso desses dados para trabalhar políticas públicas, programas e intervenções dentro de empresas privadas, para avaliar e descrever o que acontece no sistema de saúde do País. Porém, existe uma limitação de recursos humanos. “Temos uma capacidade gigante de juntar dados, mas transformar essa massa de dados em conhecimento é difícil. A conversão é artesanal, técnica, e não basta aprender a programar, tem que saber pensar e pensar de uma maneira diferente. De fato, apesar de ilhas de excelência no Brasil, ainda temos poucas pessoas qualificadas para lidar com esse tema em geral, em saúde em particular, muito embora esteja crescendo”, analisa.

A discussão completa, com a participação de Luiza Mattos, sócia e líder da prática de saúde da Bain & Company; Rogério Pires, diretor do segmento de saúde da TOTVS; Rudi Rocha, professor associado da FGV-EAESP e diretor de pesquisa do IEPS; e Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, como moderador, pode ser assistida em https://www.youtube.com/watch?v=QXpRV9JBFPc .

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